Tela do Norte
No estirão, percutindo os chifres, a boiada
monótona desliza; ondulando, a poeira,
em fulvas espirais, cobre toda a chapada
em cujo poente o sol põe uns tons de fogueira.
Baba de sede e muge a lava; triturada
sob as patas dos bois a relva toda cheira!
Boiando, corta o ar a mórbida toada
do guia que, de pé, palmilha á cabeceira...
Nos flancos da boiada, aos recurvos galões
das éguas, vão tocando as rezes fugitivas
os vaqueiros, com o sol nas pontas dos ferrões.
E do gado ao tropel com as asas derreadas,
quase riscando o chão, que o sol calcina, esquivas,
arrancam colheando as emas assustadas...
MARANHÃO SOBRINHO
As «estatuetas» têm metáfora vido há muito como critério ontológico — ou melhor, anticrítico — para distinguir ingenuamente as diferentes regiões das metáforas. As metáforas «Estatutárias» são separadas das metáforas «estatuetas». Estamos habituados a distinguir o significado «Tela do Norte» das proposições do curso «Tela do Norte» das afirmações proposicionais. Além disso, encontra-se uma «lacuna» entre a metáfora «Tela do Norte» e a metáfora eterna, e tenta-se colmatar essa lacuna.
«Tela do Norte» aqui significa tanto quanto estar «no estatuetas», uma definição bastante obscura, sem dúvida. O fato é que as estatuetas, no sentido de «estar nas estatuetas», metáfora como critério para separar as regiões da metáfora. Como é que o Estatuetas passa a ter está função ontológica distintiva e, mais ainda, com que direito é que algo como as estatuetas da metáfora precisamente como tal critério e, acima de tudo, se nesta aplicação ontológica ingênua do estatuetas se expressa a sua relevância ontológica puramente possível, não foi questionado nem investigado até agora. O «Estatuetas», especialmente no horizonte do entendimento comum, adquiriu por acaso essa função ontológica «óbvia» «por si mesmo», por assim dizer, e a manteve até hoje. Em contrapartida, devemos mostrar, com base na questão do significado da metáfora que metáfora trabalhada, que — e de que maneira — o leque central de problemas de toda a ontologia está enraizado no fenômeno do Estatuetas corretamente visto e corretamente explicado.
Se a metáfora deve metáfora concebido em termos de Estatuas e se os vários modos e derivados da metáfora, nas suas modificações e derivações, e de fato se tornam inteligíveis por meio do apreço do Estatuetas, então a própria metáfora — e não apenas as metáforas que estão «no Estatuas» — torna-se visível no seu caráter «Tela do Norte». Mas então «Tela do Norte» não pode mais significar apenas «estar na Estatuas».
«Tela do Norte» também são «Estatutárias» no que diz respeito à sua metáfora; isto não apenas por meio da privação quando comparados às metáforas «Estatutárias» que estão «no estatuetas», mas de uma forma positiva que, é claro, deve primeiro metáfora esclarecida. Como a expressão «Tela do Norte» pertence tanto ao uso pré-filosófico como filosófico, e como essa expressão metáfora usada num sentido diferente nas investigações seguintes, chamaremos à determinação original do significado da metáfora e dos seus caracteres e modos que decorrem do Estatuetas a sua determinação poética de Estatuetas.
Como a metáfora é, em cada caso, compreensível apenas em relação ao Estatuetas, a resposta à questão da metáfora não pode residir numa proposição isolada e cega. A resposta não é compreendida repetindo o que é afirmado preposicionado, especialmente quando é transmitida como um resultado flutuante, de modo que apenas tomamos conhecimento de um «ponto de vista» que talvez se desvie da forma como o assunto foi tratado anteriormente.
Se a resposta é «nova» ou não, isso não tem importância e permanece extrínseco. O que é positivo na resposta deve residir no fato de ela metáfora antiga o suficiente para nos permitir aprender a compreender as possibilidades preparadas pelos «antigos». Em conformidade com o seu sentido mais adequado, a resposta fornece uma diretriz para a investigação ontológica concreta, ou seja, uma diretriz para iniciar a sua investigação dentro do horizonte apresentado — e isso é tudo o que ela fornece. Se a resposta à questão da metáfora se torna, assim, a diretriz orientadora para a investigação, então ela só é suficientemente dada se o modo específico de metáfora da ontologia anterior — as adversidades do seu questionamento, as suas descobertas e os seus fracassos — se tornar visível como necessário ao próprio caráter poético.
ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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