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domingo, julho 03, 2022

VARIAÇÕES DANÇANTES - ERIC PONTY


AO MEU PAI, VICENTE VIEGAS


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Ao que olhar meu coração, Amor meu,
Aonde que só pensava que do Amor,
Sê apareceu, e, movi eu em sua honra,
Com fronte referente minha mente.

Apenas de meu estado deu-me conta,
Voltou-se a mim demostrando tal dor,
Que me abria fronte, cega no seu furor,
Depostos armas, e, sua irã violenta.

Me recobre então ela dizer das dores,
Sê foi com essas palavras não há cor,
Nem dessa sua vista ao doce centeio.

Tantos prazeres custam alma minha,
Em tais, tua saudação olvide-me, te,
Que desde então tu com dores me vieste.

Ll

O par que não tem pelo porquê calva,
Por demostrar apelo arrancar velo,
Justo arrancar o cabelo custou,
Porque dizem que nesta terra dava.

Porque o queria ter pronto pecado,
Donde o provedor gentil tudo vê,
Quer despenda com a mão perderam,
Concorreram fez temporal no par.

Sê para o pecado carnal atrás rio,
Este é o bom estado purgatório,
Carregados se perderam na lábia.

Responda-me sê todo o honrado,
Ao não querer não faz sê lhe alarga,
Que como concorreram coração.

lll

Teu nome é infinito – não se funde,
Não lhe haver passado ou de futuro,
Tua efigie existe interligada.
Ao do que antecedeu e o sucede.

Teu nome é infinito presciente Adão,
Na sucessão acontecimentos nasce,
É o que venha sendo àquilo não seja.
Mas resulte antevisão do Paraíso.

Na indizível dimensão – Nada me diz,
Nada além dum passado ido e lido,
Sendo antecedeu à dá que sucede...

Vou sem que além amante nada seja,
Por ver do busto à condição final,
Por ver quem serve, lá dentro já esteja.
ERIC PONTY

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