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quarta-feira, janeiro 07, 2026

PARA ELEITA DESCONHECIDA - SONETOS - FRANCESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY

Vocês que ouvem em versos dispersos o som
daqueles suspiros com que eu nutria o peito
no meu primeiro erro juvenil,
quando era em parte outro homem do que sou,
do estilo variado em que choro e raciocino
entre as vãs esperanças e a vã dor,
onde há quem, por exame, abranja o amor,
espero deparar compaixão, não perdão.
Mas vejo bem agora como para todo o povo
fui por muito tempo uma fábula, por isso muitas vezes
tenho vergonha de mim mesmo;
e do meu delírio a vergonha é o fruto,
e o pesar, e o saber claramente
que tudo o que afaga ao mundo é um breve sonho.

Para fazer sua graciosa vingança e punir mil ofensas,
Amor secretamente retomou o arco,
como um homem que espera o lugar 
E o momento certos para causar dano.
Minha virtude estava restrita ao peito
para fazer ali e nos olhos dela suas defesas
quando o golpe mortal desceu lá embaixo,
onde soia brotar cada flecha;
porém, perturbada na primeira abordada,
não teve tanto vigor nem espaço
para poder pegar as armas, se necessário,
ou mesmo no cume alto e fatigante,
retirar-me prudentemente do tormento
do qual hoje gostaria, e não posso, livrar-me.

Era o dia em que o sol se desvanecia
pelo dó de teu criador, com os raios
quando fui fisgado, e não me resguardei,
pois belos olhos, Senhora, me prenderam.    
Não me pareceu tempo para me proteger
contra os golpes do Amor; por isso fui
seguro, sem suspeitas, de onde meus problemas
começaram nesta dor comum.
O Amor me achou inteiramente indefeso,
e abriu a passagem dos olhos para o coração,
que são porta e passagem para as fúcsias.
Por isso, no meu conceito, não foi honroso
atingir-me com uma flecha naquele estado,
sem mostrar o arco armado para defender de ti.

FRANCESCO PETRARCA - TRAD. ERIC PONTY

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