DOUTORA ESCREVA PARA MIM DEIXA DISSO.
ESPERANÇA DE AMAR
Esperança nostálgica de amar e ser amado
Minha alma triste se reabriu
Em meio ao despertar florido do campo verde
E às alegrias de maio.
A graça da primavera, por mais sutil que seja,
Sussurra que o amor está por vir,
E, saindo de seu leito gelado, a Natureza tem
As belezas de quem está se recuperando.
A neve das macieiras, como um resquício do inverno
Pó que marca o renascimento dos galhos;
Apenas guardei algumas tristezas brancas
Do mal passado que sofri.
E meu coração tem vinte anos. Não abro mão de nenhuma
das inocências que eu tinha,
e quero permanecer, longe deste mundo perverso,
contemplando a Lua.
Sou ingênuo, e que bom! Pois hoje desfruto
Das alegrias infinitas
De poder ler ainda as jovens litanias
No antigo missal do amor.
Sim! Continuo sendo um abismado por mulheres e rosas
E não tenho o orgulho amargo
Daqueles cuja ironia protegeu a carne
Do calor do arrepio dos lábios rosados.
A outros, a astúcia e as palavras sutis
Dos malabaristas de frases barrocas
Que costuram suas roupas de palhaço e seus trapos
Com a glória de nossas bandeiras!
II
SEUS OLHOS
Seus olhos onde se aninha como um sonho tímido
Seus bons olhos atraíram minha alma enlevada!
Dum azul pastel velho, dum azul de flor molhada,
Pintam olhar de longe, seus bons olhos azuis.
São bons dum céu tempestuoso salpicado por
— Pelo pôr do sol de outono e pelas noites trágicas —
Todo um voo doloroso de longas nuvens negras;
Bons dum céu, sempre em abalo, sempre o mesmo!
E, no entanto, aceito olhos mais gentis
Que gostariam de seguir meus passos com suas tochas,
Mas seu brilho repugna à minha melancolia.
Alguns têm o calor de um céu oriental
Outros, o azul suave das terras distantes da Itália,
Mas os dele são-me prezados céus da minha terra natal!
Georges Rodenbach - Trad. Eric Ponty
POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA

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