domingo, abril 09, 2017

O Cemitério marinho - Paul Valéry - Eric Tirado Viegas



(Decassílabo versos sem rima)
Corrigido
Μή, φίλα ψυχά, βίον ἀθάνατον
σπεῦδε, τὰν δ' ἔμπρακτον ἄντλει μαχανάν.
Pindare, Pythiques, III.

Telhado pacato, onde marcham pombas,
Pulsa entre pinheiros, entre as tumbas;
Meio dia justo arruma luz adeuses
O mar, o mar, firme qual renovar
Oh recompensa após se pensar
Um longo olhar para a calma dos deuses!

Quais puros lavrar fins raios consuma
Mui diamante imperceptível escuma
E daquela paz sempre conceber
Quando sob o abismo do sol repousa
Das Obras puras da eterna causa
Tempo cintilar e sonho é saber.

Erário firme, templo de Minerva,
Massa calma, e visível da reserva,
Soberba água, guardar olhar de ti
Como dormir sob véu que desta chama,
O meu silêncio ... edifício que na alma,
Mas enche ouro mil telhas, teto. Ti!

Templo Tempo, só suspiro resumo,
Neste ponto puro monte e acostumo,
Tudo cercado por meu olhar marinho;
E quão a minha suprema oferta aos deuses,
Semeiam de cintilação sereno
Na altitude desprezo soberano.

Como fruto derrete no prazer,
Quão em delícia transforma na ausência
Numa boca onde forma está morrendo,
Eu fumo meu futuro aqui fumaça,
E o céu canta à alma consumida
Da mudança no rumor desta margem.

Céu belo, vero céu, olhar a mim mudança!
Após tanto orgulho, após estranha
Ociosidade, mas cheio de poder,
Eu me rendo a este espaço tão brilhante
Nas Mansões minhas sombras vão dos mortos
Quem me doma a sua mudança frágil.

A alma exposta às tochas solstício,
Eu apoiá-la, justiça do admirável
As Armas ligeiras sem da piedade!
Vós tendes seu lugar, pura primeiro
Olhe para ti! .... Mas faça-se à luz
Na Sombra que eu me acho meio triste.

O a mim, por mim mesmo, para eu mesmo,
Com um coração, da fonte do poema,
Entre vácuo e do evento se fez puro,
Aguardo eco do meu brio interior
Amargo, escuro sonora cisterna,
Tocando na alma sempre futuro oco!

Sabes, falso cativo da folhagem,
Golfo comedor dessas magras redes,
Meu olhar uno, fechos ofuscantes
Corpo me arrasta até fim preguiçoso
O que fronte chama este chão tão óssea?
Uma faísca não pensa minha ausente.

Bento, uno cheio fogo sem matéria,
O Fragmento terrestre me oferta à luz,
Lugar gosto, dominado pelas tochas,
Composto d´ouro, pedra e cedros negros,
Onde tremor o mármor tantas sombras;
O mar fiel dormindo em meus túmulos!

Cã esplêndida, descarta do idólatra!
Quando o pastor Sorriso solitário,
Eu pasto mui, misteriosas das ovelhas,
Gado branco meus túmulos tão quietos,
Afastadas pombas de tão prudentes,
Os sonhos vãos, os anjos tão curiosos!

Vim aqui, do futuro que é preguiça.
Os arranhões insetos claros secos;
Tudo tostado, desfeito, torna ar
Já não sei da severa de tua essência
Vida é vasta, sendo bebeu ausência,
Amargura é doce mente, e claro.

Mortos ocultos estão bem na terra
Que aquece e seca deste teu mistério.
Meio-dia lá, meio-dia, do imóvel
Si mesmo pensa e é certo a si mesmo ...
Cabeça finda e diadema perfeito,
Eu sou sua secreta desta mudança.

Fez isso por mim destes teus medos!
A Minha pena, dúvidas, limites
São culpa de teu tão grande diamante ...
Mas, em sua grande noite toda em mármore,
Uma onda pessoas às raízes das árvores
Tomou o teu partido já lentamente.

Derretidos ausência de espessura,
O barro rubro bebeu do tipo branco;
O dom da vida passou para às flores!
Onde estão frases familiares mortos,
Arte pessoal, almas singulares?
A larva fia onde prantos que são formados.

Os gritos agudos das miúdas cócegas,
Olhos, os dentes, pálpebras molhadas,
Encantador brincar com deste fogo,
Lábios sangue brilhando que se rendem,
Últimas doações, dedos defendem,
Tudo vai terra e entra neste jogo!

A Grande alma, tu esperas um sonho
De que me deixará mentir destas cores
Olhos claros onda ouro faz-se aqui?
Cantarmos vós quando vaporosas
Foi! Tudo feito! Minha vista porosa,
A impaciência santa também morre!

Magra imortalidade negra e ouro,
Consolador horrível laureada
Que a morte fez dum seio materno
Bela mentira e piedosa de astúcia!
Quem sabe, e de quem que se recusa,
Crânio vazio e esse riso eterno!

Pais profundos, cabeças desertas,
Que, sob o peso já de tantas pás,
É terra e confundir os nossos passos
Correto roedor, verme irrefutável
Não sois dormem debaixo da mesa,
Ele vive a vida, ele não me deixa!

Amor, talvez, ou tu que me odeias?
Seu dente fecho é perto de mim
Todos nomes podem ele anuir!
Seja qual for! Vê, quer, pensa, ele toca!
Minha carne afaga, e até de minha cama,
A viver eu vivo para pertencer!

Zenão! Zenão cruel! Zenão d´Eléia!
Acaso perfurou esta seta alada
Que vibrar, voeja e que não voeja mais!
O Som gera-me e seta que me mata!
Ah! O sol .... Que sombra de tartaruga
A alma, Aquiles parado grandes passos!

Não, não .... Alçar! Em eras sucessivas!
Quebrar meu corpo, forma pensativa!
Beber, meu útero, o brotar do vento!
A frescura, do mar tão exalado
Faz-me minha alma ... Poder tão salgado!
Correr para a onda jorrando viva.

Sim! Grande Mar delírios do dotado
Pele pantera clâmide vazadas,
Quilíades de mil ídolos do sol,
Hidra absoluta, beba carne azul,
Quem remorso da cauda tão chispante 
Em um tumulto quão deste silêncio.

O vento ergue! .... Deve tentar viver!
Enorme ar abrir e fechar meu livro,
A Onda em pó ousou brotar destas rochas!
Esvoaçar páginas que ofuscavam!
Rompam, ondas! Rompa água deste júbilo
Tranquilo teto onde velas bicando!
Eric Tirado Viegas


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