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domingo, setembro 20, 2026

Para à transmigração de Almas - Eric Ponty

P/IVAN JUNQUEIRA

 I

Que foste era mesmo! Sendo fez ti.
Nos longos instantes te aguardaram,
Outra vez sinto fim confiaria cá,
Suave semblante a outro lugar surgir.

Deveria àquela graça ao aluguel,
Não tenhas por fim onde tu estavas,
Tu mesmo após à morte enfim teu,
Quão causa, forma doce devo sofrer.

Quem pode tanto casa cair residência,
Criação em honra poderia defender,
Contra as lufas temporais dia invernal.

Raiva estéril do frio eterno da morte?
Ninguém, mas sem ater! Meu amor, tu sabes,
Tu tivesses um pai deixa que ele te fale.

II


Eu havia penado como Sísifo,
E trabalhado como Hércules,
Contra à carne que se rebela.

Eu havia lutado, havia assestado
golpes a destroçar montanhas,
E combatido como Aquiles.

Esquivo amigo que me guias,
Tu sabes bem, coragem ímpio,
se empreendermos estas campanhas,

Se temos descuidado com algo
Nesta guerra esgotante,
Se termos trabalhado bem.

Tudo em vão: ao rude gigante
Por todas partes ao meu esforço
opunha sua atmosfera de astúcia,

E sempre um covarde amparado
Em meus propósitos, que lhe espia
Entregava as chaves da cidade.

Fosse minha sorte má ou boa,
sempre uma parte de meu coração
abriria sua porta a da Górgona.

Sempre o suborno inimigo
sabia envolver em seu labor
Inclusive à vitória e a honra!

Eu era o vencido a quem assediam,
presto a vender cara seu sangue,
Quando, branca na vestimenta de neve,

Tão bela, com à frente humilde e altiva,
Uma Senhora Vinho, sobre a nuvem
E com um signo afugentou à carne.

Em uma tempestade incógnita
de raiva e gritos inumanos,
E desgarrando sua garganta nua,

O Monstro retomou seus caminhos
Pôr os bosques cheios de amores atrozes,
E a Senhora, juntando às mãos:

«Minha pobre combatente que afundas,
disse, em vão este dilema,
Trégua a vitórias desgraçadas!

«Te chega um socorro divino
De que sou segura mensageira
para tua salvação, ao fim possível».


—«ô minha Senhora cuja voz querida
Alenta a um ferido ansioso
de ver terminar a guerra cruel,

«Vós que haveis em um tom tão doce
Quando me anunciais a boa nova,
minha Senhora, quem sóis?».

—«Eu havia nascido antes de todas causas
E também verei o final de todos
Os efeitos, estrelas e rosas.

«Ao mesmo tempo, boa, sobre vós
homens débeis e pobres mulheres,
Choro. e os encontros loucos.

«Choro sobre vossas tristes almas,
Tendo amor por elas, tendo medo,
por elas, e por seus desejos infames.

«Isto não é que seja felicidade.
Cautela, Alguém a quem amo o disse,
cautela, temor ao que te suborna,

«vigiai, temor do Dia Supremo!
Quem sou, me perguntavas.
Meu nome submete até aos anjos,

«sou o coração da virtude,
sou a alma da sabedoria,
Meu nome incendia o Inferno pertinaz,

«sou a doçura que reconstrói,
Amo a todos e não acuso a nada,
Meu nome, é chão, se chama promessa,

«Sou o único hospede oportuno,
Eu digo ao rei a linguagem verdadeira
Da manhã rosa e da tarde escura.

«Sou à ORAÇÂO, e meu fruto
Sendo teu vicio na derrota aos mais distantes.
Meu requisito: «Tu, sejas prudente».

Os que no sonoro verso e doce rima
fazeis conceito de ouvir só poeta
versificaste em forma de estafeta.

Que a toda direção número imprima,
Ouvi de um caos à matéria prima
Não oculta como cifras de receita.

Que na míngua pura, fácil, limpa e reta,
Eu invento, Amor escrever, tempo lima.
Estas, enfim, relíquias clamam chama.

Doçura que me prendo, sem de proveito
Não foram a janela, nem a sua fama,
fazeis conceito de ouvir só poeta.

—«Sim, minha Senhora, e sejas me testemunha».

III

A metade da passagem triste vida
Já me encontrava em uma urbe escura,
Com a senda direita já perdida.

Ah, pois dizer qual era coisa dura,
esta urbe selvagem, áspera e forte
Que no pensar renova com o medo!

É tão amarga que algo já mais morte,
Mas por tratar do bem que ali achei
Direi de quanto ali me culpo na sorte.

Repetir não saberia como entrei,
pois me vencia o sonho mesmo dia
Em que ti veraz caminho abandonei.

Mas atrás chegar ao centro que subia
Ali onde aquela torre terminava
Que com pavor a Minh´ alma confundia,

Se mirar cumpre, vi ali que estava
Então vestida dos raios do anátema 
Que o bom caminho a todos assinava.

Quedasse à apreensão um pouco quieta
Que de meu coração dolorido
Em n´ilha durou à noite inquieta.

E como aquele com alento ardido,
Do pélago saído a sua margem,
mira a água que quase lhe há perdido,

Minh´ alma, fugitiva então era,
volveu-se a contemplar de novo passo
Que não atravessa nada sem que padeça. 

ERIC PONTY

ERIC PONTY - IVAN JUNQUEIRA

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