Quinta-feira, Junho 09, 2011

Ensaios para cena sacra
Dentro decaído em mim olho instante,
quase reflexo jaz poente diante,
perco analiso minhas linhas idas,
personifico instante dessas vindas.

Já solitário embargo nessas ondas,
jazendo plenos olhos vivos rondas,
dum raio, que relâmpago ave pousa,
medita ativa sobre gente ouça.

Planejo só das asas plumas plenas,
ágeis e nobres penas sacras cenas,
ó da doçura assina cerne à tarde.

Lívidos olhos cerne tempestade,
branda flamula faz, trepida raio,
doçura assina, dá prazer alarde.
II
Atordoante via autora rumor,
clama da grande pena brusco amor,
sombra que passou libor caos frondosa,
alçando céu que à nata, fundo tosa.

Gráceis e nobres rosas dessa estátua,
inerte sacra jaz, crispa perpetua,
lívidos céus; em olhos passe idade,
voo doçura traz fascina à tarde.

É senão... Ela, pois raio! De tão bela
da pena acena esvaída quase ato,
que não mais tê-la fato que nos arde.

Algures longe! Passa! De tão rápido
personifica raio vai vivido,
pascer doçura traz perpetua à tarde.
III
Cavalos passam  prados são  viventes,
tão misteriosos dão sombras  silentes,
e com seus passos duros dão ecos casas,
submersos sombras aram vozes asas.

De pernas sacras os cavalos tangem,
perpétuos marmos ficam nessa aragem,
e deixa passo agrestes ternos solo,
chegam campestres luto pelo dolos.

Mensagens mórbidas ecoam nos campos,
anunciando manhãs pascer nos tópos,
daqueles choram dias pascido arrolo.

Patas marcadas solo se refletem,
poucos descrevem gestos de que se atem,
vagidas hortas dão vertentes solo.
Eric Ponty

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