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sábado, setembro 19, 2026

QUATRO SONETOS À MEMÓRIA DO MONSENHOR ALMIR AQUINO - ERIC PONTY

 

 

I

 
Jesus tecido, em um presépio jaze,
Na angústia noite de fazer a paz,
Enquanto a Estrela, deslumbrante informe,
Baixa do imenso espaço que o forme.

Maria, contudo, sempre foi conforme,
Ao que Jesus lho confirme: o bem e o mal,
Mesmo quando algo a santa jaz transforme,
Aceita o fardo, na prova crucial.

Observa o filho – o Deus feito um infante,
E embebido com o primor de Dante,
Posta-se, formoso, em suma adoração.

Quando os anjos, quis também pastores,
Com seus bastiões e roupas multicores,
Já que orando ali imensamente que então.

II

A heroica e altiva esposa de Pedro,
ao ver seu vestido manchado de sangue rubro,
com generosa ira se enfurece duro,
ao suspeitar que ele esteja morto e ela viva.

Ela entrega a vida em que repousa a calma
de marido e pai, e com angústia mortal
rejeita a herança concebida na palma,
privando Roma da paz junto com ela.

Se o infeliz fruto que carregava em suas entranhas 
não tivesse sido abortado, façanhas,
a morte de Pedro seria perdoável:

Ó fortuna tirânica! Quem poderia imaginar
que, com o mesmo amor com que a temia,
com esse mesmo amor ele a causasse!

III

A sombra negra de um destino funesto,
repleta de mil horrores e confusões,
em cujo tronco oco ainda hoje ressoa
o eco que, com dor, invoca o nome de Jesus.

Então se cobriu o tapete verde matizado
no qual Romano, apaixonado, abriu a veia
do coração, e Jesus, em sua dor, se fez jus
deu o sinal que ainda hoje espanta o mundo.

Mas, ao ver tanto desdisse-o do Amor
A Morte, então magoada por eles, dor,
uniu seus dois peitos com um laço apertado.

Mas aí da infeliz e que então dessa desgraçada,
que não pode entregar seu peito do seu Jesus,
nem mesmo pelas lâminas afiadas de uma espada!

IV

Senhora Dona Maria, belo esboço esposo,
de tantas flores que contemplam o sol e a lua:
como é que, se já é uma dama, jaze no berço,
e, se é divina, teme a destruição humana?

Se é possível que, exposta ao rigor vago do vento,
tema, humildemente, o desdém da sorte,
mendigando alimento, importunamente,
do humor turvo de um lago lamacento?

Bem sei que a senhora me dirá que perco o seu respeito
com minha prosa mal polida para Nossa Senhora,
Pois, na verdade, encontrei-me em grande apuro;

Que então saiba Vossa Excelência, senhora Rosa,
que não lhe escrevo mais este soneto,
a não ser porque todo poeta aqui tropeça.

 

POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA 

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