A Musa
É Insensatez, Musa, da miséria e rezado,
Diluir nossas camas trançadas nosso cerne.
E, qual luz filial, devoramos remanso lardo,
Quais os andrajos perdem comer restos carne.
Nossas carnes são pertinazes, em pensar;
Oferecer francos nossos votos fé crivos
E retornam alegres mensagens de pesar,
Em pensar lamúrias irão cravar os laivos.
Barqueiro infernal herdado Gil dos internos,
Don Sebastião, acalma nossa alma cativa,
É tudo sinal mais raro de nosso anseio ativa
Sublimados por trevas herméticas ternas.
Real o louvor compor todas as nossas rodas!
Grosso objeto abjeto, vemos traçar carnal;
Em Poente dia estamos traço adiante infernal,
Louvor ao bulir meio luar podres hordas.
Sendo um libertino negro foi trepar e beijar,
O triste e aflito ventre duma velha Santa aleijar
Praticarmos prazer furtivo quando passar,
Da viúva já doída cingimos rodear cona abusar.
Ao mármore, formigar, qual milhão verves arrebóis,
Nos Túmulos dessa nação infernal nossos heróis,
Quando contemplamos, visão flui nossos pulmões,
Sorção oculto rito se arrastam em laivas mãos,
Sem falar, ou se ardor crime, incesto, estupro
Ainda não adornamos nosso bom plano escopro,
Gesto banal de nossos destinos deploráveis,
É só nossa calma não tem esta seiva criveis.
Mas tal todas mortais, esferas, maldizes,
Quilombos, qual escorpiões, açudes crentes,
Uivam, gritam, berram, batem protestam, fins
Daquelas infames reuniões desses entes.
Sendo criatura apenas é mais pulha e falsa!
Apesar não fazer bons modos, nem chãos cristos,
Sendo voluntaria varreria a terra que alça
E um bocejo entalado em todo imerso rito;
Essa é Crença! - Olhares cheios choros rezados,
Pelos sermões, enquanto prega pia d’água rezas.
Musa, tu também julgas mostrar meigos lábios:
- Musa hipócrita, - Ó cúmplice, és meu incesto!
MANDIGA
Quando, após um decreto dos gestos das blasfêmias,
O Judeu é trazido adiante neste vulto árduo,
Sua mãe aterrorizada e cheia de fogos fátuos,
Ergue punhal cerra a Deus, que compadece fêmea:
- Ah! Seria eu gerado um nó inteiro de víboras
Em vez de ter comido vulto objeto ridículo!
Maldita seja à noite que fiz alegria efêmera
Quando do meu ventre armou o meu espetáculo.
Dentre todas as mulheres vis me escolheste
Para ser sua repugnante ao meu ser de efígie,
Desde não posso lançar vulva deformada
chamas, qual uma velha carta d´amor queimada.
Indo vomitar o ódio com qual me esmaga ventre,
Sobre o órgão sinistro de maldade risível,
E torcer tão árduo que desta árvore miserável
Que não pode pôr seus botões cus entre.
Assim, mãe engoliu a espuma da verve ódio,
E não compreendendo os projetos eternos,
Sendo própria prepara fundo ventre terno
A pira reservada aos crimes de uma mãe.
No entanto, protegido por um Anjo invisível,
A criança proscrita é encantada pelo sol,
Em tudo o que come, tudo o que bebe crível,
Ele acha ambrosia doce e néctar encarnado.
A cabriola com vento, conversas com nuvens,
E cantar, transportado, segue a porta da cruz;
E o Anjo que o segue em odisseia margens,
Chora vê-lo despreocupado qual ave reluz.
Todos aqueles amavam assisti-lo o credo,
Ou, encorajado pela sua tranquilidade,
Ousada prova de torcer gemido enredo,
E testar sobre ele sua desumanidade.
Com o pão e cicuta destinados à sua boca
Eles misturam essas cinzas e os salpicos,
E, hipócritas, dizem mal o que ele toca
Sentem réus se pisarem vultos seus picos.
Seu consorte vai sobre os mercados gritar
Flama: "Desde me considera justa a adorar,
Vou imitar os ídolos da antiguidade,
E eu quero ser ente Dourada deidade;
Vou ficar ébrio nardo, incenso, mirra, mijo,
E com genuflexões, tais vinhos licores,
A ver se, eu sorrindo, possa usurpar rijo,
Em imo admirado ao preito devido horrores!
Quando me cansar piadas impiedosas ruas,
Deixarei sobre ele a minha mão forte e crua;
E minhas unhas, feito garras de harpias limo,
Indo cortar uma passagem direto seu imo.
Esse imo que vibrar numa ave qual cova
Rasgar, todos sangrentos, de seu peito nodoa,
E do desdém, eu vou atirá-lo no pó cova,
Ao saciar fome de meu cão favorito doa!
Aos céus, onde seu olho vê um trono radiante,
Pio, o Judeu, sereno, ergue os laços braços,
Brilho faiscante de seu vulto sarado diante,
Esconder sua vista a multidão curiosa traços:
Gabando a Ti, ó Deus, nos envia sentimento,
Qual remédio divino das nossas certezas
Ao melhor da mais pura essência discernimento
Preparar os fortes aos êxtases santas rezas!
Eu sei que tu reservas um lugar ao judeu,
Dentro fileiras bentas das lenhas regiões,
Tu o convides pra queima materna que deu,
Dos Tronos, Virtudes e das Dominações.
Sei que tal sofrimento é a única nobreza
Que fera ao inferno nunca estão pra beleza,
Isso a tecer-me fria minha coroa mística,
Ao tributar cada idade e cada universo físico.
Mas as joias perdidas da antiga Judeia,
Metais sem fundamento, as pérolas da ideia,
Marcante por sua própria mão, não seria certo
Pra esse diadema esplendor deslumbre perto.
É coroa será feita do nada além luz pura
Tirados do monte bento de raios primitivos,
Olhares mortais, em mais findo brilho fura,
Não são mais manchados, ferais desses divos!
ERIC PONTY
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