segunda-feira, março 20, 2017

O Cemitério marinho - Paul Valéry - Eric Tirado Viegas



(Decassílabo versos sem rima)
Μή, φίλα ψυχά, βίον ἀθάνατον
σπεῦδε, τὰν δ' ἔμπρακτον ἄντλει μαχανάν.
     Pindare, Pythiques, III.

Telhado tranquilo, onde marcham pombas,
Pulsa entre dos pinheiros, entre os tumbas;
Meio dia justo compõe-se destas luzes
O mar, o mar, firme tão renovado
Oh recompensa após de pensamento
Um longo olhar para a calma dos deuses!

Pura labuta fins raios consuma
Diamante imperceptível mui d´escuma
E daquela paz sempre conceber
Quando sob o abismo sol repousa
Das Obras puras duma eterna causa
Tempo cintila e sonho é saber.

Erário firme, templo de Minerva,
Massa calma, e reserva do visível,
Soberba água, guarda olhar de ti
Como dormir sob um véu desta chama,
O meu silêncio ... edifício na alma,
Mas o ouro enche mil telhas, do telhado!

Templo Tempo, só suspiro resume,
Neste ponto puro monte e acostumo,
Tudo cercado por meu olhar marinho;
E quão a minha suprema oferta aos deuses,
Semeiam de cintilação sereno
Na altitude desprezo tão soberano.

Quão fruto derrete na apreciação,
Quão em delícia transforma na sua ausência
Numa boca onde forma está morrendo,
Eu fumo meu futuro aqui fumaça,
E o céu canta à alma tão consumida
Da mudança no rumor desta margem.

Céu belo, vero céu, olhe a mim mudança!
Após tanto orgulho, após tanto estranha
Ociosidade, mas cheio de poder,
Eu me rendo a este espaço tão brilhante
Nas Mansões de minha sombra vão mortos
Quem me doma a sua mudança frágil.

A alma exposta às tochas deste solstício,
Eu apoiá-la, justiça do admirável
As Armas ligeiras sem da piedade!
Vós tendes seu lugar, primeiro, pura,
Olhe para ti! .... Mas faça-se à luz
Na Sombra que eu me acho meio triste.

O a mim, por mim mesmo, para eu mesmo,
Com um coração, a fonte do poema,
Entre vácuo e do evento se fez puro,
Aguardo eco do meu brio interior
Amargo, escuro sonora cisterna,
Tocando na alma sempre um futuro oco!

Sabes, falso cativo da folhagem,
Golfo comedor dessas magras redes,
Meu olhar uno, fechos ofuscantes
Corpo me arrasta até fim preguiçoso
O que fronte chama este chão tão óssea?
Uma faísca não pensa minha ausente.

Bento, uno cheio fogo sem matéria,
O Fragmento terrestre oferta à luz,
Lugar gosto, dominado por tochas,
Composto d´ouro, pedra e cedros negros,
Onde tremor mármor em tantas sombras;
O mar fiel dormindo em meus túmulos!

Cã esplêndida, descarta do idólatra!
Quando o pastor Sorriso solitário,
Eu pasto mui, misteriosas ovelhas,
Gado branco meus túmulos quietos,
Afastadas pombas de tão prudentes,
Os sonhos vãos, os anjos tão curiosos!

Vim aqui, do futuro é preguiça.
Os arranhões insetos fluidos secos;
Tudo tostado, desfeito, torna ar
Já não sei da severa de tua essência
Vida é vasta, sendo bebeu ausência,
Amargura é doce mente, e claro.

Mortos ocultos estão bem nesta terra
Que aquece e seca deste teu mistério.
Meio-dia lá, meio-dia, do imóvel
Si mesmo pensa e é certo a si mesmo ...
Cabeça finda e diadema perfeito,
Eu sou sua secreta desta mudança.

Fez isso por mim destes teus medos!
A Minha pena, dúvidas, limites
São culpa de teu tão grande diamante ...
Mas, em sua grande noite toda em mármore,
Uma onda pessoas às raízes das árvores
Tomou o teu partido já lentamente.

Derretidos ausência de espessura,
O barro rubro bebeu o tipo branco;
O dom da vida passou para às flores!
Onde estão frases familiares mortos,
Arte pessoal, almas singulares?
A larva fia onde prantos são formados.

Os gritos agudos das miúdas cócegas,
Olhos, os dentes, pálpebras molhadas,
Encantador brincar com deste fogo,
Lábios sangue brilhando que se rendem,
Últimas doações, dedos defendem,
Tudo vai terra e entra neste jogo!

A Grande alma, tu esperas um sonho
De que me deixará mentir destas cores
Olhos claros onda ouro faz-se aqui?
Cantarmos vós quando vaporosas
Foi! Tudo feito! Minha vista porosa,
A impaciência santa também morre!

Magra imortalidade negra e ouro,
Consolador horrível laureada
Que a morte fez dum seio materno
Bela mentira e piedosa de astúcia!
Quem sabe, e de quem se recusa,
Crânio vazio e esse riso eterno!

Pais profundos, cabeças desertas,
Que, sob o peso já de tantas pás,
É terra e confundir os nossos passos
Correto roedor, verme irrefutável
Não sois dormem debaixo da mesa,
Ele vive a vida, ele não me deixa!

Amor, talvez, ou tu que me odeias?
Seu dente fecho é perto de mim
Todos nomes ele pode anuir!
Seja qual for! Vê, quer, pensa, ele toca!
Minha carne afaga, e até minha cama,
A viver eu vivo para pertencer!

Zenão! Zenão cruel! Zenão Eléia!
Acaso perfurou esta seta alada
Que vibra, voeja e que não voeja mais!
O Som gera-me e seta que me mata!
Ah! O sol .... Que sombra de tartaruga
A alma, Aquiles parado grandes passos!

Não, não .... Alçar! Em eras sucessivas!
Quebrar meu corpo, forma pensativa!
Beber, meu útero, o brotar do vento!
A frescura, do mar exalado
Faz-me minha alma ... Poder salgado!
Correr para a onda jorrando viva.

Sim! Grande Mar delírio dotado
Pele pantera clamíde furadas,
Quilíades de mil ídolos do sol,
Hidra absoluta, beba carne azul,
Quem remorso da cauda tão chispante 
Em um tumulto quão deste silêncio,
O vento ergue! .... Deve tentar viver!

Enorme ar abrir e fechar meu livro,
A Onda em pó ousa brotar destas rochas!
Esvoaçar páginas ofuscavam!
Rompam, ondas! Rompa água deste júbilo
Tranquilo teto onde velas bicando!
Eric Tirado Viegas

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