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quinta-feira, agosto 17, 2023

CONTEÚDO DAS FLORES DE CASTANHEIRO DA ÍNDIA - Marquês de Sade - TRAD. ERIC PONTY

Ao longo dos séculos, os títulos de alguns livros tornaram-se, mas apenas alguns autores deram o seu nome a substantivos, adjetivos nomes a substantivos, e advérbios em várias línguas, termos para os quais não existe um equivalente simples ou uma alternativa. O Marquês de Sade, que viveu de 1740 a 1814, foi um desses escritores. Tornou-se Comte com a morte do seu pai em 1767, mas sempre foi conhecido na sua França natal e fora dela pelo seu título anterior. As suas principais obras foram escritas, e algumas delas publicadas, entre as décadas de 1780 e 1800, enquanto muitas outras, incluindo as suas cartas, só chegaram ao público depois da sua morte, em alguns casos, só foram descobertas no século XX.

O grupo de palavras a que deu o seu nome tem necessitou de explicações que vão para além da etimologia. Infame pelos seus crimes e pelo carácter dos seus escritos", diz o Shorter Oxford Dictionary (1973), acrescentando que a palavra "sadismo" foi usada pela primeira vez em 1888 e significa "uma forma de perversão sexual marcada por um amor pela crueldade". O Chambers 20th Century Dictionary (1983) regista que Sade morreu louco, um fato contestado por Escolares biógrafos, ainda que, depois de muitos anos de prisão, tenha passado os seus últimos onze anos no manicómio de Charenton, a poucos quilómetros de Paris.

Era visto apenas como um pervertido sexual, inominável na sociedade civilizada, um escritor de obscenidades que excediam mesmo as que estavam na moda no seu tempo. O seu trabalho era útil para alguns editores e livreiros sem escrúpulos, que se compraziam em ganhar dinheiro vendendo em segredo os seus livros "proibidos". Quando, o poeta Guillaume Apollinaire, no início do século XX, também tentou ganhar dinheiro escrevendo romances eróticos, estudou Sade e escreveu sobre ele, salvando-o de uma vida sombria como mera pornografia. Apollinaire continua a ser um dos seus intérpretes mais perceptivos.

Ao olhar para além dos catálogos de perversões e crimes nos livros mais conhecidos de Sade, o poeta apercebeu-se que se tratava de um dos escritores mais incompreendidos do século XVIII, condenado por críticos que não o viram num contexto social, psicológico e político.

O CONTEÚDO DAS FLORES DE CASTANHEIRO DA ÍNDIA

É ALGUMAS VEZES, eu não o atestaria, mas alguns sábios que a flor do castanheiro-da-índia tem, de fato, o mesmo cheiro que a abundante semente que a natureza quis colocar nos ventres dos homens para a reprodução da sua espécie.

Uma donzela de cerca de quinze anos, que nunca tinha saído de nunca tinha saído de casa do pai, passeava um dia com a mãe e um Abade sofisticado, por uma avenida de castanheiros cujas flores enchiam o ar com o perfume que acabámos de descrever.
Oh, meu Deus, mãe, que cheiro tão estranho", disse a donzela, sem perceber de onde vinha... 'o que é isso?
São um cheiro que eu conheço".
'Está calada, mademoiselle, não faça comentários desse género peço-lhe. 
Mas porque não, mãe, não vejo o que há de errado em dizer que já o cheirei antes e que o tenho mesmo.
Mas, mademoiselle - - - -
"Mas, mãe, eu reconheço-o, a sério que sim; Monsieur Abade, diga-me, por favor, o que há de errado em eu dizer à minha mãe que reconheço esse cheiro?
Mademoiselle", disse o Abade, ajeitando o jabot e falando em voz alta, "Não há certamente nada de muito, mas estamos a caminhar debaixo de castanheiros-da-índia e nós, botânicos, admitimos que as flores de castanheiro-da-índia...
Bem, flores de castanheiro-da-índia ...?'
"Bem, mademoiselle, elas cheiram a coragem.

Marquês de Sade
ERIC PONTY-POETA-MESTRE-TRADUTOR-LIBRETISTA

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