(NA PERSONA DE GREGÓRIO DE MATTOS E GUERRA)
PARA DEPUTADO AÊCIO NEVES
O teu cabelo à sombra dourada serpentes,
Rubis feras apertam tua cabeça plana,
Sobre um trono suportou por leões pressa,
Em incensos rosa e azul, ídolo dilata.
Mansão ardeu e desmorona em tão grandes secções,
E na cripta vermelha onde o fogo irrompe
São chamas loucura abrem-se quais pavões
Olhares ardidos tuas caudas escarlates.
LES RÊVE DU ROI - Albert Giraud
LOUVA A ESTÁTUA QUE PREGA A CONSTITUIÇÃO
Ó Bela estátua, egrégia, soberana,
De formação civil, que já tão eleita,
Pregando Pregador um Franciscano,
Julguei eu, Tancrédis era Utopia.
Não desfez Tancredo do nó Gordiano,
Co´a espada da lei tua boca traça,
Nesta forma legal, e requisita,
Da constituição pregava um Ulpiano.
Rompam-se céus as leis das Majestades,
Escutem Ministros sempre dos Patriarcas,
Quanto mais podem leis de autoridades.
Ó príncipes, Pontífices, Monarcas,
Sê Mestre excedeu Bártolos, Abades,
Tragam-lhe a Toga, despojai-lhe alparcas!
DESCREVE O QUE ERA REALMENTE NOS TAIS TEMPOS A CIDADE DE MINAS MAIS ENREDADA
Nasceu tanto qual graúdo conselheiro,
Que aos nos governar nadou-se do Ribeiro,
Não sabiam conduzir tal carroça ligeiro,
Podendo bagunçar o resto inteiro.
Sê cada passagem trazia um olheiro,
Denunciava ao mundo à gente graúda,
Sê esquadrinha, espreita, sê escuta,
Que para a cadeia se iça muitos pobres.
Já que tão pretos desavergonhados,
Sem poderem dar uns desses gemidos,
Picardia anunciava-se à luz do dia.
Estupendas entregas no mercado,
Sê não furtam, olheiros jogam pretos,
Sendo cá nasceu Tancrèdes ao mundo.
LOUVANDO TANCRÉDES PELA POSTURA DE CIDADÃO
Quem já quiser existir um Gatão,
Inferne-se todo orbe que invadido,
Para levá-lo terreiro, pra praça,
Tancrédes é que irá julgar pracinha.
Soberjar-lhe-á na mesa quando casa,
Seguindo dos que dou, por exemplares,
Que essa lide passará sem pesares,
Sendo assim os não tendo Pedro Unhão.
Quem cá chegar-se, sisudo, meter,
Nunca lhes faltará duma serpente,
Sendo assim aperreado Pastor cão.
Esta é a justiça, quem mandou El-Rei,
E cá por si haverá da Relação,
Porque o Nome d´El-Rei serve pra tudo.
A.N. SENHORA DAS BOA MORTE INDO LÁ
Venho Senhora das Boas Mortes monte,
Sou reverente em fé Vosso altar bento,
Vendo corpo de Jesus argenteado,
Teu Sol este renascer do Horizonte.
Ó quanto és a verdadeira da fonte,
Se irriga de que um braço limitado,
Exceda soltura dos prisioneiros,
Tua virtude, Senhora, es muito rica.
Quem sem Vossa devoção enriquece?
Sendo virtude sem vós empobrece,
Essa hóstia do altar, que vos oferece.
Vós que enriqueçais, se a Vós aplica,
Rezando Menino em berço aparece,
Se Vós intercedeis que ele se aplica.
A SÃO FRANCISCO DE ASSIS A QUEM INFIEIS DESPEDAÇARAM ACHANDO UMA SÓ PARTE DO CORPO
Entre as partes de tudo a melhor parte,
Sendo parte em que redentor pôs tudo,
Se a parte do coração quis pôr tudo,
O coração foi de tudo a melhor parte.
Parta-se, pois, de Deus coração parte,
Sendo parte em que Deus confiou dor tudo,
Sendo mais partes fizeram de tudo,
Ficando assim que intacta essa só parte.
O coração já foi parte entre tudo,
Que todo despedaçaram tua parte,
Sê hoje partem pedaços deste tudo.
Sem que do coração se apartem parte,
Quem lá quis dar aparte amor tudo,
Desforra o quis dar tudo nesta parte.
AO CORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS QUANDO APARECEU
Tudo sem fazer parte não é tudo,
A parte sem o tudo não é aparte,
Mas sendo parte faz sendo de tudo,
Não me digam, que é aparte, sendo tudo.
Em tudo Sacramento está Deus tudo,
E tudo assiste inteiro em quais parte,
Feito em apartes tudo em toda a parte,
De qualquer parte permanece tudo.
Coração de Jesus não seja aparte,
Pois que jazeu Jesus das partes tudo,
Assiste cada aparte em sua parte.
Não se saber que parte deste tudo,
Um coração lhe acharam sendo parte,
Nos dizendo as partes todas deste tudo.
EPÍGRAFO
Os mortos chegam em velas,
Com os frágeis pés santos,
Com murmúrios em rezas,
Se sentam sós nas mesas,
Não mudam olhos ou as mãos,
Sem mudar de margens silentes.
Os mortos obscenos rompem,
Anunciando montes e tropegas,
Sacodem tudo num navio mudo,
Qual arquitetura São Francisco,
As suaves senhoras assentadas,
Qual numa nau transparente,
Donde vieram, quando irão partir
Se chegam de nossa própria lide.
Agora assentados tem silêncio,
Do frio e de ardente vazio,
Na solidão chegam as sombras,
Vieram de tempos longínquos,
Das mansões que foram fragrantes,
De crepúsculos queimados na relva,
Olham ou não olham São Francisco,
Com suas bengalas anotam signos,
Sem deixarem rastros de caligrafia.
Os mortos se vão partindo,
Com seus frágeis pés de aves,
Contudo às margens desbocadas,
Seguem nuas ao derradeiro destino.
ERIC PONTY
Tancrède é uma tragédie en musique de 1702 em um prólogo e cinco atos do compositor André Campra e do libretista Antoine Danchet, baseada na Gerusalemme liberata de Torquato Tasso. A ópera contém 23 danças além do canto. É famoso por ter o suposto primeiro papel de contralto na ópera.
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