sexta-feira, agosto 04, 2017

O Cemitério marinho - Paul Valéry - Trad. Eric Ponty



Μή, φίλα ψυχά, βίον ἀθάνατον
σπεῦδε, τὰν δ' ἔμπρακτον ἄντλει μαχανάν.
     Pindare, Pythiques, III.

Telhado tranquilo, onde marcham pombas,
Pulsa entre pinheiros, entre as tumbas;
Meio dia justo compõe luz adeuses
O mar, o mar, firme tão renovar
Oh recompensa após si pensar
Um longo olhar para a calma dos deuses!

Quais puros lavrar fins raios consuma
Mui diamante imperceptível escuma
E daquela paz sempre conceber
Quando sob o abismo do sol repousa
Das Obras puras da eterna causa
Tempo cintilar e sonho é saber.

Erário firme, templo de Minerva,
Massa calma, e visível da reserva,
Soberba água, guardar olhar de ti
Como dormir sob véu que desta chama,
O meu silêncio ... edifício que na alma,
Mas enche ouro mil telhas, o teto. Ti!

Templo Tempo, só suspiro resumo,
Neste ponto puro monte e acostumo,
Tudo cercado por meu olhar oceano;
Minha suma oferta aos deuses aceno,
Semeiam de cintilação sereno
Na altitude desdém tão soberano.

Quão fruto derrete no prazer,
Quão delícia decompõe ausência ser
Numa boca onde forma está a morrer,
Fumo meu futuro aqui faz fumaça,
Céu canta à alma consumir aça
Da mudança rumor margem a crer.

Céu belo, vero céu, olhar a mim mudança!
Após orgulho, após estranha atença
Ociosidade, mas cheio de poder,
Eu me rendo espaços brilhantes abertos
Nas Mansões minhas sombras vão dos mortos
Quem me domar mudança frágil ser.

A alma exposta solstício destas tochas,
Apoiá-la, justiça abissal rochas
As Armas ligeiras sem da piedade!
Vós tendes lugar, pura inicial luz
Olhe para ti! .... Mas faça-se à luz
Me acho meio triste sombra igualdade.

A mim, por mim mesmo, a eu mesmo abasto,
Com um coração, fonte poema posto,
Entre vácuo e do evento se fez puro,
Aguardo eco do meu brio interior
Negro sonora cisterna, amargor
Tocando n´alma sempre oco futuro!

Sabes, falso cativo da folhagem,
Golfo comedor magras redes margem,
Meu olhar uno, fechos ofuscantes
Corpo me arrasta até o fim inerte
Que fronte chama chão ósseo solerte?
Uma faísca não pensou meus ausentes.

Bento, uno cheio fogo sem matéria,
Fragmento terrestre oferta à luz aera,
Lugar gosto, domina tochas empas,
Composto d´ouro, cedros negros, pedras
Onde tremor o mármor tantas sombras;
O mar fiel repousa minhas campas!

Cã esplêndida, descarte idolatrados!
Quando pastor Sorriso ermo alado,
Pastoreia mui, misteriosas das ovelhas,
Gado branco túmulos quietos gentes,
Afastadas pombas de tão prudentes,
Os sonhos vãos, anjos curiosos velhos!

Vir aqui, o futuro é preguiça laça.
Inseto claro arranhão seco alça
Tudo tostado, desfeito, torna ar
Já não sei da severa de tua essência
Vida é vasta, sendo bebeu ausência,
Amargor é doce mente, e aclarar.

Mortos ocultos estão bem na terra
Que aquecer seca teu mistério que erra.
Meio-dia lá, meio-dia, do imóvel
Si mesmo pensa é certo a si mesmo plena...
Cabeça finda diadema exato pleno,
Eu sou sua secreta mudança móvel.

Fez isso por mim do teu medo açoites!
Minha pena, de dúvidas, limites
São culpa de teu tão grande diamante ...
Mas, em sua grande noite toda em mármores,
Uma onda pessoas às raízes das árvores
Tomou o teu partido já lentamente.

Derreter ausência fundura flancos,
O barro rubro bebeu dos tipos brancos;
Dom da vida passou às flores lados!
Onde estão frases mortos familiares,
Arte pessoal, almas singulares?
A larva fia onde prantos que são formados.

Os gritos agudos cócegas das miúdas,
Olhos, os dentes, pálpebras molhadas,
Encantador brincar com deste fogo,
Lábios sangue brilhando que se rendem,
Últimas doações, dedos defendem,
Tudo vai terra e entrar neste jogo!

A Grande alma, tu esperas a sonhar
De que me deixará mentir cores ar
Olhar claro onda ouro fez aqui corre?
Cantarmos vós quando vaporosas
Foi! Tudo feito! Minhas vistas porosas,
A impaciência santa também morre!

Magra imortalidade negra e ouro,
Consolador horrível laurel douro
Que a morte fez dum seio materno
Bela mentira de astúcia piedosa!
Quem sabe, e de quem que se recusa,
Crânio vazio e esse riso eterno!

Cabeças desertas, os pais profundos
Que, sob o peso já tantas pás fundas,
É terra os nossos passos confundir
Correto roedor, verme irrefutável
Não sois dormem debaixo do dormível,
Viver a vida, ele não me deixar ir!

Amor, talvez, tu me odeias a mim?
Seu dente fecho é perto de mim
Todos nomes podem ele anuir!
Sejam quais forem! Vê, quer, pensa, toca!
Carne minha afaga, até minha cama oca,
A viver eu vivo a pertencer ir!

Zenão! Zenão cruel! Zenão d´Eléia!
Acaso fura seta alada ideia
Que vibra, voeja e que não voeja mais!
Som gera-me seta me mata fuga!
Ah! O sol .... Que sombra de tartaruga
Alma, Aquiles hirta grão passos mais!

Não, não .... Alçar! Em eras sucessivas!
Quebrar meu corpo, forma pensativas!
Beber, meu útero, o brotar do vento!
A frescura, do mar tão exalado
Faz-me minha alma ... Poder tão salgado!
Correr a onda jorrando ao relento.

Sim! Grande Mar delírios desdouros
Pele de pantera clâmide furos,
Quilíades de mil ídolos do sol,
Hidra absoluta, beber azul carne,
Quem remorso cauda chispando corne 
Tumulto quão silêncio do farol.

O vento erguer! .... Deve viver tentar!
Enorme abrir e fechar meu livro ar,
A Onda em pó ousou brotar rochas delas!
Esvoaçar páginas que ofuscavam!
Rompam, ondas! Rompa água que alegravam
Tranquilo teto donde bicam as velas!
Tradução Eric Ponty
Le Cimetière marin
      1920
Μή, φίλα ψυχά, βίον ἀθάνατον
σπεῦδε, τὰν δ' ἔμπρακτον ἄντλει μαχανάν.
     Pindare, Pythiques, III.

Ce toit tranquille, où marchent des colombes,
Entre les pins palpite, entre les tombes ;
Midi le juste y compose de feux
La mer, la mer, toujours recommencée
Ô récompense après une pensée
Qu’un long regard sur le calme des dieux !

Quel pur travail de fins éclairs consume
Maint diamant d’imperceptible écume,
Et quelle paix semble se concevoir !
Quand sur l’abîme un soleil se repose,
Ouvrages purs d’une éternelle cause,
Le Temps scintille et le Songe est savoir.

Stable trésor, temple simple à Minerve,
Masse de calme, et visible réserve,
Eau sourcilleuse, Œil qui gardes en toi
Tant de sommeil sous un voile de flamme,
Ô mon silence !… Édifice dans l’âme,
Mais comble d’or aux mille tuiles, Toit !

Temple du Temps, qu’un seul soupir résume,
À ce point pur je monte et m’accoutume,
Tout entouré de mon regard marin ;
Et comme aux dieux mon offrande suprême,
La scintillation sereine sème
Sur l’altitude un dédain souverain.

Comme le fruit se fond en jouissance,
Comme en délice il change son absence
Dans une bouche où sa forme se meurt,
Je hume ici ma future fumée,
Et le ciel chante à l’âme consumée
Le changement des rives en rumeur.

Beau ciel, vrai ciel, regarde-moi qui change !
Après tant d’orgueil, après tant d’étrange
Oisiveté, mais pleine de pouvoir,
Je m’abandonne à ce brillant espace,
Sur les maisons des morts mon ombre passe
Qui m’apprivoise à son frêle mouvoir.

L’âme exposée aux torches du solstice,
Je te soutiens, admirable justice
De la lumière aux armes sans pitié !
Je te tends pure à ta place première,
Regarde-toi !… Mais rendre la lumière
Suppose d’ombre une morne moitié.

Ô pour moi seul, à moi seul, en moi-même,
Auprès d’un cœur, aux sources du poème,
Entre le vide et l’événement pur,
J’attends l’écho de ma grandeur interne,
Amère, sombre, et sonore citerne,
Sonnant dans l’âme un creux toujours futur !

Sais-tu, fausse captive des feuillages,
Golfe mangeur de ces maigres grillages,
Sur mes yeux clos, secrets éblouissants,
Quel corps me traîne à sa fin paresseuse,
Quel front l’attire à cette terre osseuse ?
Une étincelle y pense à mes absents.

Fermé, sacré, plein d’un feu sans matière,
Fragment terrestre offert à la lumière,
Ce lieu me plaît, dominé de flambeaux,
Composé d’or, de pierre et d’arbres sombres,
Où tant de marbre est tremblant sur tant d’ombres ;
La mer fidèle y dort sur mes tombeaux !

Chienne splendide, écarte l’idolâtre !
Quand solitaire au sourire de pâtre,
Je pais longtemps, moutons mystérieux,
Le blanc troupeau de mes tranquilles tombes,
Éloignes-en les prudentes colombes,
Les songes vains, les anges curieux !

Ici venu, l’avenir est paresse.
L’insecte net gratte la sécheresse ;
Tout est brûlé, défait, reçu dans l’air
À je ne sais quelle sévère essence…
La vie est vaste, étant ivre d’absence,
Et l’amertume est douce, et l’esprit clair.

Les morts cachés sont bien dans cette terre
Qui les réchauffe et sèche leur mystère.
Midi là-haut, Midi sans mouvement
En soi se pense et convient à soi-même…
Tête complète et parfait diadème,
Je suis en toi le secret changement.

Tu n’as que moi pour contenir tes craintes !
Mes repentirs, mes doutes, mes contraintes
Sont le défaut de ton grand diamant…
Mais dans leur nuit toute lourde de marbres,
Un peuple vague aux racines des arbres
A pris déjà ton parti lentement.

Ils ont fondu dans une absence épaisse,
L’argile rouge a bu la blanche espèce,
Le don de vivre a passé dans les fleurs !
Où sont des morts les phrases familières,
L’art personnel, les âmes singulières ?
La larve file où se formaient les pleurs.

Les cris aigus des filles chatouillées,
Les yeux, les dents, les paupières mouillées,
Le sein charmant qui joue avec le feu,
Le sang qui brille aux lèvres qui se rendent,
Les derniers dons, les doigts qui les défendent,
Tout va sous terre et rentre dans le jeu !

Et vous, grande âme, espérez-vous un songe
Qui n’aura plus ces couleurs de mensonge
 Qu’aux yeux de chair l’onde et l’or font ici ?
Chanterez-vous quand serez vaporeuse ?
Allez ! Tout fuit ! Ma présence est poreuse,
La sainte impatience meurt aussi !

Maigre immortalité noire et dorée,
Consolatrice affreusement laurée,
Qui de la mort fais un sein maternel,
Le beau mensonge et la pieuse ruse!
Qui ne connaît, et qui ne les refuse,
Ce crâne vide et ce rire éternel !

Pères profonds, têtes inhabitées,
Qui sous le poids de tant de pelletées,
Êtes la terre et confondez nos pas,
Le vrai rongeur, le ver irréfutable
N’est point pour vous qui dormez sous la table,
Il vit de vie, il ne me quitte pas !

Amour, peut-être, ou de moi-même haine ?
Sa dent secrète est de moi si prochaine
Que tous les noms lui peuvent convenir!
Qu’importe ! Il voit, il veut, il songe, il touche !
Ma chair lui plaît, et jusque sur ma couche,
À ce vivant je vis d’appartenir !

Zénon ! Cruel Zénon ! Zénon d’Êlée !
M’as-tu percé de cette flèche ailée
Qui vibre, vole, et qui ne vole pas !
Le son m’enfante et la flèche me tue !
Ah ! le soleil… Quelle ombre de tortue
Pour l’âme, Achille immobile à grands pas !

Non, non !… Debout ! Dans l’ère successive !
Brisez, mon corps, cette forme pensive !
Buvez, mon sein, la naissance du vent !
Une fraîcheur, de la mer exhalée,
Me rend mon âme… Ô puissance salée !
Courons à l’onde en rejaillir vivant.

Oui ! Grande mer de délires douée,
Peau de panthère et chlamyde trouée,
De mille et mille idoles du soleil,
Hydre absolue, ivre de ta chair bleue,
Qui te remords l’étincelante queue
Dans un tumulte au silence pareil,
Le vent se lève !… Il faut tenter de vivre !

L’air immense ouvre et referme mon livre,
La vague en poudre ose jaillir des rocs !
Envolez-vous, pages tout éblouies!
Rompez, vagues ! Rompez d’eaux réjouies
Ce toit tranquille où picoraient des focs!
Paul Valéry



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