O Busto do Poeta incógnito
Este é um busto demais do que Augusto,
Sê capítulos, eclogais, canções,
Nem cristais líquidos, nem roseiras,
Das quais trazidas nas caixas de açúcar.
Aqui sê jaz não tendo madrigais,
Há referência, discriminação,
Há busto que é justo, que os afastam,
Das quais trazidas nas caixas de açúcar.
Mil vezes, temor, doce passageiro,
Em vossos brilhos, jaz, ao oferecido,
Sê de paixão, mas não comparecido,
Não observe embaído forma altaneira.
E se pus que, doutra musa, pois lhe zela,
Se a frágil esperança, há consentido,
Esboçou-lhe os que haveis, de tal dito,
E meu não serás dum aparte ausente.
Mas se não auxilia, se o que aguarda,
Teu exílio infeliz, conhecerá, que arda,
Só estar, nem ajudar, se outra de flama,
Nunca saiu, por ter seu valor pio.
Pois que curso natural não diga, chama,
Se todo culpa daqueles não há viram,
É mui mais vós, ver, pois, moinha-ma,
A pena do desejo em nós se encrava.
Existem palavras de tão ferozes,
Que até da lua olhares se desviam,
Outros com já busto em luz se inclinam,
Réstia à noite sair veem velozes.
E doutros cujo desejo Pio aguardam,
Gozar com o pão porquê nos queimam,
Se outro atributo houver, incendeia,
A minha és: Pio de mim, jazer na Fileira.
Não sou tão busto que esta luz resista,
Qual do busto e não dos temerários,
Lugares abrigados: Nas duas tardes,
Pois tal falta, não outra, nos perdeu.
Mas com olhares olvidos, chorosos,
Olhá-lo é minha sina, senão é fardo,
Que não seguirei atrás daquilo à tarde,
Desejo a que esperança não se deu.
Me posta envergonhar que está pio,
Por mim vossa lindeza posta em rima,
Pois há nenhuma tive tanta estima,
Deste que vi vosso busto primeiro.
Mas está que excedeu as minhas forças,
Obra que não saberei polir por lima,
E por ela excedeu todas minhas forças,
Por ela ó este gênio se desvenda.
Pois que eu ascender pode eu pio,
De meu peito não posso um suspiro,
Fechado ao laborar está só, já sendo,
Por ver se o coração me ia referto.
Me pus a escrever versos dum rapaz,
Mas a pluma, a mão, laço, e o talento,
Sê desenho, haveis foi demais pedido,
Em sinal de vitória legislou.
A verde rama, viçoso do ramo,
Sobre o pano lacrimejante Roma,
Teu pelo formoso vestido sol,
Teus cabelos solar siderais.
Ela vibra, e sua ampla ampara augusto,
Lançar uma sombra sobre Todos bustos,
As grandes aves de púrpura e douro,
Daquelas pedras baterem sós bustos,
Aquele semblante era semelhante,
Sobre o pano lacrimejante busto,
Assim passou assim me fez entrar,
Teu pelo formoso vestido pio.
Santo Pio em cujos sois, estais, gentil,
Dá obra que não saberei polir por lima,
Aqui no centro verás respondida,
Por ela que vai servil, vai rezar pio.
Se a flama com flama não extingue, chama,
Não há chuva cujo pio tenha rezado,
Pois por igual por igual há ajudado,
E o pequeno ao grande é aquecido.
Amor- que nos corpos aquecidos,
Que governam nossos pensamentos,
Que fazeis assim tão desajustado,
Com mais querer ele se não acresce.
Talvez venha igual pio de uma altura,
Desde muito alto seu contorno apura,
Em tais bustos condenados pios,
Qual raio de sol quando olha se cega.
O desejo que consigo não aconselha,
Em seu objeto extremado vai ceder,
Frear mais por demais incendeia n´alma,
Logo atrás já meu também seguia.
ERIC PONTY
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