1
Contemple-o espelho e diga tua cara,Para se reproduzir sem demora;
se não renovar tua frescura noutra
Mundo é uma mãe que vós se consternastes.
Pelo que a donzela seria tão altiva,
Pra proibir o teu jardim à tua semente?
Quem é tão vaidoso que preferiria
Pra nos privar do belo com tua morte?
Vós sóis a imagem viva da tua mãe
Ela vê em si a frescura dos brasões;
Também na velhice será capaz.
Ver a era dourada em que agora vive,
Mas se preferir não ser recordado,
Não gerem e tua vossa imagem morre!
ll
Desperdício de encanto, porque ir
Tua herança apóstolo só sobre si?
Natura não dá quase nada em si:
Só emprestou há quem dá sem fim.
Por que razão, então, bela egoísta, abusas,
Desta bondade com que foi munido?
Bancário efémero, porque se apressam?
Sendo tal soma e não ter um descanso?
Se o seu único cliente foste tu mesmo,
Findará por roubar-lhe o teu encanto;
por isso, quando enfim chegar a tua hora.
Com que reserva irá balancear saldo?
Sem uso, a tua beleza está morta;
Usada assim, torna-se o teu herdeiro.
OS POETAS IVO BARROSO E ERIC PONTY
ERIC PONTY

Nenhum comentário:
Postar um comentário