Aquela que só comunica com as luzes e janelas mora no 3 andar quando surgirá para mim
Amor minhas entranhas, viva morte,
Em vão espero por tua palavra escrita
E penso, com a nata que se murcha,
Que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal, e a pedra é inerte
Nem conhece a sombra nem por si evita.
Coração interior não necessita
O mel gelado que à lua verte.
Mas eu te sofro, rasgo minhas veias,
E Tigre e pomba, sobre tua cintura
Em duelo de mordiscar e açucenas,
Cheia, pois, de palavras minha loucura.
Deixa ser em minha serena noite
Da alma que é para sempre tão escura.
Em vão espero por tua palavra escrita
E penso, com a nata que se murcha,
Que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal, e a pedra é inerte
Nem conhece a sombra nem por si evita.
Coração interior não necessita
O mel gelado que à lua verte.
Mas eu te sofro, rasgo minhas veias,
E Tigre e pomba, sobre tua cintura
Em duelo de mordiscar e açucenas,
Cheia, pois, de palavras minha loucura.
Deixa ser em minha serena noite
Da alma que é para sempre tão escura.
FEDERICO GARCIA LORCA - TRAD. ERIC PONTY
ericponty@outlook.com

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