Meu prezado,
Poderei sempre contrapor isso quando me censurar por falta de atenção intelectual. Para mim, sempre foi inexplicável sua total carência de impressionabilidade em relação à angústia e ao embaraço que podia me cominar com palavras e juízos: era como se você, Leitor-crítico, não tivesse a menor conhecimento da sua força. Também eu com certeza muitas vezes o magoei com a maneira do fazer literário, mas a seguir sempre o distingui, isso me fazer sofrer, mas eu não podia me conter, refrear a palavra, já me arrependia enquanto a fazia. Mas você Leitor-crítico desferia sem mais as suas, não se apiedar-se de ninguém, nem durante nem depois, contra você Leitor-crítico estava-se totalmente sem defesa crítica, que, permite ao menos que eu dê um exemplo, do meu fazer literário como este quarto soneto de Petrarca cuja minha isotopia se deu desta maneira:
Que’ ch’ infinita providenzia et arte,
mostrò nel suo mirabil magistero,
che criò questo et quell’altro emispero,
et mansueto più Giove che Marte,
vegnendo in terra a ’Iluminar le carte,
ch’ avean molt’anni già celato il vero,
tolse Giovanni da la rete et Piero,
et nel regno del ciel fece lor parte;
di sé nascendo a Roma non fe’ grazia,
a Giudea sì, tanto sovr’ ogni stato,
umiltate esaltar sempre gli piacque.
Ed or di picciol borgo un sol n’à dato,
tal che natura o ’l luogo si ringrazia,
onde sì bella donna al mondo nacque.
É bem na verdade sem poder argumentar nada, pois lhe é de antecipadamente impraticável falar com calma sobre uma coisa com a qual não carece ou que facilmente não parta de você, Leitor-crítico: seu caráter dominador de Leitor-crítico não o permite ao menos que eu dê um exemplo, do meu fazer literário como este quarto soneto de Petrarca cuja minha isotopia se deu deste estilo:
O que a infinita providência e arte,
Demostrada admirável magistério,
Que aleijaram este àquele hemisfério,
E mais domado Júpiter que Marte.
Vindo à terra a 'Iluminar le carte,
Já tinha oculta a verdade há mui anos,
Levou Giovanni da rede e Pedro,
E no Reino dos Céus fizeram parte;
De ter nascido em Roma, não perdoou,
Na Judeia, mui acima de cada estado,
Da humildade sempre o satisfez.
E cá duma pequena aldeia, um sol deu,
De tal forma que a natura ou lugar,
Donde nasceu tão bela mulher mundo.
Em suma, que esse efeito apesar disso lhe seja absorvente, que você se desista inconscientemente a reconhecer como produto de Leitor-crítico, se deve justamente ao fato de que a sua mão e o meu material eram e são tão estranhos um ao outro.
Eis que o meu material era tão estranho um ao outro, quando me censurar por falta de atenção intelectual, para mim, sempre foi inexplicável esta total carência de impressionabilidade em relação à consternação e à embaraço que poderia me cominar com palavras e juízos: era como se Leitor-crítico não tivesse a menor conhecimento de sua força crítica sobre qual material eram e são tão estranhos um ao outro.
ERIC PONTY
POETA, TRADUTOR, LIBRETISTA ERIC PONTY
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