Enquanto a Abastança estiolava, armada
Qualquer espera afável de alegria,
A lufa do anexim amoroso deu um anseio
De escrever prazeres e suas dores:
Mas Amor, aterrado em perspectiva
que minha grafia lhe então saísse em cálculo
que ele nunca evitou, emaranhar dor
sombria em meu gênio, nunca possa astúcia.
Ó vós, quem coação Amor podeis conter
A anseios tão várias! Ao lerdes sobre isso...
Preso em único livrinho, tão vários;
(Todos são certos, fatos sem defeito)
Aprendei que, conforme o amor que tendes,
Assim tereis aviso do meu verso.
II
Todos dóceis pousavam paz meio-dia;
Só Liso não sentia o brilho meio-dia;
Pois seu alívio do tormento amoroso
Residia a ninfa ele catava acalmar mal:
Fazia cada cume ao cerro tremesse:
Tristes queixas de sua dor lancinante;
Mas peito duro nunca à vista dó,
Cativo voluntário de outra vontade.
Cá, exausto andada sob sombra frondosa,
Nome a noção, bem fundo em tronco em faia,
Gravou as palavras que contavam disgra: —
Algo não aceito, nascido não sei onde,
Um mal que me mata sem se mostrar,
Vem porque não sei, dores não sei como.
Qualquer espera afável de alegria,
A lufa do anexim amoroso deu um anseio
De escrever prazeres e suas dores:
Mas Amor, aterrado em perspectiva
que minha grafia lhe então saísse em cálculo
que ele nunca evitou, emaranhar dor
sombria em meu gênio, nunca possa astúcia.
Ó vós, quem coação Amor podeis conter
A anseios tão várias! Ao lerdes sobre isso...
Preso em único livrinho, tão vários;
(Todos são certos, fatos sem defeito)
Aprendei que, conforme o amor que tendes,
Assim tereis aviso do meu verso.
II
Todos dóceis pousavam paz meio-dia;
Só Liso não sentia o brilho meio-dia;
Pois seu alívio do tormento amoroso
Residia a ninfa ele catava acalmar mal:
Fazia cada cume ao cerro tremesse:
Tristes queixas de sua dor lancinante;
Mas peito duro nunca à vista dó,
Cativo voluntário de outra vontade.
Cá, exausto andada sob sombra frondosa,
Nome a noção, bem fundo em tronco em faia,
Gravou as palavras que contavam disgra: —
Algo não aceito, nascido não sei onde,
Um mal que me mata sem se mostrar,
Vem porque não sei, dores não sei como.
III
Enquanto a sorte quis que isso fosse dado,
De alguma espera grata de aleluia,
Lufada do pensamento amoroso
Deitar papel aleluias, dor de escrever:
Mas Amor, terror com facultar
meu Mando o arguisse pelo juízo, ele nunca
rejeitou, Génio fundiu dores sombrias,
Por isso, nunca conto a vida em teu truque.
Ó vós, quem coação amor possais conter,
De outras Vontades! Vários! Quando leres
Que sobre eles juntos casos só livro.
Sejam todos certos, fatos sem falhas...
Saiba, na medida em que tem desse Amor,
Eis, a história por trás deste meu verso!
Enquanto a sorte quis que isso fosse dado,
De alguma espera grata de aleluia,
Lufada do pensamento amoroso
Deitar papel aleluias, dor de escrever:
Mas Amor, terror com facultar
meu Mando o arguisse pelo juízo, ele nunca
rejeitou, Génio fundiu dores sombrias,
Por isso, nunca conto a vida em teu truque.
Ó vós, quem coação amor possais conter,
De outras Vontades! Vários! Quando leres
Que sobre eles juntos casos só livro.
Sejam todos certos, fatos sem falhas...
Saiba, na medida em que tem desse Amor,
Eis, a história por trás deste meu verso!
IV
Enquanto quis abastar-se fala sem
Em gestos vãos de algum contentamento,
O gesto delicado Pensamento
Me fez que seus efeitos escrevessem.
Porém, dizendo Amor que alerta dessem
Minha escritura a alguma chama isenta,
Escureceu-me a ciência co tormento,
Para que seus enganos não dissessem.
Ó vós, que chama obriga a ser dos jeitos
De diversas Vontades! Quando derdes
Num breve traço contos tão de versos,
Imagens puras são, e não de feitos...
Sabei que, segundo a chama tiverdes,
Tereis o engenho fúcsia em meus versos!
Enquanto quis abastar-se fala sem
Em gestos vãos de algum contentamento,
O gesto delicado Pensamento
Me fez que seus efeitos escrevessem.
Porém, dizendo Amor que alerta dessem
Minha escritura a alguma chama isenta,
Escureceu-me a ciência co tormento,
Para que seus enganos não dissessem.
Ó vós, que chama obriga a ser dos jeitos
De diversas Vontades! Quando derdes
Num breve traço contos tão de versos,
Imagens puras são, e não de feitos...
Sabei que, segundo a chama tiverdes,
Tereis o engenho fúcsia em meus versos!
V
Mil vezes comove meu Pensamento
De louvar o alvo rosto cristalino,
A trança dos velos é de ouro fino,
Tão claro e mais que humano entendimento;
Que, com leve e suave movimento,
Pudera conter um peito diamantino,
De Graça senhoril, do Ar divino,
Qual de honesto esplendor, o doce acento:
As moças qu’entre neve semeais,
São pérolas seletivas orientais
Que antre bosques demostrais doce risco.
Que dessa luz, olhares derramais,
São do doce resplendor do Paraíso
E se o demonstrais e dais com claro risco.
Mil vezes comove meu Pensamento
De louvar o alvo rosto cristalino,
A trança dos velos é de ouro fino,
Tão claro e mais que humano entendimento;
Que, com leve e suave movimento,
Pudera conter um peito diamantino,
De Graça senhoril, do Ar divino,
Qual de honesto esplendor, o doce acento:
As moças qu’entre neve semeais,
São pérolas seletivas orientais
Que antre bosques demostrais doce risco.
Que dessa luz, olhares derramais,
São do doce resplendor do Paraíso
E se o demonstrais e dais com claro risco.
ERIC PONTY
POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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