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quarta-feira, outubro 14, 2026

ALVORECER DA ESPOSA ESPERADA - ERIC PONTY

Uma manhã queria que fosse então assim,
vozes de tão tardias raiar do dia,
sinos nas torres foz tangerem prados,
das crianças lívidas passar destes lados.

Sendo tarde com duas vozes sempre fala,
desse murmúrio à margem cós desvarios,
são dessas nuvens surgem tão bem quietas,
se enunciando vazio-me deste opúsculo.

Os aís que pascem tão iguais dos rios,
Destes peixes sem rivais tão iguais águas,
De densas folhagens tão iguais margens.

Uma noite queria que fosse então outrora,
das luzes tão tardias raiar deste dia,
com os cantos de todos lados paz.

II

 
Pássaros não. Manhãs sobre das tardes,
fatigadas das nuvens passam sós,
não cantam de sua alvura pascem sós,
não se traduzem o infinito campos.

Da pobre de minha voz silenciar,
fazendo pascer seus sons horizontes,
tão alquebrada pasce tal qual do nada,
que cantiga se silencia com os grilos.

Nas serras á obrar desvãos dessas relvas,
verdura dessa aventura vertente,
os silvos quais grilos sombras sob à tarde.

Cânticos não! Os pássaros sobre límpido,
que dizem sempre luzir-se tão límpido,
quais das ramagens sobre estas paisagens.

III

Nesta paisagem de par em par aves,
silente apenas tempo, media então lago,
conversa dentre nuvens, entre prados,
sutil a manhã, sol quieto os arados.

Gorjeia lhes apenas gorjeia entre matos,
que de uma ave apenas lhes cante laudos,
sobre à relva douro entre as mágoas relvas,
de uma árvore que despiu se da árvore.

Da sutil imagem sol medita à d’água,
dizendo sempre límpida então sua essência,
tão perto da árvore somente instante.

No galho só despido de inverno das ramagens,
Que dum corvo, dois corvos mais corvos, corvo,
tão quieta consigo à ave reflete ao lado.

ERIC PONTY

 

POETA - TRADUTOR - LIBRETISTA 

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