em que o rapaz se sentava, bem oculto da vista.
E quando a mãe entrou, como num sonho,
um copo tremia no armário silencioso.
Ela sentiu que o quarto a traía,
e beijou o rapaz: "Oh, estás aqui? ..."
Depois, ambos olharam com medo para o piano,
porque algumas noites ela tocava uma canção para infância
em que se viu estranhamente apanhado.
Ficou muito quieto. O seu grande olhar pousou
na mão dela, pesada pelo anel,
como se estivesse a lutar na neve seca
passando por cima das teclas brancas.
II
Senhor: está na hora. O verão foi tão imenso.
Põe a tua sombra sobre os relógios de sol,
e solta o vento nos campos.
Esperar que os últimos frutos estejam cheios;
Deem-lhes mais dois dias de sul,
pressionai-os até à maturação, e persegui
a última doçura no vinho pesado
Quem não tem casa agora, não a construirá mais.
Quem está sozinho agora, jazerá assim por muito tempo,
ficarão acordados, lerão, escreverão longas cartas,
e vaguear pelas avenidas, para cima e para baixo,
sem descanso, enquanto as folhas estão a soprar.
Rainer Maria Rilke - Trad. Eric Ponty
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA
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