Pesquisar este blog

terça-feira, outubro 28, 2025

DOIS POEMAS - VICTOR HUGO - TRAD. ERIC PONTY

 A Coruja


E vi acima da minha cabeça um ponto preto.
E esse ponto preto parecia uma mosca na sombra.
E nada tinha limites e nada tinha número; 
E tudo se confundia com tudo; o Norte
E a noite formavam um único turbilhão. 
Algumas formas sem nome, larvas exaustas
Ou sopros negros, passavam nas nuvens surdas; 
E todo o resto estava imóvel e velado.
Então, subindo, subindo, subindo, voei em direção
àquele ponto que parecia recuar na névoa, pois é lei
do ser em quem o espírito se acende ir em direção ao
que foge e ao que se cala.
Ora, o que eu havia tomado por uma mosca era
uma coruja, triste, fria, sombria, e de sua pupila
Caía menos luz do dia do que da noite de suas asas. [...]

1º de janeiro de 


Quando criança, dirão mais tarde que o avô o adorava; 
que ele fez o melhor que pôde na Terra, 
que teve pouca alegria e muitos invejosos, 
que na época em que era pequeno ele já era velho, 
que não tinha palavras rudes nem ares taciturnos, 
e que ele os deixou na estação das rosas; 
Que ele morreu, que era um homem clemente; 
Que, no famoso inverno do grande bombardeio, 
Ele atravessava Paris trágica e cheia de espadas, 
Para lhes trazer montes de brinquedos, bonecas, 
E marionetes fazendo mil gestos engraçados; 
E vocês ficarão pensativos sob as árvores profundas.

 1º de janeiro de 1871

 

     ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA 

Nenhum comentário: