A Coruja
E vi acima da minha cabeça um ponto preto.
E esse ponto preto parecia uma mosca na sombra.
E nada tinha limites e nada tinha número;
E tudo se confundia com tudo; o Norte
E a noite formavam um único turbilhão.
Algumas formas sem nome, larvas exaustas
Ou sopros negros, passavam nas nuvens surdas;
E todo o resto estava imóvel e velado.
Então, subindo, subindo, subindo, voei em direção
àquele ponto que parecia recuar na névoa, pois é lei
do ser em quem o espírito se acende ir em direção ao
que foge e ao que se cala.
Ora, o que eu havia tomado por uma mosca era
uma coruja, triste, fria, sombria, e de sua pupila
Caía menos luz do dia do que da noite de suas asas. [...]
1º de janeiro de
Quando criança, dirão mais tarde que o avô o adorava;
que ele fez o melhor que pôde na Terra,
que teve pouca alegria e muitos invejosos,
que na época em que era pequeno ele já era velho,
que não tinha palavras rudes nem ares taciturnos,
e que ele os deixou na estação das rosas;
Que ele morreu, que era um homem clemente;
Que, no famoso inverno do grande bombardeio,
Ele atravessava Paris trágica e cheia de espadas,
Para lhes trazer montes de brinquedos, bonecas,
E marionetes fazendo mil gestos engraçados;
E vocês ficarão pensativos sob as árvores profundas.
1º de janeiro de 1871
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA
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