Imitação de Nossa Senhora da Lua
UMA PALAVRA AO SOL
Sol! Soldado coberto de ordens e cuspidelas,
Planeador mal-educado, saiba que as Vestais
Para quem a Lua, com teu olho ambíguo de felino,
É de tão rosácea desta cuja Única Catedral,
Saiba que os Pierrôs, falenas dos dólmenes
E dos nenúfares brancos dos lagos onde dorme Gomorra,
E todos os bem-aventurados que pastam no Éden
Sempre primaveril das renúncias, - te abominam.
E que eles guardem para ti um desprezo especial,
Bellatre, Maquignon, Ruffian, Rastaquouère
Com teus pingentes de ouro, que o consideram
Tão superior com a terra e tua órfã lunar.
Continue a fornecer pores-do-sol embriagados
Os dias seguintes vomitados das festas nacionais,
A estilizar suas estações, a nos desencadear bem
Estes dramas desta Apoteose Umbilical!
Vá, Febo! Mas, Deva, deus dos Despertares rebeldes,
Olhe um pouco para este Port-Royal de estetas
Que, em teus decamerões lunares ao fresco,
Não falam menos do que botar preço sobre tua cabeça.
É verdade que ainda tens dias felizes pela frente;
Mas a tribo cresce, com essas velhas práticas
Do A quor BON? que vão revelar a arte e o amor
Neste limiar tão distante do Agregado inorgânico.
Por hoje, meu velho amigo, vamos nos contentar
Em assentar sob o nariz da tua Badauderie a palavra
Que o Homem já marcou nesta tua fronte;
Aposto que nunca imaginou isso, não é mesmo?
-Saiba que se diz com uma bela frase de tom
Sonoro, mas muito ruim como seiva medular,
De todo discurso vazio, enfim: é páthos,
É da FEBOS! - Ah! Não há precisão de escólios...
Ó Visão do tempo, em que o ser por demasiado punido,
De um: Ei! Vá, Phobos! Te farás engolir teu sermão
Do velho ditado de Crescite e multiplicami,
Para se inocular para sempre a Lua fresca!
JULES LAFORQUE - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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