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sábado, janeiro 17, 2026

Imagens-Signos & Outros Poemas - Eric Ponty

 https://clubedeautores.com.br/livro/imagens-signos-outros-poemas

A imposição empírica da linguagem ao encontrar resistência no campo do simbólico antecipa-se à tecnologia e o registro virtual, a saber o acontecimento, de maneira a incrementar o imaginário, i.e a diferença, que a linguagem poética desenvolve, colocando-se o leitor frente à divisão progressiva entre o saber e o fazer, o conhecimento e a técnica. 
 
O fascínio que a imagem exerce sobre o espectador diante do espelho, diante da imagem transformada em realidade, é o mesmo que a metáfora exerce ao abarcar o universo da subjetividade transformada agora em "paisagem sem órgão", segundo a expressão de Gilles Deleuze. A relação entre o sujeito e a imagem é uma relação de consciência e sentido, cujo distanciamento tem a aproximá-los unicamente a imagem. A Razão experimenta naturalmente um interesse especulativo; e experimenta-o pelos objetos que são essencialmente contidos à faculdade de conhecer sob a sua forma superior, segundo Gilles Deleuze sobre Kant.

Tal desdobramento linguístico mantém o fascínio que a poesia de Eric Ponty desencadeia ao associar a imagens com o sentido de homenagens dirigidas em última instância a pintores e poetas que recria ou traduz como Rilke ou Yeats.

O ato seco (...) de um grito, sombra de nós, memória do que somos e se desfaz nos gestos que findam (...) como o degredado em solo árido, - é sempre uma tentativa de captura do eco que se impõe diante de uma galeria de imagens-signos, que Eric Ponty homenageia, recorrendo ao espelho, fascinado diante do que vê.

 Não admite a fuga, como o herói diante das réstias do dia. 

Foed Castro Chamma – Poeta, escritor e tradutor. Transmutação da Pedra (Grande Prêmio de Poesia da 2*Bienal Nestlé de Literatura Brasileira) – Publicou O Poder da Palavra, em 1959; Labirinto em 1967; Ir a ti, em 1969. Em 1971, reuniu os três livros sob o título geral de Andarilho e a aurora para uma coedição com o convenio do MEC. Sons de Ferraria. Como tradutor: Mickiewicz Poemas (tradução) Epigramas Latinos Paráfrases e Navio Fantasma foram publicados em 1998.Bucólicas de Virgílio. Escreveu também Filosofia da Arte em 2000.

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