quarta-feira, agosto 22, 2012

Exercícios Gramaticais da Criação - Eric Ponty

 Den Wein, den man mit Augen trinkt,
Gießt Nachts der Mond in Wogen nieder,
Und eine Springflut überschwemmt
Den stillen Horizont.
Mondestrunken - Albert Giraud
Percebo o retrato devasto
ouvir-lhe submerso em mim
fala de tão além ao olvido.

Talvez sejam gemidos, coisas,
clareza arbusto sobre o poente
manhã ao prado em chamas.

Lembro-me ermo daquela
família, os gemidos noturnos,
sons das sombras dos corvos
ressoando sempre oco coevo.

À colher girassóis do infinito
tentei inútil pô-los em vaso
doá-los aos terrestres à aragem.
Desinício não existiu precipício. Lançaram-se metáforas e sílabas. As estátuas há muito estavam enterradas dos olhares terrestres. Ao renomear-se firmamentos campestres. Eram sem configuração sendo oca havendo véus semblante abismo ao constituir-se agitava sobre semblantes regas. Pronuncia-se à luz; havendo luz. Fulgor desfez separação do brilho dos abismos. Avocar fulgor Dia às trevas avocou à Noite. Jazendo tarde e manhã no dia primevo. Havendo ampliação meio das regas, isolamento entre regas e regas. Extensão, isolamento das regas embaixo da extensão regas jaziam sobre á dilatação; decorrida. Atraindo à extensão firmamentos, à tarde e, à manhã, o dia segundo. Ao juntarem-se regas abaixo firmamentos recintos; abrolhou-se pedaço estéril; desfez avocar à porção estéril terrestre; à adesão regas avocar pélagos; intuindo ser acertado. Lançar terrestre erva imatura dando semente, árvore frutífera ao fruto segundo a espécie terrestre da semente. A terra brotou erva abrolhando semente acedeu à espécie, árvore frutífera da semente idêntica à espécie; adequando-se intuindo ser. À tarde à manhã, o dia terceiro.  Possuindo astros extensão firmamentos, união do dia e à noite; sinais tempos originados dias e anos. Luminar expansão firmamentos iluminou-se à terra ocorrida. Desfazendo dois grandes luminares: Luminar maior governar o dia, luminar menor governar à noite; reconstituindo acasos. Expansão firmamentos iluminou-se a terra, governando o dia e à noite, desfazendo separação fulgores trevas; perspectivando bondade. À tarde e à manhã, dia quarto. Brotando regas fartas, répteis alma vivente; voejando pássaros, face extensão firmamentos. Grandes feres toda réptil alma vivente regas abundantemente segundo espécies; pássaro acedeu-se à espécie sagrar-se, brotar. Frutificar ajustar, abarrotar regas oceanos; pássaros repartiram terrestres. À tarde e à manhã, o dia quinto. Brotando terrestre alma vivente idêntica à espécie; gado, répteis, feras terrestres segundo à espécie. Perpetrar-se homem à nossa imagem acedeu à semelhança; domando peixes marinhos, pássaros atmosferas, o gado, sobre toda á terra, réptil locomotor á terra. Homem à imagem: à imagem o instituiu; homem e mulher se instituíram. Repronunciar: Refrutificar Redividindir, Repreencher à terra, sujeitando-a; redomando peixes marinhos, pássaros firmamentos, todo o animal ofegasse terrestre. Dada toda erva dar-se semente á face terrestre; toda à árvore, fruto semente, ser-vos-ia o mantimento. Todo animal terrestre, todo pássaro firmamentos, todo réptil terrestre, alma vivente, toda erva imatura sustento; Tudo quanto haver eis ser adequado; à tarde e à manhã, o dia sexto. Firmamentos terrestres todo constituir-se apurado. Conter consumido dia sétimo do fruto se perpetrara, serenando sétimo dia toda à obra, incluía o ser em deleite estar ansiar aguardando à beira da passagem, donde Tua sombra abisma fulgor marulho tangendo além às regas descidas às vésperas do verão. Mensageiras celestes notícias olvidadas saudar o caminho. Triunfa o hálito vibração terrestre ao incidirem longínquo horizonte. Desfaz-se à aurora crepuscular noturna fixando-se. Há acercar instante, o instante Perspectivá-lo. Enquanto se aguarda, tange à canção bêbeda,se aliciando versos de carcomidas canções apócrifa. Preenchem-se o ar à promessa perfumada brotar às sombras estátuas ausentes enterradas areias. É expectativa regressarem anoso fulgor donde pássaros terrestres dimanavam de aragens pousarem ombros em Odes olvidadas.

Ente nato da mulher vive breve era,
redil  muitas disgras; qual à flor sai
pisada evade à sombra nunca perpetua
afeto digno olhar olhos como tal? Se
juízo carece trazer sizo? Imundo fará
liquefeita à graça pura? Senão só Tu,
breve são dias homens demarcar-Te
limites espera na esfera. Alba tem espera
volve abrolhar às raízes não forem más.

Pobre ente fenecer, o ser mineral,
é água do mar estéril, fatigadas mágoas,
portanto homem não abrolha noutro dia,
do céu não for finado olvidará à margem.

Selam-te saco delitos não curados é
minha Iniquidade. Monte desfaz varrendo
o lugar. Águas escavem pedras, á terra
roa limos; homem nunca se perpetuará.

Urge agora volte aos terrestres, diga-lhes,
árvore da vida do meio Paradiso, pulsa
bem e o mal; sítio abrolham delicias,
sorve um rio emana quatro braços,
comer frutos; menos da árvore da vida!

Sucinto retorne dias, horas, séculos,
perpetre silente silvar de Érebo, Homero dê
sucinta permissão ceifar lhe os Deuses,
Ovídio possa afinal retornar Roma antiga,
Virgílio conduza à terra animais terrestres,
Safo renascida Vênus, Platão não exclua,
Sócrates vomite à cicuta, esvaneçam pagãos,
casta Medusa seja perdado os pecados,
árvore da vida no meio Paradiso, ofega
bem e o mal, do sítio brotam lhe delicias;
se não há tragarmos; compreenderíamos?
Romãs ou das peras sucumbem na relva,
grisalho são pelos do primo diálogo,
pequena flor Eva se expõe folha ulva,
é cálida foz tez vassalo análogo.

São vasos, à mesa, compõe-se retalho,
fazem-lhe acalmado, vertigem detalhe,
desdá-lhe do pálido vão dá trabalho,
estorvo romã dando calma no entralhe.

Análise vê rebotalho do hálito,
terrestre do estorvo no pálio habito.
qual galho azaléa vendálico chão.

Badalo paz sino tangendo manhã,
estalo dá tarde em itálico vão,
presságio farsálico vê-lo desvão.
My Funny Valentine
adverte se ela oblíquo
som e ritmo dos carros
agitar folhas das árvores
conversa sutil, amarga
da manhã e o poente.

Olhar trazia comicidade
matizes irretratáveis
da obra de arte rara
quase figura elide grega
múrmuros insípidos
quando ousa expor algo.

Na memória há música
tangem todos terrestres,
ali passaram, em flor,
exaustos girassóis infinitos.
Aos seres veros, ser toar si mesmo,
pasce vertente, do imo rubro próximo,
despe na via que envolve de mais pleno,
dá- lhe oferta eco minha voz de Zeno.

Sombra de seda, tez alba diurno,
atear-me dança calma do soturno!
Sombra do legue efíge faz ramagem,
terrestres põe-se fronte da linguagem:

São meus pecados visos estimados,
quais remissões se pendem ruído medo
fundir se aterra pasce ósseos dos lados?

Fagulha faz trespassa de ausentados.
réstia soberba plena traz folguedo,
estilhar-se terrestre à voz fartado.
Silente Érebo foz de morredouras das almas,
que ajustamento faz olvido remotas calmas,
poderio tangido urge em cruzes sombrias luzes!
Treva bucólica, Ode entre de imensidões,
pascer coloquial torre em perpetra mansões ,
latejarem-se credo entre casarões cruzes!

Do precipício do hino a terra repousar,
são meigo do puro ermo eterno silenciar,
quadra templo ressoar-se qual eco silente;
 qual pureza do som tangido errar zelado,
do extenso bramir som, material fardado,
paz melancolia tons de eterna enunciatária!

Plácida centeia casta erma da anunciação,
vácuo silente azul brandir branca criação,
recoberto tinir de falas inzoneiras;
Silente ao salmo brio, à memória farsante,
da orgulhosa da treva erma abato distante,
estão afligido céus no pingo da palmeiras.

Cânticos candidez brado cume dos sinos,
ingênuo desdobrar dos timbres castos pinos,
dedicados à jaz maior adoração,
bradam remotos sins das suaves tiranias,
brilhando eterna à paz qualquer das serranias,
Oh Tempo douro luz torre serena ação!

Tangido espanto tom emanação fartura,
cantarolar do cobre à trespassada pura,
de estrondosos dos sons em d´ondas do marulho,
desfigurados tons malícia ressoam salvas.
de consumidos tons veste brônzeas das alvas
se perpetrando sons entorno dos barulhos.

Que depois, pobres, foz nobre em estranho, dobres,
qualquer nuanças que ainda sob brônzeos dos nobres,
liberta-se grilhões enternecidas vozes,
torres do tempo só errar-se erram da terra,
vera fé céu gentil das contrições à serra,
timbrado metal do eco em elemento às gazes. 
Nos seios pronome
obteve mais bela
surpresa avidez
daquela dum nome
fel costume dela
dum cisne trocado
pintando na tez.

Dos seios têm glória
de quem sobre dorso
se despir da fala
tremer-se formosa
pele melindrosa
aponta segura
sulco ria alvura.

Também quis profundo
ainda olhar fundo
encantando assim
pele de tão rara
tempo rosa inunda
transpuser dos seixos
terrestre zombar.
Arlequim! Alteia-me véu
ao ser olvidado altar!
 
À efígie acesa conduz
evanesceu, se esvaeceu
por alvas vertentes
jaz padrarias das gentes.

Ocre é bandeira semeia
agora meu vitral azul
brilhar nos olhos terrestres.
 
Arlequim! Alteia-me céu
ao ser olvidado falar!
 
Ah, por favor me restitua,
vestuário carpido da calma,
peralta aragem mais alta
o céu alteza se fez soar,
Arlequim, alteia-me ao léu!
Manhã descompassou-se da tarde,
porquê tanta alvura, se no fim afigura,
zelo quem amanheceu com fissura,
abrangendo com langor  a formosura;
mas, quem te adura em tal largura?

Á janela perspectiva adentrar fenestra,
terrestre ser de languida  figura,
atura às cores brandas verve da cura.

A beleza não abrolha qual à flor,
padece tanto langor ao carpir à dor,
é pura inveja olhares campestres,
marmórea é à consciência da essência,
não são ditos senhores do sítio ditaram
despetalado caule abrolha finisterra
antes havia à terra, estes ao replicar
junto a Érebo sentença detença.

Abalo diário, adornada nuvens,
pulsando alma aflito mortais
incrédulos advertiram espécies
abjurando à alma os acuda
vocábulos murmulharem
nome se infligia pugna a alvura.

Frágil quimera ignorar unicórnios
há sol, olhos, espasmos aurora
olhar seguro escorreu ao poente
cores eivadas habituais.

Vestes soturnas ritmos estrelas
à memória inequívoca névoa
à réstia erma pisada árdua.

É por sinal, languida, campestre,
ergueu-se a tez tecida à noite
prediz sombras não abandonem,
sortilégios às nuvens
clama à alma dos deuses
extintas rezas  aurora à janela
induzam consigo ao passear hirto
acordo dos terrestres.
É do Lácteo do espanto de tão azul,
que anseia negrume léu sua agonia,
do hálito predas pontes já tão entregues,
serena imagem dura paz perpétua.

Prodiga à margem já tão tardia horta,
recordado negrumes dos pascentes,
se reparando cume dum lavor,
flores descem dilúvio meio azul.

Orpheu assoprado da tarde procela,
aos terrestres lamentos os findados,
qual essência à existência do ultimado.

Que ainda vai acolher florente prado,
solitário pássaro céu sombrio,
passarem os gemidos aís candentes.

Pensando, quem se salva,
brancas folhagens aragens,
alguém articula à voz sem ódio
ilusão pascida degredos,
lavra trespassa dedos à folha
dentre dum e dum outro arcabouço
pascendo-se à dor traída,
sombra quem se sabe aloca,
alva graça versejo terrestres,
diferença, o desgosto, terra,
suave adensa, luz frestas
traz o esboço sem florejo
sombra agita folhear-se
folhas sépia ensaio
colombina faz desmaio.

Quiçá alvo fulgor vespertino,
manando folhas repassadas
daquela ponte curvada calma,
à passagem, perene à luz relva,
transluz fremida suave pascer encostada...

Quiçá perpetre sombra intrusa,
perspectivando-se esboços,
densos poucos se expandem,
perspectiva, encerre desenho,
passando fluir leve à folha,
saltitante luz  intensa
da columbina sem Pierrot.

Esboço desenha á folha ocre,
advindo voz trespassado
quiçá algum profundo veneno,
novo recante ardor puro
vasta alma ansiada esvanece
desvanece à relva da calma....
Envolvo murmúrio silente
amor perpetra. Os corpos
tonalidade pálidos sons
depreendidos cantados.

Sentimento terno amante
dedos jazidos às estrelas
fugidas ternas soçobradas 
á eternidade era.

Um dia, enquanto sol
punha-se meio dia ombros nus
mares maresia embriagar-se
de quem se inibiria. Pisando
águas passos quase nova ciência
murmurem à brisa brincalhona
solvendo sons depreendidos atraídos.
Terrestres do quieto prados flores,
a fonte d´água se olha mortas dores,
tão mansamente passa em floreios
dando contornos cedros pradeiro.

Sua canção dão cantigas tão soturnas,
dos anelosos sóis tensos tarde,
são emoções tão suaves dos alardes,
tez gentil da palmeira abre-se urnas.

Frágil tensão traz luzes dos ausentes,
dão seus brios abrigar-se dos tons cores,
enevoada à luz nuvem pascer d´águas.

No verão terra alude prantos mármores,
densa neblina nasce traduz gentes,
fazem sina azul paz passados mâgoas.
 
Pise com os pés à memória
sorva juízos
vinho há muito retido
cada gole sorvido
ritmo destilado
vinho amado.

Beije sorve copo de vinho
o corpo à embriaguez
destilados lábios da amada
sussurros manhãs poente
quanto infinito ela passou
em girassóis de Van Gogh.
Girando gira gira gira gira gira,
rodando gira gira gira gira gira,
flanado gira gira gira gira gira,
sofrendo gira gira gira gira gira.

Acordar gira gira gira gira gira,
padecer gira gira gira gira gira,
fenecer gira gira gira gira gira,
surpreender gira gira gira gira gira.

Laborar gira gira gira gira gira,
compreender  gira gira gira gira gira,
despedir gira gira gira gira gira.

Conservar gira gira gira gira gira,
terrestre gira gira gira gira gira,
Ah Van Gogh; gira gira gira gira SOL.
Lua atordoante, aurora rumor,
lançar boa súbita dor majestoso,
globo despe no chão charco faustoso,
elevar-se na dança, à veste amor.

Ágil nobre raio limpidez sacra,
que terra chacra crispa aos delirantes,
lívidos olhos céus divos errantes
alvura abisma fogo olhar se lacra.

Brilho... Pois à noite! Fugaz bela
de olhar bruto, tez repente tescida,
não revê-la senão imortalidade.

Alguém além daqui! Lua nos revela
ignora donde parte ser vestida
ser tinha nos olhado, só cidade.
Adentrar foi a treva naufrago contudo,
olha sobreveio suas costas fundidas,
daqueles a quem sorria no fim do dia,
tez nenhuma mais lhe perfilha confia,
quando silente tremor causa pavor
somente às sombras comparecem.

Tanta desdita por vales longínquos,
murmulho olvidado das serranias,
gente ronda à voz miserável,
pranteio grito ser desconhecido!
Agora caminhante é simples na Lira,
doido, servil luzes parvas horas,
confuso sozinho clama à urtiga,
suaves melodias viris da cantiga.

Talvez se rompa amanhecer outrora,
morrer não é desdita da fronte;
quiçá olvide-se às vozes de outrora
amanheça na serpe aflora agora,
por elas, adentrando as trevas,
zingram silentes soluçados horas,
ansiará de Eurídice na fidúcia.

Pintores, artistas, juntam às gentes,
quando tudo em ti era foz ardente,
depressa olvidados até confiança;
memória padece também em atributos,
levando consigo a bateia das dores.

Não clamam silentes apenas as almas,
mais destemida amante mais forte,
também ela, um dia pranteou à agonia,
contemplando à morte é sua sorte,
somos daqueles padecemos às réstias,
mereceram-nos, contudo, a confiança.

Adentrar foi a treva soçobro contudo,
olha sobreveio as suas costas fundidas,
daqueles a quem sorria no fim do dia.

Por ti quem clama, por ti quem chama,
esvaída sorte sustêm-se pena da morte,
tombado ouve às sombras dos pássaros,
algaravias não roem quais aqueles dias,
na esquiva batalha terrestre à treva,
conduz as ações, reedifica sua lira,
por onde é sua voz miúda se esgalha?

Ilusão gera estranhas paragens às margens,
contra muros adobe somos Quixotes,
supliciados clamamos deuses ousadia;
mas, deuses há quem clamar à pradaria?

E, às sombras delineiam-se longínquo mundo,
perpetram clamores expressos roer à calma,
compõem melodias, sonatas, danças, sinfonias,
para àquele mata empenho adentrar fundo,
serão segredos, desvelos chegar-se destreza;
quem confia alarde foz alvas caveiras feiras,
quem suprisse promessas vãs redor da certeza?

Que horas medonhas são essas surge das margens,
lúgubres passagens mediaram aragens aos pajens,
quem irá colher futuro amargor preso ao muro,
àquele lhe condena à pena aprova sua descida,
de que é composta à alma; quantos sufrágios,
quantos algozes crivam-lhe à espinha empina,
contudo, somente tu, conheces secreto desvelo,
está contigo penas pedras, roem-se serras,
reduz-se à vertente dum parvo contingente,
aborda dos fatos, e, embustes da algibeira,
conjure às sombras amor eterno desvão,
silente sabe, à memória, Eurídice o conclama,
não diga jamais a desdita serpe esvaneceu-a,
línguas vis sabem à sorte de Job, olvida lhes,
não temas, Eurídice é a consorte, forte seja,
adentre espelha nas sombras à sua morte,
intua Eurídice ali pronunciar-te sorte.
Perceba além-imagem
sente? Amor além do amor,
luz advindos céus! Parco abismo.

Maturidade não advinha. Murmúrio
desprendem quando menos lhe ouve,
sinal alçou à exasperação divina.

Céu clama-se aos deuses
não acompanhe tosca jornada.
Mas não admire abraço à sombra,
estar presa aos terrestres
impõem-se raízes.

Tristia Ovídio apregoou à tristeza,
terrestres não desprendemos
do sitio afagamos geografia
por isso tecemos pássaro
decaímos sobre o mar Egeu.
Já se olvida toar de Orpheu,
ainda vai longe em sua Lira.
Será passando nas serranias,
despe melodias da agonia?
Será por uma sombra encantada
toar, na aurora faz epifania?


Eurídice! Eu lhe disse!  Eurídice!

Já se olvida toar de Orpheu,
pela terrestre dimensão.
Alguém dormindo pode ouvi-lo
nas silentes cortas de sua Lira?
As sombras espiam das torres,
olhos arregrados raízes das árvores.

Eurídice! Eu lhe disse!  Eurídice!

Já se olvida toar de Orpheu,
saudade se faz toar no horizonte,
os mortos daquelas águas, mágoas
almas espiam terrestres distantes.
cada vida vivida, vida sonhada lida,
absurda Lira toa à terra desarvorada.

Eurídice! Eu lhe disse!  Eurídice!

Já se olvida toar de Orpheu,
por onde Lira passa encanta à graça,
estrelas longínquas murmulham,
libertai-nos da celeste imensidão,
mineral, homem tornar-se ao lírio,
regendo a lucidez veneração?

Eurídice! Eu lhe disse!  Eurídice!

Já se olvida toar de Orpheu,
Lira corta a neblina, toa desarvorada,
lembrança miúda coisa apavorada,
saudade grado som passado à Lira,
remexida terra agreste caminhada
mar revolto geme ao ouvi-lo à pira,
clama rugindo ondas alvorada.

Eurídice! Eu lhe disse!  Eurídice!

Orpheu, como é possível penar,
pelas errantes terras campestres
remoto do tão longínquo amar?

Eurídice! Eu lhe disse!  Eurídice!

Vinho renova se liba,
enlurada despeja luz
maresia alaga aos terrestres
tranquilas penugens horizonte
alumiados por tanta prata.

Anseios, funéreos e meigos,
manam incontáveis às regas
solvendo terrenos aclives.

Poeta levado à piedade,
roído  benzido licor,
céu aboca visão esparzida
vibrando tragado sorve
vinho olhos embebecidos.

Vinho olhares se deliba,
alastrar-se lua ondulada
faz cantiga aos passantes.
Memorável, é tangência
inolvidável, coevo ou alheio
imagem se explana de mim
ruas e avenidas visitadas
silêncios eu coleciono.

Você canção amor nunca assoviada
terrestres lhe ignorem
em melodia lhe dê ritmo
coisas irrestritas intangíveis.

Inesquecível, aspira ao tempo
E, sempre, nele o tempo ficará.

Não é estranho alguém
ache-se também memorável
queria recolher-se junto à mim
meus silêncios, os meus girassóis.

Nunca nenhuma outra época
alguém memorável, todas às coisas
há coisas apenas pode recolher
às sombras ateadas árvore
ao infinito.
Nada, nunca viver jamais aparte,
arde pequena foz traça à figura
vai-se pascendo: ideia ser doçura
folheação do mar, águas brilha alarde.

Sútil dos mil dos ídolos nascer,
estatura dá faísca, veste encanto
Zeus brilhante dá salva sido ter
à foz atravancar bosque pascer.

Crer refletir-se contra à manhã triste;
densa, repleta selva escura treva,
aprisionado com ela, por cura.

Na neblina, tulipa, terra alvura
são terrestres monção dos nós assiste,
em voz meiga brancura colina Eva.
Não forjo aferir teceram
com lábios quando dos beijos;
nem te beijo para quê, com beijos
seus, furtam-se de mim o desejo

tudo me beija em ti. Beija-me
olvidou-se fundo Bem Te vi
quando me beija tudo daquilo
beijado foi e ascendeu de ti.

É intensidade dos seus lábios. E
quando neles me perco quero
nunca pronuncies outra som

do que me beija é do que deseja
não sei se dos seus beijos soam,
quando aos beijos fico assuntado.
Por quantos homens advieram
fortuitos frutos? Adiantaria colher
um a um dos pecados? Inútil
desamarrar uma a uma amarras das horas.

Não arranjei tecer-lhe fio princípio
alçados dedos rendidos,
renderam. Fios eram presos
tempo entre árvore sabedoria
e a víbora despe se investe
carcomendo fissuras horas.

O tempo tecido: Suave brisa
caçoando à passagem sonoras
o mel dimana leito,
quando olvidando-me
ausência ruminava amarga
cantarolar penumbra
teceu-se além das cinzas.


Terrestre passo ao fim poça mim mesmo,
ser de advindo voz do suspirado,
vivendo para quê? Todos dão divos,
filhos perfeitos feitos, filho Sol.

Pascendo minha voz serras veredas,
minha vida de quê valeu? De quê?
Meus direitos intelectuais? Fendas?
Além de ser à vítima á policia?

Oh Apolo! Por que minha negação,
porque destruição ente ser meu eu,
porque tenho ser Pierrot  Zeus tantos?

Por que defender à arte custa à lida,
campestre abordo ao fim poça mim mesmo,
alienado fui mais valia labor.

Como se Érebo não fosse cume,
perfazendo às retinas da rotina
olhar obliquio se supõe em susto
qualquer terrestre não obreia
sagaz tolo margeia; só neblina.

A morte é o fim nos conduz confim,
Donde está? Que diz? Quem falou?
louvor secreto ausente por decreto?

Orpheu com à lira se supõe Deus, mas
sofre coisas vils serpes terrestres,
olhar do aroma se expõe das flores.

Ali, no chão, efígies campestres,
serpe passa relva desdouro do ouro,
graças à ela posso voltar Eurídice!
No Cosmos, eu estarei tão contíguo? Se raízes,
transcorrem-se terrestre entre junquilhos astros,
faz selvagem fatal na fronte  alergizes,
até cursarem ser alvoradas de adestros.

Ah dor, quantos passagens abeirar-se Tejo,
é comoção que me ermo errante situação,
abraçam grãos dilúvio entre voz regozijo,
não amanheceu se ainda buganvília pão.

Que conosco trazíamos verde tempestade,
flor manhã confundidas tão cedo se evade,
aterra de que hasteia aperfeiçoa-se féretro?

Falar flâmula emula flama em Pentecostes,
dá desembocadura nas chamas das hostes,
julgar-se que apartados meio quilometro.
Gozo em ti algo súbito consome
dando corpo, sôfregas vozes!
É quem mutação esvaem-se frutos
colhidos árvore dores habituais.

Vêm achega-se! Olhe horas fugidas
ousa pisar relva da serpente
ela traz sibila daquela doença
gozo é ciência infértil horas.

Dança, corpo... Não reflita sobre ti!
Aqui colo da amante induz paraísos
néscio presente de erma causa
carpe sapiência ilusões em visões.
Pelo corpo em às horas se cortam,
pelo corpo as flores floreiam,
pelo corpo a treva se aninha,
pelo corpo me corto solitário,

Esse corpo carpido vereda relva,
manhã desnude-se o solstício,
dos pássaros se finjam nuvens,
pecado não aflija à carne etérea.

É no abranjo quando à noite encobre,
silêncio coisas coligida aurora
dores perpetuadas e não proferem:
Nada- eu aspiro -  é menos acautelado
da divina palavra assobrada, Eva!

Pode ser fruto tantas vezes mordido,
daquilo padece, a seiva impregna,
corpo ter se olvidado entre flores;
nós regressados hoje em girassóis.
Por ti se nobilitou amor tanta fartura
humano, que senhora não pasceu desdenhou
se perpetrar de quem te contemplou fundura,
alegria desenvolve escorço projetou.

Na fonte seu o amor faísca se aviventou,
e ao seu pendor, se faz surgir da eternidade,
da origem zumbe dor pedra assim se domou,
pleno temperamento da queda-d'água idade. 

Há fortaleza em ti, duas almas fazem dança
quem quer sem ombros e braços voem do cabelo,
de quem condão se almeja em ti fez sem fiança.

Meridiano fulgor maldades da quietude,
que do céu se converse monte de esperança,
aos terrestres ao chão, humanidade ilude.
Escorço efígie põe felpa ensejos. Sumo
arcabouço vincula fruto perene causa, Sorva-o,
sorve-se à paragem maré, liquefeitos descreveres
fluídos por meio dias nuvens tecidas à brisa.

Extinto Se rende toda à graça acamada ao rosto
jornada abarcou a desviar-se às trevas
júbilos de alegria.
É turvo o silêncio ausência carrega!
Carine apodo risco retrato ou concepção,
traz feição de que abrolha entre clima comida
confissão casta; verbo amanhece dição,
despe verão soluça à luz permanecida.

Surgem desenho correm em estátua faceira,
cingidos por enxames de abelhas aspecto,
percepção feitio dão clareza cruza beira,
limão rodea timão calcinada luz teto.

Oh norma destapada sob alva macieira,
penal feitio olvidada fragrância madeira,
nos compartilha ardor da estrela som soturno.

Oh abismar logro foz abrasadora hercúlea,
mas, aceitar dormir na tradição da gálea,
acirrar-me com olho adorno tão noturno.
Densa fumaça passa nos marmóreos,
calma mexe após brisa após aereos,
terrestres do murmuro luzes longes,
densas expandem céus vastidões monges.

Neblina toca em casas muito amenas,
tão lenta a relva esvaí adobes penas,
dança-se flores fortes antes sorte,
arredores permudas pedras morte.

Luz despe prado brio toando da aragem,
dá sutil traço sinfonia lhe traça,
por todo campo só se dança ar.

A neblina tão amena faz passagem,
passa-se flor em branca temperança,
é trespassado abril cor ofertar.
Nós conforta contemplações incansáveis
silente languida  visão, sermos à terra
conclamados pó esvaído lavrado chão:

Terrestres pisamos às relvas campestres
sibilamos á culpa Adão; desfiguram-nos
hímen do poente às larvas das trevas
olvidados espírito pervertemos à aurora
frágeis  os gestos de alçar à alba aragem,
efêmeros sem passagem iludimo-nos
por ser efêmera matéria látega
brindamos à mare, acuda feição,
silvestre nus ornarmos às efigies
contar aos pássaros; pisem à terra
o céu não há  mundos críveis.

Exaustos vemos às muralhas de adobe,
convocamos às almas nos turbe,
foi por elas, nós traçar o espaço,
foi por elas, soçobrar às réstias e o cão,
sibilamos à dor em ornatos de flor,
fazemos músicas impassíveis,
rezamos aos deuses olvidados,
tantos nomes, às épocas, os ritos,
importância está milagre mineral,
partilha consome nome e labuta
inferno será alguém ausculta?

Na mente sustêm versáteis versos,
à fala Ovídio aos seres despóticos
lembrar-se-ão águas murmulhar
olhar Geórgicas de Virgílio
ensinamentos vulgo campestres
preenchendo mundo flores silvestres
do amor lemos Gaspara Stampa:
Da tanti e ta’ nemici restai presa;
né mi duol, pur che l’alma mia beltate,
or che m’ha vinta, non faccia altra impresa.


E pouco nos importa à tradução,
contido está cerne da eleição,
refugiados de horror e medo
tanger utopias, homens incríveis
desfazerem-se perfídia da era
nos apreensivos olhares ocos
de promessas nossas; não deles,
terrestres impõem à fala à chama,
incidem a coragem povoar à terra
quando nós só revela o coração.

Á mulher soçobrada pelos galhos,
carcomida aragem ardil das sazões,
umbigo, ventre, os seios, os olhos
ardentes por ela, saberão silvar nuvens
saudar -lhe  sempre à mente somente,
refugio desabrigados da sombra passagens
língua tátil alça versos bíblicos de Adão,
naufragadas serpes da ilha Medusa
demudando em mineral àquilo aéreo
etéreos terrestres mitigam usam ao chão.

Apercebo-lhe o retrato
tento escutar-lhe submerso
tão bem longe ao ouvido.

Daqui inútil arrisquei refutar
sibila sibilada á glória
frutos maduros perpétuos
princípio hão de fiar
das amargas rosas.

Caçador inútil em mim
colhi sons, promessas
perolas se esvoaçaram
amarga seiva de futuro.

À colher girassóis infinitos
tentei inútil pô-los em vaso
doá-los terrestres à passagem.
Eric Ponty

Nenhum comentário: