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segunda-feira, fevereiro 24, 2020

Há uma passante -Charles Baudelaire Trad. ERIC PONTY

A rua ensurdecedora à volta do meu uivo,
Longa fina em grande mortal dor majestosa
Uma mulher passa de uma mão faustosa
Erguendo, balançando festão e debrum.

Ágil e com nobreza sua perna de estátua,
Meu eu bebo crispado como um extravagante
Em seu olhar, céu lívido onde brota furação
A dor que te fascina e o prazer te mata.

Um clarão.... Pois à noite! -   fugitiva beleza
Onde olhar me faz súbito renascer
Nem te verei eu mais que uma eternidade?

Alhures longe aqui! Bem tarde! Nunca será!
Porque ignoro onde vais, tu não sabes onde vou
O tu que possuis amada. Ô tu que sabes!

Charles Baudelaire
 

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