domingo, maio 23, 2010

Francisca de Querência 
Libreto inspirado na Divina Comédia de Dante após a leitura do Canto V - Trecho inicial
(Na porta do segundo circulo está Minos corrigindo as almas designando-lhes o infortúnio. No apinhado desse círculo estão os lúbricos, sendo sempre abismados e atormentados por horrível tufão. O Cantador cego vem seguido por Arthur Bispo do Rosário ascende aos céus.)

O Cantador cego:
Eu começo toar toada ilusão,
tocando deste verso imensidão.
Cantar-lhe de Arthur Bispo do Rosário,
apareceu de mim na escuridão.

Salve Nossa Senhora do Rosário,
Salve-nos Nosso Senhor Jesus Cristo,
Arthur brotou vestido deste manto
apresentação, santo à anunciação.

Em meu coração ressoava refrão,
não sei se mais me lembro de Sião,
de como vim do misto deste inferno,
tendo-me de Arthur guia nesta canção.

Moço, não é refrão que deste nada,
sou homem justo não de purgatório,
fazendo minha toada oratório,
Moço, não é oração deste nada.

Pasci então, que ele, do segundo cerco,
espaço menos ancho prometia,
donde mugir do cabra é mais fundo,
bramir sozinho tão atroz do Rei Mino.

Examinava sombras desde início,
dava sentença qual ao juiz punia,
não me importava qual do cargo tinha,
ilha à cauda ao ser enrodilhado.

A fortuna dá alma deste infeliz,
de quando se confessa fronte à fonte,
de um espreitador da alma de tão parva,
aludir-se sitio onde se feneça.

Quantas já embobina talvez rabo,
sôfregas desta espera do sufrágio,
tanto degrau da igreja ao rabo dava,
do ser após por ser do julgo estava.

Não é moço, não é canção do nada,
do homem justo não deste purgatório,
fazendo minha toada do oratório,
Não é moço, não é refrão do nada.


Eric Ponty

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