Pesquisar este blog

segunda-feira, abril 06, 2026

Sibilas de Samira - Eric Ponty - (EXTRATOS) - REVISADO - 2007

P/Samira Agostine 

 onde deixaste a tua voz 
macia de capim e veludo 
semeada de estrelas 
  
Ana Paula Ribeiro Tavares - Angola  

Amor, encontrar esses olhos, 
sedutores de outras terras, 
sussurros do deserto 
pronúncia de Saara 
a boca fluente água 
me alimenta, e, ainda  
lápida minha fala. 
 
Amor, 
te encontrar esses olhos, 
ainda chegará esse dia, que sós, 
sós viremos nos perguntar: 
 
De qual Paradiso, poeta e esposa, 
foram tão bem esculpidos 
não se percebe-se o abatido, 
não há musa, apenas complemento, 
homem e mulher sem intervalos 
ressoado gozo, 
o vôo dos pássaros. 

 
Amor, 
te encontrar esses olhos, 
mistério de sulamita, cabelos loiros, 
o corpo de curvas densas 
conduzidas linhas da curvatura 
retira do meu centro na intensa luta  
contra os sentidos interiores 
a qual mulher sempre término  
enfim de joelhos.  

Sibilas de Samira III ou Paráfrase da Lira XXII de Gonzaga

Transvertido de Gonzaga adentro o poema
a celebrá-la lira ante aos homens ocos 
comporei brancura da face de leite puro 
exaltarei olhos e nenhuma luz aplaca, 
os seios pães mais frescos da padaria, 
o singular peça de ar das mandonas: 
 
Muito embora, Samira, muito embora,
outra madona, que não tenha essa tez, 
traços do nascimento Vênus, a sua face 
              silencia a amarga palavra. 
 
As paredes da sua sala,
Não lhe fazem jus tal é a espessura infinita; 
Pendam pobres cortinas, penda a lâmpada 
                 do teto inútil não a aclara.  
 
Não habita qualquer sofisticação, 
Nem está alienada a moda dessa passagem; 
Porém terá a mim que discorra, que te vide, 
        componha o poema à existência. 
 
O tempo não respeita a desejos da moda; 
E da pálida morte a mão tirana a lume 
Fazendo perder um a um desses atributos, 
                Que instantes foram eternos na urbe. 
 
Quantas modas, Samira, padeceram na aurora, 
Essa luta sempre se mostrou inútil e inglória! 
Só podendo conservar um nome eterno 
O seu, assinalando novas esperanças 
         Nem mesmo o rude pássaro se ufana. 
 
Se não houvesse Tasso, nem Petrarca, 
Por mais que qualquer delas fosse linda, 
 
Não saberiam o mundo, se duraram 
Nem Laura, nem Clarinda, nem Marília  
Nenhuma possuía unos atributos Samira. 
 
É melhor, minha Bela, eu me emudecer. 
Pode algum deus lendo-me a vide e a almeje. 
Não sabem nada os homens se ufanam 
Os cabelos, as vestes, os títulos, a riqueza 
        irão então fenecer  pela aurora tardia.

ERIC PONTY 

  

 POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA  

Nenhum comentário: