Ó recordação, recordo me queiras? Voava
No outono ao tordo pelo átono aparta ar,
E disparava o Sol um monótono raio
Sobre Bosque amarelo donde o cervo sonha.
Ela e eu caminhávamos sós, entre os sonhos,
Ao vento o pensamento e cabelo, de pronto,
Olhando-me com olhos comovidos, qual foi
Teu dia mais formoso?», disse tua voz doiro.
Sua Voz sonora e doce, em fresco timbre angélico.
Meu discreto sorriso respondeu à tua pergunta,
E lhe beijei a branca mão devotamente.
—Ah! Flores primeiras, que perfumes exalam!
E com que sortilégio reúna dentre múrmuro
Primevo sim que saído dos lábios queridos!
DESEJOS
Ah! As ovaritis! As amantes primeiras!
Cabelos doiro, olhos azuis, carne em flor;
E logo, dentre o odor destes jovens corpos,
Amados, às carícias medrosas e espontâneas.
Estás já tão antigas todas àquelas dizem,
Todos dos condores! Ante Primaveril,
Das penas partiram aos escuros invernos,
Dos meus ascos, de minha miséria, agruras!
E assim me encontro agora, só e tão sombrio,
Desesperado e triste, mais gelado que um velho,
Igual que um pobre órfão sem sua irmã maior.
Ó, Mulher de cálidos e mimosos amores,
Morena, pensativa, doce e nunca assombrada,
Que às vezes nos beija, qual frente a um menino!
PAUL VERLAINE - TRAD. ERIC PONTY
KARINE DO TEU ETERNO APAIXONADO
É apenas pra si que estes versos antiquados,
melancólicos, frívolos, decadentes, sensuais,
Hei reescrito, prestados língua em que agora,
Tu escrevas tuas cartas de amor. Hélas! Dommage!
O homem (um pobre homem extremado e ambíguo,
—Recordas suas poesias eróticas? « Auguste …
Jules um pouco puta com tua beleza pálida"-)
que escrivo estes sonetos, talvez te houvesse amado.
Igual a mim. Não olvido mostras vidas secretas,
Nossos jogos proibidos, nestas cumplicidades,
Tuas lágrimas, meu pranto, riso e meus risos.
Em tuas noites da Lua já não me beijas. Ficam,
—Isto sim— recordações —Já sei, só aos doces—,
Segundos perdidos, vários poemas, três esboços.
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