Je vois, dans un jardin frileux
Dont la fine ramure noire,
Sous des bourgeons roses et bleus,
S’orne d’un printemps illusoire,
Author: Albert Giraud
No meio da passagem desta lida,
Vislumbrei-me das sombras só idílio.
Olvido que sem rumo sem voz vida.
Ah, quanto ao perspectivar fundura,
Que verve urbe acre sem voz tão forte,
Ali o pavor na existência se conjura,
Tal amargor sorte maior à morte,
Mas que afinal do Bem achei afélio,
Outras formas digo sombra à sorte,
Olvidei relembrar logo oito entrei,
Desesperado me achei àquele posto,
Em que avenida veraz me entreguei,
Depois, poente do Lenheiro fez junto,
Surgido donde ficava o rio aberto,
Pânico coração trouxe confronto,
Olhei-o alta janela vi d´ombros certos,
Vestidos cores ervas, cor completa,
Desta esfera se aponta o prumo certo.
Calou-se ledo que da tarde inquieta,
Qual ao fardo coração, que já em trepasse,
Anunciava passei pavor repleta,
Tal qual um que transeunte escapasse,
Lua à praia lenheiro à sombra pungitiva,
Forma perigosa, pois, encarece,
Assim que minha d´alma ia que furtiva,
Retornou-se pra trás beirando espaço,
De onde crepúsculo se acendeu viva.
Após de descansar de minha d´alma,
Segui transeunte Lenheiro deserto,
Pisando firme embaixo a cada traço,
Eis surgiu enquanto já olhava alerta,
Uma senhora leve e bem faceira,
Já de pele brancura recoberta.
Não fugia ao olhar jeito outra maneira,
Respondia-a que meu traço andante vela
Que ao retornar eu dava nesta beira,
Era primeiro inverno matutino,
Quando sol alçou e fardos se rebelam,
Dos passam quando era vespertino,
Olhou, primeira vez efígies belas,
“Triste augúrio” dizia-lhe à razão,
Na pele, nestas marcas que eram nelas,
Na era boa e desta suave estação;
Assim não ocorreu receio tomou,
Da ilusão que me tomou dum Lusbel:
Forma que contra mim ele se alçou,
Fronte marmórea enigma que me fez,
Que em forma luzidia ar distanciou,
Dum cão de Lusbel na sua avidez,
De carregar funeral da magrém,
Tantas pessoas sê desgraçou à tez.
Tantas ilusões eu sofri também,
Sendo temor de olhar de esperança,
Dum dia tocar-lhe à altura pus além.
E pra alguém da sentença lhe alcança,
Até lhes surjam tempo atua alçá-la,
Deixando-as flamas desesperança,
Assim levou-me os cães, que acalmá-la,
Não olvidou aos tais poucos do meu fardo
Carregou-me lugares onde cala.
Enquanto eu surgia abaixo despenhado,
Tecei-me veste silente encoberto,
Comum fosse surgir alguém privado,
E quando a vi, nesta urbe que desperto,
“Miserere pobre em mim gritei certo,
“seja quem for, sombra, mulher aperto.”
Respondeu-me: “Mulher, não; sombra certo.”
Em vida os pais tive largueada cio,
São João del-Rei dois. De mim direi,
Que sub Abril nasci na hora tardia,
Vivendo São João sob do bom palácio,
Tempo era poetas falsos tais heresias.
Sombra fui, inspirei àquele busto,
Daquele Poeta ignaro Brasil,
Ao ver-me em tão crêdo chão combusto.
E tu, por que à sombra dores do meio?
Não galgar deleitoso Lenheiro,
Que é princípio, emoção, boca Lenheiro?”
“Então és tu que sombra àquela fonte
Que distende eloquência do Lenheiro?”
Lhe ecoei do alto timidez, baixei a fronte.
Ó dos pobres poetas sem graça brio,
Valham-me longo estudo passei métrica,
Que a tua efígie que lhe dedico alio.
Tu és minha fonte tu és rosa meu amor:
És daquela quem há mirei-lhe rio
Tua bela forma estilo é meu Penhor.
Reparou a bela que me fez volver;
Livra-me fonte, ó sábia augusta margem,
Ao pulsar-lhe veia sangue tremer.”
“Siga uma outra passagem nesta viagem,
Dizendo a mim, prantos estava entregue,
Sê é de desviar-se local tão selvagem,
Pois sendo os cães tanto te persegue,
Não franqueia a passagem ao transeunte
Senão enterra assassina quem lhe segue;
De natura vil é tão rapinante,
É tanto que teu anseio não sacia:
Matar depois tão bem ao matar antes.
Têm muitos serviçais em mancebia,
Terá mais até Lebréu até tenha,
Trazido do azar do mal d´agonia.
Este doiro de ervas comer desdenha
Trazido saber no louvor e virtudes,
Quando entre Feltro entre nós advenha.
Ao crédulo Brasil há fazer mude,
Por quem mais padeceram os humildes
Dos Josés e Marias das mortes rudes.
Sê acossar a Lesbel burgo sorrir,
Respondê-la retorno siga-o inferno,
Onde da invídia preocupar cuspir,
Para teu bem ecos passos governo:
Então tu sigas, eu serei tua agonia,
Irei-lhe conduzir pra local paz,
Donde ouvirás gritos de injúrias,
Verás velhos espíritos dolentes,
Qual da negra Lesbel segunda súplica;
Olharas também estão já contentes,
São flâmulas porquê esperam alçar,
Que dá segunda morte dá suplício,
Se quiseres que pra elas te juntar,
Segue d´alma digna mais te convém
Com ela então que deixar-te apartar;
O imperador impera em nosso bem,
Tendo-me eu sido rebelde à Sua lei,
Portas não abrem há quem comigo chega.
Que mal podia ser, calmo, luzindo,
Em pura flama que lhe aparecia,
Em que vaga luz de nuvem subindo,
Assim olhei de que chamas nascentes,
Brilhava exposta então que nona oitava,
Quanto às profundas olhei vista assente,
Tais vaga-lumes, não mosquito apara,
Sendo noturnos chãos, vê tom ardente,
Talvez onde a vítima em terra ara,
Mas quem tal flama bífida anuncia,
De qual parecer surgir bem lira,
Em que às sombras e outros cuja ira,
O guia, ao me ver contento atento,
Falou apenas: cá dentro das flamas,
Enterradas arder no lume preso,
E aí clamou – carruagem lume aceso,
Quando as tão fundas me contive assente,
- Juntos na pena como antes da lira,
Na flama estão também penitentes,
Do embuste do busto que está porta,
Donde os terrestres vem alva semente,
Doeu-me – que dói talvez lembrança,
Retornando a mente o busto – o que então vi,
Sê tal engenho mais que sempre, lhe tolho,
Não siga sem virtude o assistia ali,
Sê boa sentença ou se mais alta cousa,
Menos esconde o rosto em nós repousa,
Chora-se dentro ardil embora finda,
Também rezar pela senhora Ampara,
Pedindo mil perdões que se perfilem.
Em toda a parte, impera e ali é rei,
Ali está cidade, e, do alto do Trono:
Feliz daquele chamado à tua Grei.
Eu digo então “Poeta és do meu patrono,
Por este Deus que ver tu não pudeste,
Para fugir-lhe males ambiciono
Que me levaste àquele disseste
Sendo Porta São Antônio que acharás
Qual, quais sofridos tais me expuseste.”
Finava o dia, à sombra então crente,
Libertando dos homens que em sombras,
Destas fadigas que me tinham só.
Perguntei à plebe sobre uma sombra,
De uma certa visão clamada efígie,
Visão enunciada ao pensamento ente,
Me apartava aqui tendo em seu crivo,
Sobre dum certo Gregório de Mattos,
Seu corpo corruptível, cá imortal:
- Por me divertir saudades Fílis,
Céu translado pôr alívio consigo,
Já revolvendo às verdades de Fílis,
Quanto melhor formosura à fonte.
Sê meus cuidados, sê me retrata,
De ver-me uns campos floridos urzes,
Que a graciosa mata feita craveiros;
Quando melhor formosura, usura.
De tão graciosa tal arquitetura,
De um véu da face tirando Fílis,
Meus cuidados, mata me retrata.
Sê ao pé de junqueirinha fonte prata,
Assentei-me mui visão junto dela,
Que só bem tolo é, ali há quem se mata.
Rejubila-te, ó Mattos e Guerra,
Dentre terras e mares tuas asas,
Já pelo inferno, Lesbel se expande,
Entre uns cinco empara arder nas brasas.
Que dos ladrões, uns seis arderam flamas,
Teus cuidados, que depois Minh ‘alma,
Comprazas com as honras que nos danos,
Quem mais se pesa demais solitária,
Avançando na solitária calmas,
Sem tua ajuda empara lábios que esteja,
Sê rejubila-te, ó Mattos e Guerra,
Dos esporões do escolho se inscreve,
Por entre as tumbas e cortejos não seguia,
Por rejubila-te, ó Mattos e Guerra,
Quem mais se vela se mais envelhece,
Tal que opositor tudo imortal,
Sendo cortês o tal lhe permitisse,
Cavalgar-se entre às tumbas das sombras.
Ó musa, ó alçado engenho daí alento,
Vendo há em ti virtude suficiente,
Século alçou, sensível, temente.
Senão quem foi Mattos e Guerra, esteja,
Nos dizer-nos por outras maravilhas,
Que até aqui nos guia na subida alça:
Rosa, colcha de velas peregrinas,
Estimado cristal dum vitral ata,
Deusa safira sobre à lua em prata,
Douro encrespa em concha em prata.
Este é rostinho de Caterina,
É porquê já tão doce obriga, ata,
Não liberta de o ser ingrata,
Que flameja nos corações fulmina.
Vi lábios um alarde transportado,
Louvando admirações tanto tardia,
Esconderelo concha amor, alçou aras,
Falei igualmente amante, magoado,
Ah morena gentil, do que farias,
Mexendo tão charmosa não cagaras.
Ó musa, ó alçado engenho daí alento,
Vendo há em ti virtude suficiente,
Século alçou, sensível, Demente.
Mas que opositor tudo imortal,
Sendo cortês o tal lhe permitisse,
Cavalgar-me entre às tumbas das sombras.
ERIC PONTY
O POETA, TRADUTOR, CRÍTICO IVO BARROSO FAZENDO OBSERVAÇÕES LITERÁRIAS LADEANDO, O POETA ERIC PONTY DURANTE À GRAVAÇÃO: A VOZ DO POETA


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