sábado, agosto 05, 2017

A Varanda — Charles Baudelaire - Trad. Eric Ponty

Mãe das memórias, da amante das amantes,
Ó tu de todos meus gozos, às minhas dívidas de amor!
Atrele à mente o toque gentil de nossa carícia,
A doçura do cerne, o encantador céu arriba,
Mãe de memórias, da amante de amantes!

Noites fulguradas pelo ardor do carvão,
E na varanda, a rosa que trazem sublimes;
Que doce seu peito a mim, quão amável é a sua alma!
Muitas vezes nós dizíamos coisas duráveis,
Noites fulguradas pelo ardor do carvão,

Quão lindos são os sóis! Quão quente seus feixes noturnos!
Quão infinito é o sítio! O cerne, quão forte e bom!
Ao se curvar em seu mando, ó amado, ó, minha rainha,
Pensei que poderia respirar o perfume do seu sangue.
Quão lindos são os sóis! Quão quente seus feixes noturnos!

Então, seríamos reclusos na noite espeçaste,
E na sombra meus olhos agouraram seus olhos tão profundos,
E eu tomaria a respiração, o veneno, o deleite!
Nas minhas mãos fraternas, seus pés iam dormir,
Quando seríamos reclusos na noite espeçaste,

Eu tenho a arte de chamar os tempos felizes,
Vendo mais meu passado lá está curvado dentro de seus joelhos.
Onde devo procurar graça, lânguida e sublime,
Se não estiver no seu cerne valioso, e no corpo em seu caso.
Eu tenho a arte de chamar os tempos felizes!

Esses votos, esses perfumes doces, esses beijos infinitos,
Será que eles renascerão de um golfo que não podemos soar,
Ao grau que os sóis rejuvenescidos levam voos celestiais
Tendo sido abluída nos oceanos, rica e profunda?
-O votos! O doce perfume! Os beijos infinitos!
Tradução Eric Ponty

Le Balcon
Mère des souvenirs, maîtresse des maîtresses,
Ô toi, tous mes plaisirs! ô toi, tous mes devoirs!
Tu te rappelleras la beauté des caresses,
La douceur du foyer et le charme des soirs,
Mère des souvenirs, maîtresse des maîtresses!
Les soirs illuminés par l'ardeur du charbon,
Et les soirs au balcon, voilés de vapeurs roses.
Que ton sein m'était doux! que ton coeur m'était bon!
Nous avons dit souvent d'impérissables choses
Les soirs illuminés par l'ardeur du charbon.
Que les soleils sont beaux dans les chaudes soirées!
Que l'espace est profond! que le coeur est puissant!
En me penchant vers toi, reine des adorées,
Je croyais respirer le parfum de ton sang.
Que les soleils sont beaux dans les chaudes soirées!
La nuit s'épaississait ainsi qu'une cloison,
Et mes yeux dans le noir devinaient tes prunelles,
Et je buvais ton souffle, ô douceur! ô poison!
Et tes pieds s'endormaient dans mes mains fraternelles.
La nuit s'épaississait ainsi qu'une cloison.
Je sais l'art d'évoquer les minutes heureuses,
Et revis mon passé blotti dans tes genoux.
Car à quoi bon chercher tes beautés langoureuses
Ailleurs qu'en ton cher corps et qu'en ton coeur si doux?
Je sais l'art d'évoquer les minutes heureuses!
Ces serments, ces parfums, ces baisers infinis,
Renaîtront-ils d'un gouffre interdit à nos sondes,
Comme montent au ciel les soleils rajeunis
Après s'être lavés au fond des mers profondes?
— Ô serments! ô parfums! ô baisers infinis!

— Charles Baudelaire

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