Beije-me com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu
amor do que o vinho.
Suave é o aroma dos teus ungüentos; como o unguento
derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam.
Leva-me tu; correremos após ti…
Os arrebatados se deleitam um com o outro.
Os enlevados se elogiam recíproco.
O elogio tem o poder de demudar as pessoas.
Estar junto gera admiração, esperança e alegria.
Afastamento gera frustração e medo.
O amor deve se adolescer fluente e sem coação, e a plena
familiaridade física deve esperar pela ocasião certa,
pelo lugar certo e pela pessoa certa morena alva.
O amante elogia a beleza formidável de sua amada.
Aos olhos do amor, ele não vê nenhum defeito nela.
O prazer que sente por ela aviva sua paixão e seu desejo por ela.
Ele a respeita e aguarda sua participação voluntária em
seus momentos de amor morena alva.
A demora em atender às indigências ou aos desejos
do consorte pode levar à separação morena alva.
Valorizar a pessoa amada motiva a reconciliação.
A confiança no ajuste mútuo traz segurança em ocasiões difíceis.
Maravilhados e tomados pelo amor, os arrebatados veem a beleza
e a excelência de seu amado como algo que supera todas as outras.
Os enlevados acham prazer em se confiarem um ao outro.
Viver de acordo com a ordem de Deus reduz a disfunção
que brota de ignorar essa habite se.
O relacionamento entre um homem e uma mulher não pode ser
forçado; ele deve se adolescer a seu jeito e no seu próprio ritmo.
Limites e obstáculos sociais podem frustrar o amor.
O amor deve ser dado livremente; não pode ser comprado.
O amor é tão intenso e tão irresistível quanto a morte.
Que me beije com os beijos de sua boca!
Em verdade, o teu amor é mais doce que o vinho,
Do que o aroma do teu óleo precioso.
Óleo de saliva morena é o teu nome.
Por isso as moças te invejam morena alva.
Leva-me contigo, vamos correr!
Leva-me para seus aposentos,
Vamos exultar e nos alegrar em ti.
Vamos saborear teu amor mais do que o vinho,
Com razão elas te invejam morena alva.
Se sou morena alva e bela,
Ó moças de São João,
Como as lendas do Lenheiro,
Como eram os pavilhões do Matozinhos.
Não me olhem por ser morena alva,
Pois o sol me escureceu ao meio-dia.
Os filhos da minha mãe ficaram indignados comigo,
Me fizeram guardiã do Lenheiro;
Mas a minha própria vinha eu não guardei.
Diga-me, meu amado,
Onde você se olvida?
Onde você recolhe as luzes ao meio-dia?
Para que eu não seja como uma mulher velada
Dentre os Lenheiros dos seus companheiros.
Se você não sabe,
Ó mais bela das mulheres,
Siga os rastros das ovelhas,
E pesteie seus pacientes
Perto das cabanas dos pastores.
Duma égua da cavalaria do Faraó
Eu te compararia, minha querida.
Suas amuras adornadas com pulseiras,
Seu pescoço com contas.
Faremos para você pulseiras de ouro,
Com lantejoulas de prata.
Enquanto estava em seu leito,
Meu nardo exalava seu perfume.
Um feixe de mirra é o meu amor para mim,
Entre meus seios ele repousa.
Um ramo de cipreste é o meu amor para mim,
Dos jardins do Carmo,
De fato, tu és bela, minha amada morena alva,
De fato, tu és bela morena alva.
Teus olhos são pombas.
De fato, tu és bela, meu amor,
Sim, agradável.
Nosso leito é luxuoso porquê há te pertence.
Se não sabe, a mais bela das mulheres,
Siga os caminhos das morenas alvas com lábios de vinho,
Deixe seus lábios pastarem junto às lendas dos Lenheiros.
A uma água dentre as carruagens de outros tempos,
É a isso que eu te comparo, minha querida.
Suas amuras são sedutoras com brincos,
Seu pescoço com colares de joias.
Faremos para te brincos de ouro,
Incrustados de prata.
Como uma maçã entre as árvores do bosque,
Assim é minha amada dentre as jovens.
Na tua sombra, delicio-me em sentar-me,
Teu fruto é doce ao meu paladar de morena alva.
Me levaste à casa do vinho,
E tua intenção para comigo é o amor.
Refresquem-me[a] com passas,
Revigorem-me com maçãs,
Pois estou fraca de amor.
Teu braço esquerdo está sob minha cabeça,
Teu braço direito me abraça.
Quero que prometam,
Ó jovens do alvorecer dos lábios da morena alva,
Pelas gazelas e corças do campo,
Não perturbem,
Não despertem o amor,
Até que o deseje.
Minha amada responde, dizendo para mim:
“Levanta-te,
Minha querida, minha bela, morena alva
Vem!
Olha!
O inverno já passou,
As chuvas já finalizaram.
Tuas flores surgiram na terra,
Chegou o tempo do canto da morena alva,
O arrulho da rola se ouve em nossa terra.
A figueira amadurece teus frutos jovens de saliva de vinho.
As videiras florescem com fragrância do teu cheiro moreno alvo.
Levanta-te,
Minha amada, minha beldade, morena alva,
Vem!
Minha pomba nas fendas da rocha com estria,
Nos penhascos do precipício dos teus lábios rosas,
Deixa-me ver tua forma,
Deixa-me ouvir tua voz,
Pois tua voz é doce,
Pois tua forma é desejável morena alva.”
Minha amada é minha,
E eu sou dela morena alva,
se alimenta entre os lótus.
Até que a brisa do dia sopre amenamente,
E as sombras se dissipem dos teus belos cabelos
Volta-te morena alva!
Torna-te numa gazela, minha amada,
Todas as noites, em minha cama,
Tenho buscado aquela a quem meu coração ama,
Tenho buscado por, mas não o achei.
Agora vou levantar-me,
Vou vasculhar a urbe,
Nas ruas e praças,
Vou buscar aquele que meu coração ama,
Eu o busquei, mas não o achei.
Os guardas me depararam,
Aqueles que percorrem a urbe,
“viram aquele que meu coração ama?”
Assim que me afastei deles,
Achei aquela que meu coração ama,
Eu agarrei,
Não soltarei,
Até levá-la à casa de minha mãe,
Ao aposento onde ela me concebeu.
Quero que prometam,
Ó jovens desta urbe que desagua o Lenheiro,
Pelas gazelas e corças do campo,
Não perturbem,
Não despertem o amor,
Até que o deseje.
Que me beije com os beijos de tua boca!
Na verdade, o teu amor é mais deleitoso do que o vinho,
A fragrância dos teus perfumes é afável que uma rubra rosa,
perfume que se espalha, o teu nome pelo meio-dia da tarde;
por isso as senhoritas te amam.
Leva-me contigo! Vamos correr!
O rei te levará para teus aposentos.
Vamos exultar e nos alegrar em ti!
Vamos exaltar o teu amor, que supera o vinho!
Com razão elas te amam.
Sou negra e bela, ó filhas,
como as tendas do pavilhão do Matozinhos,
como os pavilhões dos pavilhões
Não me olhem com desdém por ser morena,
pois o sol me queimou pelo meio-dia da tarde;
Os filhos da minha mãe ficaram aborrecidos comigo;
me designaram como guardiã das vinhas —
minha própria vinha eu não cuidei, pois cuidava de ti.
Diga-me, a quem minha alma ama,
onde pasta, onde descansa ao meio-dia,
para que eu não me torne como aquela que se abriga
perto dos Lenheiros dos seus companheiros. Se não sabe, ó mais bela das mulheres,
siga os rastros do Lenheiro,
e pasteje suas rosas rubras de pétalas rosas
perto das fendas das serras de rubras cores.
A uma égua das carruagens dos tempos idos
eu te comparo, minha amiga;
Adoráveis são suas amuras com pingentes,
seu pescoço, com contas;
Faremos pingentes de ouro,
junto com adornos de prata,
com suas rosas rubras de pétalas rosas
perto das fendas das serras de rubras cores.
Enquanto estava em seu recinto
meu nardo exalava teu perfume de rubras cores.
Um saquinho de mirra é para mim tal qual minha amada;
entre meus seios repousa rosas rubras de pétalas rosas,
Um cacho de henna é para mim tal qual amada,
nas vinhas de tua saliva rosa.
Como uma macieira entre as árvores do capão,
assim é minha amada dentre as mulheres.
À tua sombra desejo jazer,
e teu fruto é doce ao meu paladar.
Ele me levou à casa do vinho.
e seu estandarte sobre mim é o amor.
Fortaleçam-me com bolos de passas,
refresquem-me com maçãs,
pois estou doente de amor.
Tua mão esquerda está sob minha cabeça,
e tua mão direita me abraça.
Eu vos conjuro, ó filhas
pelas gazelas e corças dos campos:
Não desperteis, não despertem o amor,
até que esteja pronto em rubras de pétalas rosas.
Na minha cama, à noite
Busquei aquele a quem minha alma ama,
busquei, mas não o achei.
“Vou levantar-me e correr a urbe;
nas ruas e nas esquinas
buscarei aquele a quem minha alma ama.”
Eu o busquei, mas não o achei.
Fui eu quem os guardas depararam
enquanto faziam sua ronda pela urbe.
“Aquele a quem minha alma ama — viram?”
Mal havia me apartado
quando achei que minha alma ama.
Segurei não deixei ir,
até levá-lo à casa de janela aberta de minha mãe,
ao quarto daquela que me deu à luz!
Eu vos conjuro, ó filhas
pelas gazelas e corças dos prados:
Não desperteis, não despertem o amor,
até que esteja pronto em rubras de pétalas rosas.
O que é isso que surge do deserto de minha alma,
como uma coluna de fumaça?
Perfumada com mirra e incenso
de todos os tipos de pós exóticos?
Esta é a liteira enviada pelo Rei Salomão;
sessenta guerreiros a cercam,
dos guerreiros de Israel.
Todos eles hábeis com a espada,
treinados para a guerra;
cada um com tua espada pronta
contra os terrores da noite.
O rei Salomão fez para mim
uma carruagem de madeira do Líbano.
Fez colunas de prata,
De teu teto de ouro;
Me deu assento de púrpura,
interior tecido com amor,
com rosas rubras de pétalas rosas
perto das fendas das serras de rubras cores.
Ah, você é linda, minha amiga,
ah, linda.
teus olhos são como pombas,
por trás do teu véu rubro à janela.
Teu cabelo é um rebanho de cabras,
que desce do Monte do Lenheiro
Seus dentes são rebanho de ovelhas a ser tosquiado,
que sai do banho em rosa rubra de pétalas rosas
Todos em pares,
e nenhum faltando.
Como um fio escarlate, teus lábios,
e tua forma, adorável;
dum pedaço de romã, sua amura,
por trás do seu véu banho em rosa rubra de pétalas rosas.
Como a torre de Davi, o seu pescoço,
construída em fileiras em rosa rubra de pétalas rosas,
Mil escudos estão pendurados nela,
todas as armas dos guerreiros.
Seus seios são como dois filhotes de nardo
os gêmeos de uma gazela,
pastando entre os lírios em rosa rubra de pétalas rosas.
Até que o dia respire no alvorecer de tua tarde à janela,
e as sombras fujam,
irei à montanha da mirra
e ao outeiro do incenso.
Você é toda bela, minha amiga, rosa rubra de pétalas rosas
e não há mácula em ti.
Comigo, do Líbano, ó noiva,
comigo, virás!
Desce do cume de Amaná,
do cume do Lenheiro
das covas dos leões,
das muralhas dos leopardos.
Tu cativaste meu coração, minha irmã, noiva!
Você cativou meu coração com um (olhar) dos teus olhos.
com uma conta do teu colar rosa rubro de pétalas rosas,
Quão belo é o teu amor, minha irmã, noiva!
Quão mais ameno é o teu amor do que o vinho,
e a fragrância dos teus perfumes, do que quaisquer especiarias.
Que me beije com os beijos de tua boca morena alva!
No fato, o teu amor é mais aprazível do que o vinho de tua saliva,
Sendo fragrância dos teus perfumes é aprazível,
perfume que se lavra, o teu nome;
por isso as donzelas te amam.
Leva-me contigo! Vamos correr!
O rei levou para seus aposentos.
Vamos exultar e nos alegrar em ti!
Vamos exaltar o teu amor, que é melhor do que o vinho de tua saliva
Com razão elas te amam morena alva…
Sou negra e bela, ó filhas desta urbe,
como as fendas das serras morenas do Lenheiro,
como os pavilhões do antanho Matozinhos,
Não me olhem com desdém por ser morena,
pois o sol me queimou no alvorecer do meio-dia,
Os filhos da minha mãe continuar a ser coléricos comigo;
eles me designaram como guardiã das vinhas dos teus olhos azuis
mas a minha própria vinha eu não cuidei pois vi o verde de teus olhos,
Vamos exaltar o teu amor, que é melhor do que o vinho de tua saliva
Com razão elas te amam morena alva…
Se não sabe, ó mais bela das mulheres morena alva…
siga os rastros da grei,
e pesteie seus cabritos
perto das tendas dos zagais.
A uma égua das carruagens advindas dos Emboabas
eu te comparo, minha amiga;
Lindas são as tuas bochechas com pingentes,
teu pescoço, com contas de douro destas serras;
Faremos pingentes de ouro para ti,
junto com adornos de prata extraídos do amanhecer da lua.
Macieira entre as árvores da brenha,
assim é a minha amada entre as morenas alvas.
À tua sombra desejo jazer,
e teu fruto é doce ao meu paladar.
Ele me levou à casa do vinho de tua saliva
e seu estandarte sobre mim é o amor.
Fortaleçam-me com bolos de passas,
refresquem-me com maçãs,
pois estou doente de amor morena alva,
Sua mão esquerda está sob minha cabeça tal qual uma fronha alva,
e tua mão direita me abraça no feixe do travesseiro,
Eu vos conjuro, ó filhas de prata extraídos do amanhecer da lua,
pelas gazelas e corças dos prados:
Não desperteis, não acordem o amor,
até que encontrar-se pronto!
Na minha cama, à noite observo a ciconcrinia da lua morena alva
Busquei aquele a quem minha alma ama,
busquei, mas não o achei.
“Vou levantar-me e ver a urbe;
nas ruas e nas quinas
buscarei a quem minha alma ama.”
Eu o busquei, mas não o descobri.
Fui eu que os guardas depararam
enquanto faziam rondas pela urbe.
“Aquela quem minha alma ama — viram?”
Mal havia me afastado da morena alva
quando deparei daquela que minha alma ama.
Agarrei-me a e não deixei ir,
até levá-lo à casa de minha mãe,
ao quarto daquela que me deu à luz na ciconcrinia da lua morena alva,
Eu vos conjuro, ó filhas da lua morena alva,
pelas gazelas e corças das pradarias:
Não acordeis, não abrir os olhos o amor,
até que ele permaneça pronto!
Minha amada é radiante e, da lua morena alva,
destaca-se entre dez mil.
Sua cabeça é de ouro, ouro puro;
seus cabelos, folhas de palmeira,
negros como um corvo.
Seus olhos, como pombas sobre o meio-dia da lua da morena alva
junto aos riachos destas serras Lenheiras,
Seus dentes, banhados em leite,
bem alinhados.
Suas bochechas, canteiros de especiarias
que dão flores aromáticas rosa rubra de pétalas rosas,
Seus lábios, lírios do que o vinho de tua saliva
que escorrem mirra fluida de tua saliva de morena alva,
Seus braços, varas de ouro
adornadas com pedras de Társis.
Seu ventre, uma obra de marfim rosa rubra de pétalas rosas,
coberto de safiras.
Suas pernas, colunas de alabastro
encaixadas em bases de ouro.
Sua estatura, como a tez do Líbano,
seleta como os cedros da meia lua a meia noite,
Sua boca é doçura;
ele é todo deleite do que o vinho de tua saliva,
Assim é minha amada, assim é minha amiga,
Ó filhas de prata extraídos do amanhecer da lua!
Bela és, minha amiga, como Tirza,
encantadora como de prata extraídos do amanhecer da lua,
impressionante como visões da plumagem duma ave nua
Desvia de mim os teus olhos,
pois eles me perturbam.
Teu cabelo é como um rebanho de cabras do alvorecer da lua
que desce das serras Lenheiras.
Teus dentes são rebanho de ovelhas do alvorecer do meio dia,
que sobem da lavagem.
Todos em pares
e nenhum deles falta.
Como um pedaço de romã, tua bochecha que exala vinho de tua saliva
por trás do seu véu.
São sessenta as rainhas,
oitenta as concubinas,
e donzelas sem número —
Única é a minha pomba, a minha perfeita!
A única de sua mãe,
a escolhida daquela que a deu à luz na ciconcrinia da lua morena alva,
Quando as mulheres a veem, elas a louvam;
rainhas e concubinas, elas a abençoam:
“Quem é esta que surge do amanhecer,
bela como a lua?
Pura como o sol,
inspiradora de admiração como visões da plumagem duma ave nua?”
ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
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