Igreja de torres tão altas dos sinos,
ó anjo de face retumba dos hinos,
de voz tão meiga marmor dos campos,
em ventre contemplo na tarde do escampo.
Pavane dos sonhos, pele de tão clara,
resvala meu rosto sua efígie faz rara,
desliza-se pelos da carne medito,
cavalga na tez que se deslumbra rito.
Descende dos tempos das eras jornadas,
qual musa de Dante que evade do nada,
singela tão simples patrona mortais.
Ascende da terra seu vulto de iguais,
passando sua mão resvalada nos quais
adentram esfera mortal tão achada.
II
Recua a terra, donde que há partido,
esfera vil impeça; em me perdendo,
nosso rumo talvez tenha perdido,
que do pouco a pouco olhos negros vendo.
Nós, que em grácil esfera navegando,
em desejoso ouvir, há-nos seguido
meu corcel, que proeja e vai cantando,
é minha musa á lua tão branca ao lido.
Nós, os, raros, que tempo há dar-nos solo,
alçado ao chão dos anjos, que apascenta,
mas não sacia, no ventre destra ao colo.
Margens, ninguém singrou, que lhes vou engenho,
cante Minerva me transporte Apolo
do lido à Musa aponte-me, há que eu tenho.
III
Insígnia do pudor; foge longe de nós,
canto-lhe prazer sem risco esvaio dos noz,
não profano o rigor arisco à tarde olvido,
chega, furta do amor, compreende do lido.
Pavane, ó Pavane evadem anos pulcros,
experimentei, instinto; exponho belo acro,
sei sorri á minha imprensa, ó diva sublime,
esbarra em minha mente em tênues dos alquime.
Sei tangerá sem custo objeto que adorar,
depois eternidade é sol à tarde arar,
por fim porque alongar em vão delícias fada.
Eis meu vínculo, sebe estival pobre arrojos,
baliza-me esta dor, triunfal dos antojos;
É livre? Por onde erra escolhe o afortunado.
baliza-me esta dor, triunfal dos antojos;
É livre? Por onde erra escolhe o afortunado.
Eric Ponty
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