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segunda-feira, setembro 14, 2026

Guillaume Apollinaire - Trad. Eric Ponty

 Crépuscule

A MADEMOISELLE MARIE LAURENCIN

Envolvida pelas sombras dos mortos 
Sobre a grama onde o dia se esvai 
A arlequina se despiu 
E no lago contempla seu corpo.

Um charlatão crepuscular 
Elogia os truques que estão por vir 
O céu sem cor está constelado 
De astros pálidos como leite.

Sobre os palcos, o arlequim pálido 
Cumprimenta primeiro os espectadores:
 Bruxos vindos da Boêmia, 
Algumas fadas e os encantadores.

Tendo desprendido uma estrela, 
Ele a manuseia com o braço estendido 
Enquanto, aos pés, um enforcado 
Toca os címbalos no compasso.

O cego embala uma bela criança; 
corça passa com seus filhotes; 
o anão observa com ar triste
O arlequim trismegisto crescer.

ANNIE

Na costa do Texas
Entre Mobile e Galveston há
Um grande jardim repleto de rosas
Ele também abriga uma villa
Que é uma grande rosa
Uma mulher costuma passear
Pelo jardim sozinha
E quando passo pela estrada ladeada por tílias
Nós nos olhamos
Como essa mulher é menonita
Suas roseiras e suas roupas não têm botões
Faltam dois no meu paletó
A senhora e eu seguimos quase o mesmo ritual.

Guillaume Apollinaire - Trad. Eric Ponty

 

ERIC PONTY - IVO BARROSO 


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