Ao pé das colinas onde ela faria sua estreia,
com membros terrenos adornados vestes tão finas,
(daquela médica não cessa de despertar do repouso
Nesse homem choroso que me envia até ti…),
Na paz e livremente corríamos pelas janelas
esta vida mortal, cada animal escolhia pelas,
sem nos cuidarmos com o fato de que a ida nos exporia
a todos a ocasiões em que surgiriam perigos.
Apesar desse estado de desolação,
para onde fui levado, vindo de enigmas sem medo,
em relação à morte tenho um consolo,
que é a vingança contra aquele que me trouxe até ti,
pois ele está sob o domínio de alguém,
acorrentado por uma corrente ainda maior, com fim se beirando.
II
Senhora, nunca a vi elevar tua alva figura,
Deste seu véu, seja pelo sol ou pela sombra,
pois sabia do anseio que eu demonstrava,
que afastou todos os outros desejos do meu coração.
Enquanto eu mantinha em chave todos os meus elogios íntimos,
que deixavam minha mente obcecada de forma mórbida,
vi a piedade que fingia demonstrar nessa janela.
No entanto, desde que o Amor fez com que me notasse.
Velou seus cabelos dourados naqueles dias
e refreou olhares sedutores ao se manter discreta.
Do que eu mais desejava agora se foi, e assim então:
Deste véu controla meus dias; e incendeia canaviais,
ele me mata ao escurecer seu olhar brilhante
sempre que o calor do verão ou as nevascas abrem.
ERIC PONTY
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA

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