11
Deixe o véu para o sol ou para a sombra,
Mulher, eu não a vi desde que aceitou em mim,
que afastou de meu coração qualquer outro desejo.
Enquanto eu levava os belos pensamentos ocultos.
Que deixaram minha mente morta de desejo,
vi adornar teu rosto com piedade;
mas depois que o Amor me fez perceber,
tirou os cabelos loiros então velados.
E o olhar amoroso recolhido em si.
O que mais eu desejava-me foi tirado,
se o véu me governa que pela minha morte.
E pelo calor e pelo gelo dá doce luz
Dos teus belos olhos ofuscar-se na lembrança,
Que carrego nos olhares dessas sombras.
12
Se minha vida, do amargo tormento,
pode tanto se proteger, e das aflições,
que eu vejo pela virtude dos últimos anos,
Mulher, que a luz dos teus belos olhos se abrande.
E os cabelos dourados se tornem prateados,
e deixem as guirlandas e os tecidos verdes,
e o rosto descolorido que, em meus danos,
Me torna temeroso e lento ao lamentar,
Ainda assim o Amor me dará tanta ousadia
que eu lhe revelarei dos meus martírios
onde foram os anos, e os dias, e as horas;
E se o tempo é contrário aos belos desejos,
Não será que pelo menos chegue ao meu redor
De algum socorro de suspiros tardios.
Francesco Petrarca - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
Nenhum comentário:
Postar um comentário