Crépuscule
A MADEMOISELLE MARIE LAURENCIN
Envolvida pelas sombras dos mortos
Sobre a grama onde o dia se esvai
A arlequina se despiu
E no lago contempla seu corpo.
Um charlatão crepuscular
Elogia os truques que estão por vir
O céu sem cor está constelado
De astros pálidos como leite.
Sobre os palcos, o arlequim pálido
Cumprimenta primeiro os espectadores:
Bruxos vindos da Boêmia,
Algumas fadas e os encantadores.
Tendo desprendido uma estrela,
Ele a manuseia com o braço estendido
Enquanto, aos pés, um enforcado
Toca os címbalos no compasso.
O cego embala uma bela criança;
corça passa com seus filhotes;
o anão observa com ar triste
O arlequim trismegisto crescer.
ANNIE
Na costa do Texas
Entre Mobile e Galveston há
Um grande jardim repleto de rosas
Ele também abriga uma villa
Que é uma grande rosa
Uma mulher costuma passear
Pelo jardim sozinha
E quando passo pela estrada ladeada por tílias
Nós nos olhamos
Como essa mulher é menonita
Suas roseiras e suas roupas não têm botões
Faltam dois no meu paletó
A senhora e eu seguimos quase o mesmo ritual.
Guillaume Apollinaire - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY - IVO BARROSO
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