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sexta-feira, abril 21, 2023

PIERROT LUNAIRE - ALBERT GIRAUD - TRAD. ERIC PONTY

TEATRO

Sonhando qual com um Teatro de câmara,
De cujas persianas Breughel pintar,
Shakspeare, em palácios tão pálidos,
E Watteau, são cores dos fundos âmbar.

Nas noites mais frias deste dezembro,
Acalmando dos meus dedos roxos,
sonhando qual com um teatro de câmara,
Em cujas persianas Breughel pintar.

De acendido pelo gengibre telas,
Que veria os tais dos Esquilos Feiosos...
Usar seus bezerros emaciados,
Para à Columbina, que se arcou.
Sonhando qual um teatro de câmara.

DECOR

As grandes aves de púrpura e douro,
Sendo àquelas pedras de bater roupas,
Breughel as punha ao chão, em seu encanto,
Sobre tais árvores azuis do conjunto.

Vibram, em sua ampla ascensão
Lançarem numa sombra sobre os prados,
As grandes aves de púrpura e douro,
Sendo àquelas pedras quais baterem roupas.

O sol perfura com tal esforço
De gemas amarelas dessa ourivesaria
O verde azulado das ramagens floridas,
E à luz está ficar mais viva o tempo todo.
Nas grandes aves de púrpura e douro.

PIERROT DANDY

Dum feixe de lua caprichoso
Dos Frascos de cristais cintilantes
Sobre a pia de sândalo
De dândi pálido de Bergamo.

O chafariz sorri em sua bacia
Com um som metálico tão vivo.
Dum feixe de lua se fez caprichosa,
Dum brilho para garrafas em cristais.

Mas Senhor tem alvos bascos,
Deixando à casa vermelha
E o verde-escuro oriental,
Inexplicável, de sua máscara
Dum feixe de lua caprichoso.

BEM-VINDOS

Se os convidados, de garfos nas mãos,
Viram os galões serem furtados,
Assados com tortas, ostras,
E se doce de tal marmelo.

Gilles, asilado em um canto,
Se os convidados, de garfos nas mãos,
Viram os galões serem furtados,
Fazendo tais caretas de jocosas:

Para sublinharem essa desilusão,
Dos tais insetos ao azul de elytra,
Venham esbarrarem nas rosas de vidro,
E sua abelha está zombar de bem longe...
Se convidados, de tais garfos nas mãos.

LAVATÓRIO DA LUA

Se tal quão uma lívida lavadeira,
Está lavando suas gretas alvas,
Braços prateados distantes suas mangas,
Para um fio cantante dum rio.

Os Ventos por meio da clareira
Soprarem em flautas sem palhetas.
Tais quais uma lívida lavadeira
Está lavar suas gretas alvas.

Se o lutador celestial e gentil
Juntar sua saia ao redor dos quadris,
Sob o beijo pascendo das guampas,
Espalharem sua roupa do leito qual a luz,
De uma pálida lavadeira.

A SERENATA DE PIERROT

De um grotesco estojo destoante
Irritante seu estupro escorregadiço,
À garça, sobre uma perna,
Sendo beliscado num ar indecoroso.
De repente, Cassandra, interventora,
Se Culpar àquele acrobata noturno,
De um grotesco estojo destoante
Do irritante seu estupro chão.

Pierrot a rejeita, sendo tomando
Com um aperto muito meigo
O velho por sua gravata forte,
De Zebra, essa barriga do incômodo
De um grotesco estojo destoante.

COCÇÃO LÍRICO

A Lua, de omelete amarela,
Espancadas em grandes ovos douro,
No fundo do azul escuro entorpecer,
E nas vidraças do qual é refletido.

O Pierrot, em seu lavatório alvo,
Jinx no teto, perto dessa borda,
A lua, de omelete amarela,
Espancada seus grandes ovos douro.

Enrugada qual uma maçã de acelga,
O Pierrot está vibrar com muita força
Numa frigideira, e, com esforço brusco,
Crê se lançar para o céu faiscante
A Lua, desses omelete amarela.

ARLEQUINADE

Arlequim saturou num arco-íris
Sedas rubras e imaturas,
E parece que, no douro  
Dos contos destas fadas...
Sendo uma serpente artificial.
Com tal objetivo principal 
Sendo mentiras e o engano,
Arlequim saturado arco-íris
De sedas rubras e imaturas.

Uma bile amareleceu Cassandra
Contando com as suas senhorias,
Se na Espanha, Brasão tal armas:
Carruagem sobre fundos de azuis, e, mel
Do Arlequim vestido dum arco-íris.


 ALBERT GIRAUD - TRAD. ERIC PONTY


ERIC PONTY - POETA-TRADUTOR-LIBRETISTA

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