Quarta-feira, Julho 06, 2011

Harpias de Sísifo

Tal a sombra de luz que pasceu a porta,
desceu àquela hora, frágil nesga horta,
toda absorvida diante brilho faz
súbito e grácil gesto total paz.

É no sombrio em que vivia maior dor,
do mundo amor em nada. E agora ardor,
súbito jaz, uma asa, águia voou
triste das trevas feroz não aventou.

Como as grilhetas de luz do encadeado,
mas do bramido algoz em coisas sós
cantam aos ventos as possui dum lado.

Assim já tendo vivido algo, em nós,
que nos importa, vou ao vento quem,
desceu àquela hora, frágil nesga porta.

II
Vi elevar-se no chão.
na leveza, da beleza
em cada nesga de luz
na correspondência rés,
de súbito é inviolável!

Vi atravessar aresta
aureola de luz se faz,
na cantiga da pureza,
dão, contudo do retorno.
Olhar tão perto, sós raios…

Nos transparentes fulgores
dos raios à luz retorno
lucidezes, paz da mágoa.
Mas dizer todas coisas?
Vi justa, ao longe: escudo
reflexo em negas d´água,
são pálidos, golpes surdos.

III
Se ainda iluminar
com fulgor igualmente,
sei vai estar novamente
tão perto; a chama entende,
a nesga quer brilhar!

Porque é olhar alcança
mais do consegue trança,
o raio, novamente,
que vate dum olhar
com passa luz a frente?

Essa noite que estende
ao fundir e separar
inadvertidamente...
Eric Ponty

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