Foi o pior cruzamento da minha viagem:
Lá, do abismo, chamas venenosas lambiam.
Aqui, os distritos evitados do nojo, onde
Eu me enchia de tudo o que se elogiava e praticava.
Eles riam dos seus deuses e eu dos meus.
Onde está o seu poeta, povo pobre e ostentoso?
Nenhum está aqui: este vive exilado
E aquele já sente o frio soprando em sua cabeça confusa.
Então, do Oeste, ouviu-se um chamado... assim soou
O elogio do ancestral à sua para sempre jovem
Terra dadivosa, cuja fama o fazia brilhar
E a indigência também o fazia chorar longe da mãe
Estranha, ignorada e perseguida...
Um murmúrio saudou o herdeiro qual um convite
À amabilidade e à fartura das planícies
Do Maas e do Marne, que se estendiam sob a luz da primavera.
E na alegre e graciosa cidade dos jardins
Charme melancólico. Nas torres iluminadas pela noite
Abóbadas encantadas me envolviam na juventude
No turbilhão de todas as coisas que me eram caras -
Lá, heróis e cantores protegiam o segredo:
VILLIERS Alto o suficiente para um trono.
VERLAINE Na queda e no pesar, devoto e infantil
E sangrando por sua imagem mental: MALLARMÉ.
Que os sonhos e a distância nos fortaleçam como alento -
O ar que respiramos só o vivo traz.
Por isso agradeço aos amigos que ainda cantam lá
E aos pais que conduzi ao jazigo...
Quantas vezes ainda, tarde, já ganhei terreno,
Lutando em minha terra sombria e com a vitória
Ainda incerta, sussurrando novas forças:
RETURNENT FRANC EN FRANCE DULCE TERRE.
Stefan George - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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