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Surgiu uma árvore. Oh, pura transcursão!Oh, Orfeu canta! Oh, árvore alta no ouvido
E tudo ficou quieto. Mas mesmo nessa suspensão
novos começos, sinais e mudanças aconteceram.
Animais do silêncio, do bosque
da floresta agora aberta, saíram do ninho e da toca;
E aconteceu que, não por medo
nem por medo, nem por astúcia, estavam tão calados,
mas para estarem a ouvir. Uivos, gritos, rugidos
parecia pouco para os seus corações. Onde mal havia uma
humilde
cabana para tal recessão foi antes,
um esconderijo do mais obscuro anseio,
com um poço de entrada cujos alicerces tremem,
que fizeste para os templos das bestas na audição.
II
Ela era quase uma rapariga e saltou
dessa alegria alegre da canção e da lira,
brilhando por meio dos seus véus primaveris e claros,
fez uma cama no meu ouvido. E dormiu
em mim. O seu sono era tudo. As árvores
que eu sempre amei tanto, e essas
distâncias palpáveis, o campo que eu sentia,
e cada espanto que me acontecia.
Ela dormiu o mundo. Ah, Deus cantor, como é que
a aperfeiçoaste tanto que ela não desejou
de acordar primeiro? Ela levantou-se e adormeceu.
Onde está a sua morte? Antes que a tua canção se perca,
não consegues encontrar este motivo? Para que profundezas
ela afunda-se de mim - onde? ... Uma rapariga
quase . . .
Rainer Maria Rilke - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA
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