Vi.- Num deslumbramento irradia,
Natália é luz, fulgura, arde, flameja,
Na hora o cavalo de oiro fugidio,
Hora a irante fagulha duma igreja.
Hora um caixão luxuoso, em que dardeja,
Da orquestra doida a fulgurante orgia,
Quais sons, enquanto voa, ala-se, adeja,
Na turba astral, que trança enrola e ébria.
E alma quisera um soneto teu,
Dum verso, aceno, ou mãe silente apenas,
Verte a correr pela estrada, a espádua nua.
Aos beijos só das luxúrias falenas,
E eu olhar filha haver o sol e a lua,
Para acolchoar delas tuas mãos pequenas.
Natália é luz, fulgura, arde, flameja,
Na hora o cavalo de oiro fugidio,
Hora a irante fagulha duma igreja.
Hora um caixão luxuoso, em que dardeja,
Da orquestra doida a fulgurante orgia,
Quais sons, enquanto voa, ala-se, adeja,
Na turba astral, que trança enrola e ébria.
E alma quisera um soneto teu,
Dum verso, aceno, ou mãe silente apenas,
Verte a correr pela estrada, a espádua nua.
Aos beijos só das luxúrias falenas,
E eu olhar filha haver o sol e a lua,
Para acolchoar delas tuas mãos pequenas.
II
Tal qual estátua de mármore na campa,
Feita de fino, olvidar nevoeiro,
De rendas em que deita o travesseiro,
Que luar doce o corpo se ampara.
Azula-o brandamente etérea flama,
Reza a cruz do teu falar faqueiro;
No sol, nos teus dois sóis prisioneiro,
Embale ir para o véu forceja e chama.
Deixa-a ir. Fica tu serenas e vasta,
Neste calor da alcova pequenina,
Que a imensa curva Vênus mais fasta.
Deixa-me após na cruz que me fascina,
Desta campa em que estás, e, que me farta,
Cair morto aos teus pés, mãe tão divina.
IIITal qual estátua de mármore na campa,
Feita de fino, olvidar nevoeiro,
De rendas em que deita o travesseiro,
Que luar doce o corpo se ampara.
Azula-o brandamente etérea flama,
Reza a cruz do teu falar faqueiro;
No sol, nos teus dois sóis prisioneiro,
Embale ir para o véu forceja e chama.
Deixa-a ir. Fica tu serenas e vasta,
Neste calor da alcova pequenina,
Que a imensa curva Vênus mais fasta.
Deixa-me após na cruz que me fascina,
Desta campa em que estás, e, que me farta,
Cair morto aos teus pés, mãe tão divina.
Tens da virgem cristã a face e o pejo,
Que de um certo disfarce não te exprime,
Já uma tristeza de fatal sublime,
Junto à lascívia dum mortal desejo.
És morta… e pura, e creio-te, lhe vejo,
Tal face aonde a palidez se exime,
E o teu corpo, que firme, campa um vime,
Desdobra mesmo ao hálito do desejo.
És pura, se desejo de repente,
Se não me vem já súbito a descrença,
Da cruz dos teus finados beijos crentes.
Já seja há serpe, sair do ninho que se lança,
Feito roscas douro luminoso – já a gente,
Chorando no teu zelo de criança.
ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA
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