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segunda-feira, junho 20, 2022

UMA PRECE A AMADA - ERIC PONTY


Ah Senhor! Quanto me custa em não a ver,
De Vos me ver humilhado teu criado,
Que vendo Vossa sentença de morte,
Que me castigais mais da distância.

Se a Vossa antiga fraqueza a adorar,
Dando primeiro dobre aparta sorte,
Sê do que à pena mortal me Vê amarga,
Que já os mortos não sentem mais urtiga.

Já de tão antigas neste querer morte,
Livrais-me do morto entre mortais cá,
Viver sem poder vê-la é já cortejo.

Ah Senhor! Façais surja entre as mulheres,
Porque aqui ainda mais sentida à sorte,
Sendo ardores, que ao morrer se requinta!

ERIC PONTY

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