Eu sempre vou de portão em portão,
chuvoso e queimado;
de uma só vez coloco minha orelha direita
em minha mão direita.
Então minha voz me parece
como se eu nunca a tivesse versado.
Então não tenho certeza de quem está gritando,
eu ou outra pessoa.
Estou gritando por um pouco de algo.
Os poetas gritam por mais.
E afinal fecho meu rosto
com os dois olhos fechados;
enquanto ele repousa em minha mão com seu peso,
quase parece um descanso.
Para que não pensem que não o fiz,
onde coloquei minha cabeça.
RAINER MARIA RILKE - TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA TRADUTOR LIBRETTIST
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