domingo, agosto 05, 2012

Retrato à Sara Baras dança à morte - Eric Ponty


Esboçaria quando sugeria
trespassando-se pelo cajón
tamancos, pássaro mourisco,
andaluzia inteira se crispa,
tamanha imersão n´alma judia,
todos acenos tão extremos,
Goya ressuscitaria a gravar-lhe
pintura vindoura criva doira,
coisa instante passa esvai,
mas n`alma personifica,
fazendo-me tanger às raízes
fundiram-me minhas veias
sombra lua mourisca longínquos
antepassados perpassam em mim
quando dança, sapateia ao dia,
carne minha agônica grita em mim
maior efêmeros extremos
somos sombras encruzilhadas
silêncio por onde percorre lemos.

Esboçaria quando sugeria
trespassando-se pelo cajón
então lhe têm traços precisos,
queimando veia andaluzia
vejo saudades dos bisavôs
dançaram ouviram Flamenco
como coisa nossa vinda alma
tatuada lua minha à cabeça
traz coisa nossa vinda cigana 
tragédia  escrita  versifica em mim
olho-te levar-me até fim
sapateando brisas da sarça
crivando poemas Lorca dança
sobre tablado escuro à morte
caráter trágico perco mim
somente é capaz marmoraria
a voz criva vida do touro
cavalgada à morte  é louro
daqueles nós dançamos
compungidos linha à lua
passos álgidos mitos na tabacaria.
Eric Ponty

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