Estremece diante do amanhecer chuviscoso que revela
Homens desconsolados que batem as botas encharcadas
E voltam rostos apagados e encovados para o céu
Abatidos e sem esperança. Eles, que derrotaram
O desespero rançoso da noite, devem agora renovar
Sua desolação na trégua do amanhecer,
Assassinando as horas lívidas que tateiam em busca de paz.
No entanto, esses que se agarram à vida com mãos teimosas,
Conseguem sorrir em meio às tempestades da morte e encontrar uma brecha
Nos emaranhados cruéis e cheios de garras de sua defesa.
Eles marcham da segurança e da alegria cantada pelos pássaros
Dos matagais verdes como a grama, para a terra onde tudo
É ruína, e nada floresce, a não ser o céu
Que se apressa sobre eles, onde suportam
Horizontes tristes, fumegantes e monótonos, bosques fétidos,
E linhas de trincheiras destruídas, disparando desgraça após desgraça.
Ó meus bravos companheiros morenos, quando vossas almas
Partirem silenciosamente, e os mortos sem olhos,
Envergonharem a fera selvagem da batalha no cume,
A morte permanecerá de luto naquele campo de batalha,
Pois vossa coragem invicta se esgotou.
E por algum Valhalla iluminado pela lua passarão
Batalhões e batalhões, marcados pelo inferno;
O exército que não retornará, que outrora foi a juventude;
As legiões que sofreram e agora são pó.
Siegfried Sassoon – TRAD. ERIC PONTY


Nenhum comentário:
Postar um comentário