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sábado, julho 02, 2022

DOIS SONETOS E UMA EXEGUIA - TRAD. ERIC PONTY

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Mil vezes, ó temor, doce guerreira,
Com vossos olhos, paz, ao oferecido,
Sê coração, mas não és comparecido,
Não olhes tão baixo forma altaneira.

E se algo, doutra mulher, pois te zela,
Se a débil esperança, há consentido,
Desdenhou os que haveis, de tal dito,
E meu não serás dum custo ausente.

Mas se não ajudeis, se o que aguarda,
Em teu exílio infeliz, não saberá, arda,
Só estar, nem acudir, se outra de chama.

Pois que curso natural não dizer, chama,
Se grave culpa daqueles não a viram,
É mui mais de vós, ver, pois, mui a ama.

III
Me posta envergonhar que está sendo,
Por mim vossa lindeza posta em rima,
Pois há nenhuma tive tanta estima,
Deste que vi vosso buço primeiro.

Mas está que excedeu as minhas forças,
Obra que não saberei polir por lima,
E por ela excedeu todas minhas forças,
Por ela o este gênio se desvenda. 

Pois que eu ascender pode eu alto,
De meu peito não posso um suspiro,
Fechado ao laborar está só, já sendo. 

Me pus a escrever versos dum rapaz,
Mas a pluma, a mão, laço, e o talento,
Sê desenho, que haveis foi mais pedido.
FRANCESCO PETRARCA
OS POETAS ERIC PONTY E LINA TÂMEGA PEIXOTO LADEADO POR MÁRCIA PEREIRA

Lina Tâmega Peixoto (Cataguases, 5 de junho de 1931 — Brasília, 1 de setembro de 2020)[1] foi uma poeta, crítica e professora brasileira. Fundou a Associação Nacional de Escritores (ANE) e fez parte da Academia de Letras do Brasil e do PEN Clube do Brasil.[2] Foi agraciada com dois prêmios literários da União Brasileira de Escritores (UBE).

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