A vertente jaz, encosta dos mundos,
fica olhando-se do alto sempre em frente,
afrontam-se suas vestes, prado calmo,
Dos céus, que gregos, dia se que almejaram.
A torre que é mais alta se olha frente,
A visão é um desamparo longe,
Daqueles que nos falam perto fala,
O Báculo sustenta os vários mundos.
Atem-se à percepção do mundo fasto,
ilusão que se dispõem do seu arado.
Percepção do que se tem é abissal.
II
Ao se iludir da paz com dura glória,
Quanto alcançou ganhar na dura terra,
Caso infeliz, que dito da memória,
Que do sepulcro véus lhes desenterra.
Ao se dizer, feroz Amor, a sede,
Porque querer, do áspero humano,
se nem com lágrima mais triste irriga,
de suas visões sagrar os sangues danos.
È você, casto amor, com força nua,
tão tenros corações que tanto obriga,
foi-lhe causa a apoquenta morte crua.
E com que pérfida inimiga abriga,
dizer-nos, fero ardor, que a sede nua,
nem com lamento triste se mendiga.
III
Flutuava, linda Inês em justa palma,
séculos quem obtendo doce luto,
naquele espasmo da alma, alegre e justo,
fortuna vida não sagra-lhe calma.
Saudosos nomes tempos do Mondego,
são seus formosos olhos nunca olvido,
dos marmos ensinando desses egos
são nomes que no pleito escrito ido.
É de tua lápide ave nos respondem,
são produtos que na alma lhe habitavam,
é sempre que ante nossos véus diziam.
Quando dos teus formosos se apartavam;
São noites, doces sonhos que cotiam,
É dia, são pensamentos que voavam.
IV
E quanto, enfim, cuidava e quanto lia,
Eram já tudo das memórias via.
Qual perante do algoz o combatido,
que já na lide a morte tem servido.
E coloca no cepo da garganta,
e já entregado espera pela manta,
de tão temido: tão sofrido clave,
diante do Príncipe aja dor grave.
Ego que estava, a tudo destronado,
amor andrajo alçava mundo alado;
mas, morte vendo a estranha enfermidade.
Cabeças pelo campo vão assaltando,
braços, de pernas, quilha passam nau,
tão faustas as entranhas latejando.
V
Eu pensei na manhã nasceu da noite,
um solitário véu que aflora foice,
cortado do mal dito amores caso,
em que passava olhar de Rilke acaso.
Estava bela ria noturno ultraje,
pensamos lua despida Inês de trajes,
inerte, inerme olhos de tão castos,
e quiçá algozes frios do olhar tão vastos.
Soturna estática ave tez Maria,
não sei devassos, hora ardiam e riam,
pulhas sorriem duma honra alheia ardia.
Reis do Malévolo hás, dos céus de brancas
anunciações, silentes, véus das santas,
altares sós tão pios de sérias castas.
VI
Se triste do léu padeceu Inês sorte,
que ave cantou sorte cedro do órfão,
canção parabelo se fez do réquiem,
a nuvem também cora à sorte de alguém.
A andar e cair pelos desvãos como réus,
ao passar torcendo no ar pelos céus,
tocar a cortinas na frisa aos relentos
são águas tranquilas das brisas vão alentos.
Se tudo comove, sinal vasta terra,
dos pássaros, rio, que manso no leito,
dizendo-lhes dor de eterna que aterra.
O véu dolorido dessa ânua adiposa,
paixão tão sofrida dos dias desse estio
passar o desvão amargurado dessa hora.
VII
Se triste Inês santa padeceu no andor,
um Pedro também sonha com crime dor,
canção coração toa o trovão nessa infâmia,
qual nuvem que tardo tão da vidamia.
Andar e passar pelos vãos dos passam,
passando levando no ar pelos réus,
trovoar-lhe da moça na brisa ao relento
sãs águas pacatas dos flumens impuros.
Se tudo comove tão vasto nos leitos,
dos pássaros, são desses mansos pleitos,
dizendo na mina de eterna fluência.
A flor lhe é dorida das águas alpestres,
paixão dolorida dos dias desse estio
dançar no desvão agoniado terrestres.
Éric Ponty
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