E se bastassem os apelos, desses poetas tristes.
Será que da noite para o dia estaríamos livres?
Emille Rocha
Abri meu poema como quem abre a página
carcomida de um jornal por demais folheado
e agora por acaso me lembrei do velho Franz,
homem digno e sapateiro judeu em Viena
que não conheci, talvez pudesse eu tê-lo,
abraçado como um jovem admirador;
mas lhe levaram de trem a sua revelia.
Eu argumentei mais cedo com o velho Jacó
que o deixasse ir de trem para aquela parada,
este me disse que Franz nunca tinha viajado,
era por demais apegado as coisas da província
e que eu parasse com minhas argumentações.
Abri meu poema como quem abre a página
carcomida de um jornal por demais folheado
e agora por acaso me lembrei do velho Franz,
eu lhe disse para que este largasse o anjo,
este respondeu que não faria até abençoasse.
Para o final deste século deveríamos estar
Sentados olhando o crepúsculo ao longe,
soturnos, sem palavras evasivas, sem lágrimas
como na morte de um ente que se vai...
ERIC PONTY

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