sábado, setembro 15, 2012

Objetos Perspectivam O Mundo E Outras Alegorias Das Criaturas de Próspero - Eric Ponty 2002-2012

Poemas constituídos “Objetos Perspectivam O Mundo”, são preposição duma lista de discussão literária e artes na Internet, postado pelo poeta André Ricardo Aguiar (2002), então veio-me à mente escrever à ópera do cineasta inglês Peter Greenaway realizada no Brasil 100 Objetos que Representam O Mundo.

A composição sorteada ao acaso, menos o número primeiro, Sol, tudo gira em torno desse astro solar, quis o destino à coleção termina-se na representação da Poeira.
Quem quiser conhecer os cem objetos de Peter Grenaway: 100 Objetos que Representam O Mundo http://www.museuvirtual.com.br/targets/cafe/targets/panorama/targets/greenaway/targets/100objetos/languages/portuguese/html/index.html; mas, antes teço algumas ressalvas à inspiração do libreto para se ter conhecimento mais profundo o qual retrabalhei: ”Em 1977, Cabo Kennedy lançou no espaço duas naves espaciais Voyager contendo material para representar a VIDA NA TERRA. A carga incluía descrições das características da Terra, de sua fauna, flora e vida humana. Este projeto aspirava a estabelecer um contato hipotético com inteligências extraterrestres, para que compreendessem que a Terra e nós existimos. Havia saudações em 55 idiomas, inclusive na linguagem das baleias jubartes e uma coletânea da música produzida na Terra, de Bach aos Beatles. Foram selecionadas 117 imagens para representar-nos - da qualidade de nossos dentes brilhantes a uma visão geral de nossa arquitetura, horticultura, métodos de reprodução e nossos sucessos na aviação e na arte. Este era uma com grandes responsabilidades. A escolha do material foi necessariamente influenciada pela comunidade americana dos anos 70, que talvez tivesse ideais democráticos arrogantes e possíveis atitudes paternalistas em relação ao resto do mundo. Se considerarmos a diversidade da Terra e de suas comunidades, no final, a nave poderia conter apenas um limitado espectro de referências. Mas, ainda assim, você e eu, como representantes da Terra, não fomos consultados. Não nos foi solicitada uma contribuição. Como poderia nosso planeta ser representado sem a nossa permissão e sem que fôssemos consultados? Era preciso que nos esforçássemos para corrigir este erro. E isso se torna especialmente importante, à medida que nos aproximamos do final do segundo milênio, um momento em que todos discutem e avaliam quem somos e o que fizemos. Assim, reconhecendo plenamente o fato de que sua opinião é tão importante quanto a minha, elaborei minha própria lista daquilo que eu acredito, com um misto de devida ironia e seriedade, capaz de representar o mundo e, de forma simples e um tanto pedante, dei à minha lista o seguinte título: "100 Objetos para Representar o Mundo".
É dessa maneira repensei numa lista menor, perfazendo os objetos ao narrar-se à famosa frase de Nélson Rodrigues:”O pecado é anterior à memória”. É dessa versão apresentada adicionou-se às Alegorias servem de contraponto à perspectiva dum olhar na desconstrução desses objetos estam nas Criaturas de Prospéro de Greenaway.

"O pecado é anterior à memória"
Nelson Rodrigues

O Sol
THROPE O primeiro objeto é o sol.
A força que move o sistema solar.
ENERGIA APRISIONADA.
Se há alguma coisa sobre a Terra que é necessária e oportuna venerar
Certamente é o Sol que deve ser venerado.
É a central elétrica, a pilha, a fonte de energia.

I - O Sol
Astro bizarro, singular pulsar,
da galáxia contornando do centro,
à luz, mantimento prisioneiro,
quase entardeceres fluem da ausência.

O girassol brotando de Van Gogh
flores das côdeas amanhecidas.
Lixo
THROPE Para demonstrar o que não é desejado por algumas pessoas
Num determinado Momento
Mas que certamente será desejado por outras
Num determinado momento.
Se esses momentos e essas pessoas
Pudessem ser coordenados
Não haveria razão para que o lixo existisse.
EVA Quero um lar

THROPE Fique calma. Vou ensinar a você a ser uma dona de casa.
Você vai precisar de materiais de construção.
E máquinas para construir.

II - O Lixo
Lixo exerce sua função de descarte,
este é corpo humano de formato
tem a trajetória existencial,
cumprisse das funções mais ordinárias,
de usado jogasse na cova raza.

Palito picolé lançando espaço,
árvore ou página papel em branco,
a decompor-se desse mau poema.
Uma Boneca
THROPE A boneca é uma para um bebê.
Uma réplica de um bebê.
SERPENTE Que é melhor que fique quietinho

III- Uma Boneca
Exílio reservado da boneca
à representação de que padece
fotografia solitário do sótão.

(À sombra assombrar-se quase da face
que tangida repassada no tempo).

Exílio retirado da boneca
da porcelana de mais de cem anos.

Ao longe dum sussurro de bebê.
Faca
THROPE A faca do embalsamador,
A faca utilizada naqueles aparentam estar mortos para
fazer com que realmente morram.
Para demonstrar à mortalidade e a imortalidade,•a esperança de não morrer,
medo do túmulo,
as responsabilidades do agente funerário,
morbidez,
possível ressurreição.

IV- Faca
Durma sobre á côdea, repouse,
lá fora está à noite espantada,
lá fora ecoa à voz vem dum lobo,
patas feridas, aguerridas,
crinas chamuscadas noturnas.

Durma sobre a côdea, durma,
lá fora está à noite espantada,
ferida lâmina foi faca,
viu da tristeza face da lua.
Livros sagrados.
THROPE Livros sagrados.
Dogma sagrado.
Para demonstrar receitas de vida.
Instrução,
Agendas,
Memorandos das alturas,
Reverência,
teologia,
religião do estado.
fé,
fundamentalismo.
O Talmude, o Corão, a Torah, a Bíblia.
DEUS Eu sou Deus.
SERPENTE A Origem das Espécies de Darwin.
A interpretação dos Sonhos de Freud.
O Capital, de Marx.
Minha Luta, de Hitler.
ADÃO Quero espaço para viver.

V- Livros Sagrados
Princípio nem foi caos em tudo,
do planeta cheio de habitantes,
miséria lavrada à toda parte,
da manhã sempre posta em lamento.

Azuis tardios de cinzas do Porto,
rósea túnica jardins pecados
pura sintaxe diária textura.

Homem, mulher que sempre apartados,
depara forma nos faz surgir
deram fábulas, preenchidas eras,
duma lágrima lembrar ausentes
da palavra algaravia sagrada,
amar Deus sobre todas coisas
quis arma pudesse sentir unos.

Crente olvidaram de quê o final,
derradeiro sempre espera lendas,
Homero olhar Ulisses Ítaca,
porque viu ventura verdes prados,
adentraram primevos murmúrios,
notar não narrara ainda fim;
agora, principais personagens.
Fumar
Fumar.
Para demonstrar o tabaco,
Drogas,
Vício,
Nicotina, ópio, narcóticos,
Câncer.
Marlboro (ugh)
como uma droga e não um duque,
O oportunismo do Estado
e a hipocrisia para ganhar dinheiro com uma
droga que sabidamente mata.

SERPENTE Charutos, cigarrilhas,
Cigarro, cigarros, cigarrinhos
Focinho, tragar, exalar.
Ou então você poderia jogar algum jogo.

VI - Fumar
Charuto será apenas charuto,
fálico desejo de expressar-se,
mensagem conceituasse à nuvem
estéril quase sem nenhum pássaro.

Fumaça nicotina se arrasta
sopro primevo Deus se refez
do barro, do homem que o habitasse
espaço dos insanos desejos.

Charuto será apenas charuto,
do fálico desejo expressasse,
apenas do charuto qual quis
Freud inconsciente do decaído
do vício sem asas do infinito?
A Barriga
THROPE A barriga da mulher marca a localização do útero.
Mas é também o centro da digestão.
Falamos do macio baixo-ventre
A rotunda do desejo.
A barriga é a de gravidade do corpo,
demonstra a cicatriz do umbigo como a imagem da continuidade humana.
SERPENTE Não aceitos substitutos.
Tragam o bebê!

VI - A Barriga
Primevo habitat donde moramos,
escutar silente mel e amor,
donde manhã ou da noite inexistem,
donde possível narrar-se odisseias
dialogarem vivência de pássaros.

Reunirem-se no parque com anjos,
períodos civis, crer teologias,
plantam girassóis, pascem à lua,
saber imortal diálogo deuses.

Primevo habitat donde moramos,
ouvimos silente mel e amor,
não passam projetos natimortos...
O Falo
THROPE O falo demonstra o princípio masculino,
sexualidade agressiva
O culto do pênis
A inveja do pênis
o ego masculino
Exibicionismo,
Arrogância.
Domínio.
SERPENTE Sacanagem

VII - O Falo
Difícil à carga conduzir
da virilha se impõe dessa espada
clama à arma dessa revolução,
lavrando da alva dor dum canhão,
às bases então que se perpetram
à pólvora povoa dor do mundo.

Difícil à carga conduzir,
empolo arma com dum inimigo,
ser pica flor dizer de Gregório,
ser esfinge deslumbrar-se manhã.

Difícil à carga conduzir,
de que falo ao falo dum diálogo.
Tinta
A crítica cultural encontrase diante do último estágio da dialética entre cultura e barbárie: escrever um poema após Auschwitz é um ato bárbaro, e isso corrói até mesmo o conhecimento de por que hoje se tornou impossível escrever poemas.  
Théodor Adorno
THROPE Tinta, tinta, tinta
Para representar o ato de escrever,
e todos os textos manuscritos e impressos.
Para demonstrar a transmissão de conhecimentos
e os canais de comunicação através da tinta.
A tinta pode ser vista como o segundo sangue do mundo e como tão descartável quanto o primeiro.
Talvez, na solução das questões humanas tenha sido utilizada tanta tinta quanto sangue.
Pesamos às vezes que tinta e sangue podem ser intercambiáveis, pois pode parecer que tanta tinta foi derramada sobre o sangue quanto sangue sobre a tinta. Enormes quantidades de tinta foram derramadas desde o Tratado de Westfália até o Tratado de Versalhes para solucionar gigantescos derramamentos de sangue.
SERPENTE No Julgamento de Nuremberg, havia quinze milhões de documentos escritos à tinta para acertar as contas do sangue de mais de cinquenta e sete milhões de mortes que encheriam uma biblioteca de mais de um milhão de livros.

VIII - Tinta
Terrestre do pigmento terreno,
da textura dessa casca ovo
asa olvidado pássaro pena
insere-se do vácuo poema.

A tinta transmitiu-se de tudo,
até palavra agora raspada
metáfora tinta do qual não se
dispensa repassá-la à impressora.

Não perpetuar Leonardo da Vinci,
eternal impressionista Van Gogh
significativo grito Munch
formas Picasso ou silente Rotko.
A caveira de Mozart
 
THROPE É preciso lembrar que a cabeça temporariamente esconde a caveira.
Uma coisa seca e mortal, aberta para deixar passar as correntes de ar.
Esta é a caveira de Mozart - tirada da sepultura por um ladrão de túmulos ansiosos para se aproveitar do desejo de cultuar ídolos para fazer fortuna.
THROPE Vejam, desapontamento manifesto,
Mas é uma boa educação.
Agora vocês já sabem o que a espera.
Sonhos despedaçados.

IX - A caveira de Mozart
Que Inutilidade!
Que Inutilidade afanar caveira!
Que Inutilidade crer caveira!
Que Inutilidade sentir eterno!
Que Inutilidade compor poema!
Que Inutilidade fazer guerras!

Da caveira nos olha fundo Hamlet,
perene sabedoria eterno insone
riso abarca sofrer do fim tempo.
A Orquestra
SERPENTE Orchestra é um anagrama de
Carthorse,
Aquele carrega o fardo do
som do mundo.
XI Orquestra
Clarinete arenga ironia raio
quer querendo de entrar-se à fenestra,
adentrar buraco aberto tempo.

Trombone comenta à textura aragem,
lembra Botticelli à densidade
faz dessa solidão tão marinha.

Violinos explanam passagem,
do temporal do desejo silhueta
limite de perfazem às vozes
tão saídas adentram-se noturnas.

Violoncelos sono, sem sono, vigília,
paz chamego à lua do mar agita,
dor junta, decapita ultravida.
Um Barco a Remo
THROPE A água representa seis terços da terra.
O paraíso é sempre cercado de água.
Você vai precisar de um barco a remo.
Para demonstrar o transporte através das águas,
Barcos em miniatura
"Fazer sexo em navios"
Ficar na água sem fazer nada, no verão, com Lucy.

XI - Um Barco a Remo
Marinhas, águas jazem adentram,
à perspectiva da solidão
pascendo de dentro quase bote.

O navegável, poeta do tempo,
jaz do Paradiso sem limites
são de brilhantes raios lunares,
caiam-lhe d´águas de tão marinhas,
formatos gigantescos de rios,
cachoeira, adornavam-lhe das sombras
antigos dos impérios submersos,
embarcações velhas dizia antigo
quase bote à deriva do mundo.

Marinhas das águas que se adentram,
que perspectivam à solidão
do bote ouviam-se às vozes marinhas,
move inalcançável força remo,
olhar vitoriosos timoneiros
da saliva deslizava à escuma
tinhas se à essência da primavera
grito misturava cantos gaivota.

Marinhas águas jazem adentro,
que perspectivam à solidão
bote admira atormenta vertente,
remos precisão primevos nautas,
movimento vai e vem ondulantes,
às mãos presas submersos dos ritmos,
smãos, quem sabe, Ulisses rumo à Ítaca,
das mãos tão cansadas das torturas
dum único vivente de tudo
desfigurando-se do princípio.

No princípio, não é nos havia,
da face homem que se criara efígie,
talvez,
YHVH
à luz
quem certo sabe dum narrador
da maior desventura nascer,
de quem perspectivara de tudo,
falas do mundo, da cidade, homens,
setenta virgens, grito, os leões,
liberdade às gaivotas silentes.
O arco-íris

THROPE A promessa divina de não repetir o dilúvio.
O arco-íris demonstra uma curvatura,
um arco,
Os espectro das cores, a certeza de chuva e luz,
Mistério, mágica, miragem, ilusão.
O arco-íris é um fenômeno desnecessário do qual nenhum ser vivente jamais tirou proveito.
O arco-íris não é utilizado como a nuvem ou o ar quente,
Ou as montanhas ou o vento,
ou os geysers,
ou as fontes de água quente,
ou a neve.
Os arco-íris não são jamais utilizados.
Não se pode desfrutar deles para se medir alguma coisa,
para verificar qualquer coisa.
Para testar alguma coisa,
Os únicos que dele desfrutam - e isso em relação à ideia, não à realidade-
São os escritores, pintores e teólogos fabulistas.

XII - O Arco-Íris
Serenas cores distantes,
depois chovidas, despidas
eternidades idades
rápidas perpetuar ar
nada compram, nada dizem.

Serenas cores distantes,
chuva após silente mente
decaí grito murmurante.

Sobre o céu claro dum arco
da saudação de quem sabe
ocasional quem nos passa.

Algum pensa aproximar-se,
outros gritam ao infinito,
com audácia tentam prendê-la,
dão leis côdeas temporais.

Tarde nos trouxe já desfeita
o crepúsculo atrai pelo óculos,
tumba de Vírgilio duma ode!
Poeira
THROPE Uma pilha de cinzas diversas,
Partículas de carbono,
Fibras de tecido,
Cabelo e pele humana,
Cinzas voltarão a ser cinza, pó se tornará pó.
SERPENTE Cinzas lançadas por um vulcão.
O movimento de um aspirador de pó.
Detritos no chão de uma barbearia.

XIII - Poeira
No principio não havia
a face criara efígie,
YHVH á luz
quem certo narrador
maior ventura nascida,
quem perspectivara tudo,
mundo, à cidade, os homens,
setenta virgens, o grito dos leões,
à liberdade gaivotas, composição primeva
o ser humano,gozo mulher,
sorriso Sulamita,
tons repercutiram carneiros,
à textura flor no bico Beija Flor,
silente partida após à colheita,
ódio refletido olhos de Caim,
olhares alegres David
à mesa à longa estiagem faminta
Milagres, Pães aos famintos,
sussurro anjo, à batalha de Jacob,
alegria semblante de Maria,
aleive longo poético Platão com Sócrates,
extremo abraço perfeito amigo Ovídio exílio,
lentos perfazem-se a margem
visão olhar leitor
sussurros
poeira apresenta.

Alegorias Das Criaturas de Próspero

(100 Alegorias para Representar O Mundo)

O Tesão
Nasce suor do rosto, no olhar,
daquilo apresenta-se aos dos olhos
nu ou vestido, mas, desse detalhe
mostrou-se anuncia já das manhãs.

Descreveu daquilo se tornou
nossos olhares, dos nossos toques,
do denso tom púrpura absoluta,
repousou silente território,
mesmo espanto do mesmo não estar.
Os Construtores

Era como dum construtor
do objeto se perspectivava
divagando memória à imagem,
olhos construtor olvidado.

Tu espectador nos olharia?
Dir-se-ia era construtor.
Vai dos olhares indagando
assinala sem alívio olho
novo Nabucodonosor.

Ou será construtor enigma
olhos escritos construídos,
ausente estava dessa mansão,
monstra minudências menores.
Os Músicos
Melodia flui navio,
saída harpa ou duma flauta
da habitante Vergueiro
vede ele arrasta seres.

Piano melodia pouco do dia
pássaros, rouxinóis, pardais,
da consciência do espaço, notas
manhã qualquer, sábado talvez.
Musas
Musas esvaem perseguem
revendo revejo rua
minhas palavras nuas
sua e solar, noctívaga...

Ali estão vocês nuas,
peitos densos e tenros,
loiras, morenas, índias,
vozes sempre presentes,
carpidas já de palavras.
Bibliotecários

Eram cavaleiros sem cavalos
de despossuídas luz montarias,
recobertas das letras apenas.

Já pelas tardes, duma manhã,
eles chegavam pascendo livros
conhecimento que não se vê
estão sempre detrás das muralhas,
dos espaços abertos nos lia
transviam dos cavalgavam à página.

Assombrávamos fonte do signo
eram murmúrios quase lamentos,
insânia de sermos submarinos;
do temporal nos cobria enfim.
                                                    Eric Ponty 2002-2012

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