PARA MINHA AMADA
1
A deusa Mridani
assume a postura katakamukha do arqueiro —
dobrando a corda do arco
para trás da orelha.
Unhas vermelhas
junto à orelha, um ramo de pétalas húmidas
e brilhantes.
E o seu olhar azul e ganancioso,
que se move veloz para os lados como uma vespa —
Que ele o proteja.
2
Sacudido, ele se agarrou
às mãos deles,
afastado, ele se agarrou
às barras de suas vestes,
rejeitado, ele se agarrou aos cabelos deles.
Quando caiu aos seus pés,
Se recusaram, agitados, a olhar.
Embora cedido, envolveu as meninas
de olhos azuis lacrimosos da cidadela de Tripura.
Não foi um amante pego traindo,
mas o fogo das flechas de Shiva —
Que ele queime suas imprudências.
3
Cachos frontais despenteados
brincos espalhados
gotas de suor manchando a sandália
pasta na face —
agora olhos se fecham enquanto montada em seu
companheiro ela termina.
Que o rosto desta senhora o proteja.
Vishnu, Shiva, Brahma,
os deuses
não significam mais Nada.
4
Com o lábio delicado mordido, ela
agita os dedos alarmada —
sopra um feroz
não ouse e suas
sobrancelhas se enrolam qual uma videira.
Quem rouba um beijo de uma
mulher orgulhosa que brilha os olhos
bebe amrita.
Os deuses — tolos —
pulsam o oceano por
Nada.
5
Tremendo com o amor acordado,
eles disparam,
depois se contraem em dois botões úmidos.
Por um momento, se olham descaradamente,
por um momento brilham com timidez indireta.
Querida garota, tão ingênua —
para quem você olha
qual se o feitiço febril alojado
em seu coração
tivesse corrido para teus olhos?
6
Por que chorar em silêncio,
limpando
as fúcsias de raiva com as unhas?
Quando excitado por fofocas baratas, esse acesso
fica totalmente fora de controle,
seu amante vai
se cansar e ficar sombrio e indiferente.
Então tuas fúcsias vão romper
ferozmente,
fora de mando.
TRAD. ERIC PONTY
ERIC PONTY POETA-TRADUTOR-LIBRETTISTA

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